Por que temos sempre a sensação de que partimos do zero “Tesouras para Todas” quer recolher a memória coletiva que diferentes grupos feministas, coletivos mistos e indivíduxs elaboraram nos últimos anos a partir de textos que falam de agressões concretas, propostas de debate e que vão diretamente referidos a nossos espaços políticos próximos. Não somos as primeiras... nem seremos as últimas... Esta recompilação de textos surge porque estamos fartas da sensação de que sempre partimos do zero, como se nunca tivesse sido feito um trabalho nesse sentido. E na verdade é que apesar de que sim, de que este trabalho foi feito por muitas e por alguns, avançou-se muito pouco na hora de levá-lo à prática, politizar as agressões, ter posicionamentos coletivos e ações de resposta. Em contrapartida, muitas de nós mulheres não só continuamos caminhando como também estamos cansadas de repetir sempre o mesmo. Queremos denunciar que o trabalho sobre agressões sexistas leva muito tempo aos movimentos sociais, fora da agenda ou de prioridade política. Que no momento em que emerge a denúncia por parte de mulheres que foram parte dos coletivos, os mecanismos de resistência, minimização ou o olhar o dedo ao invés de onde ele aponta, fazem com que se perda a possibilidade e a vontade de um trabalho político sobre as agressões machistas. “Tesoura para Todas” é uma ferramenta coletiva, uma arma lançada para a reflexão, o debate e a ação contra as agressões. Encorajar as mulheres a denunciar, atuar, responder e os grupos a autogestionarem a desconstrução do imaginário sexista que nos toca, nos alfineta e nos atravessa, que ninguém espere ser iluminado porque não queremos um rol de educadoras para nós mesmas. Já chega de explicar, assinalar, escrever, justificar, propor... a violência machista nos tira a vontade de sermos compreendidas ao mesmo tempo em que aumenta o desejo de que exista solidariedade, ações e reações, sem que precisemos estar sempre presentes para visibilizá-la. Este dossiê é um convite para a ação e para isso o estruturamos em três momentos diferentes; os primeiros textos nos dão o contexto ao qual nos referimos – violência nos movimentos sociais – o segundo grupo são textos que foram escritos como resposta a agressões concretas e o último grupo são propostas de ação direta feminista. Saudações e tesouras para todas!