Tradução de Women Hating de Andrea Dworkin para português

tradução por carol correia. versão em pdf para baixar em anexo ao lado direito.

Woman Hating by Andrea Dworkin

Para Grace Paley e em memória de Emma Goldman

… Shakespeare tinha uma irmã; mas não tente procura-la na vida de Senhor Sidney Lee. Ela morreu jovem – em fato, ela nunca escreveu uma palavra… Agora minha crença é que essa poeta que nunca escreveu uma palavra e foi enterrado no cruzamento ainda vive. Ela vive em você e em mim, e em muitas outras mulheres que não estão aqui esta noite, porque elas estão lavando a louça e colocando seus filhos para dormir. Mas ela vive; pois grandes poetas não morrem; eles são presenças contínuas; eles apenas precisam de oportunidade para andar entre nós. Essa oportunidade, como eu penso, é agora abrangida por seu poder para dar a ela. Minha crença é que se nós vivêssemos em outro século ou assim – estou falando da vida comum que é a vida real e não apenas das pequenas vidas separadas em qual vivemos como indivíduos – e tem 500 libras por ano, cada um de nós e quartos próprios; se nós tivéssemos o hábito de liberdade e a coragem pra escrever exatamente o que pensamos; se nós escapássemos um pouco da sala de estar e vermos seres humanos nem sempre em suas relações pessoais, mas em relação a realidade… Se nós encarássemos o fato, porque é um fato, que não há nenhum braço pra se segurar, mas que nós vamos sozinhos e que nossa relação é com o mundo da realidade… Então a oportunidade vai aparecer e a poeta morta que era a irmã de Shakespeare vai colocar no corpo que ela tem tantas vezes deitado. Desenhando sua vida das vidas de desconhecidos que eram seus antecessores, assim como fez seu irmãos antes da mesma nascer. Quanto a vir sem preparação, sem o esforço de qualquer parte, sem a determinação de quando ela nasce novamente ela acredita ser possível viver e escrever poesia que nós não esperávamos; pois isto era tido como impossível. Mas eu mantenho que ela viria se nós trabalhássemos pra ela, e que por trabalhar, mesmo na pobreza e na obscuridade, vale a pena.
Virginia Woolf, A room of one’s own (1929).

RECONHECIMENTO
Ricki Abrams e eu começamos a escrever este livro juntos em Amsterdã, Holanda em dezembro de 1971. Trabalhamos longa e duramente e por um monte de vida e em seguida, por muitas razões, nossos caminhos foram separados. Ricki foi para a Austrália e em seguida para a Índia. Eu voltei para Amerika. Então o livro, em seus primeiros pedaços e fragmentos, tornou-se meu como a responsabilidade para finaliza-lo. Eu agradeço Ricki aqui pelo trabalho que fizemos juntos e o tempo que tivemos juntos e este livro que veio disso.
Andrea Dworkin

*
Existe um sofrimento em um corpo e um sofrimento na mente e se as estrelas, em qualquer momento em que as observamos, derramam néctar em nossas bocas e a grama tornasse pão, nós ainda estaríamos tristes. Nós vivemos em um sistema em que fabrica tristeza; espirrando-as pra fora da fábrica, águas de tristeza, oceanos, tempestades e nós nos afogamos, e nos afogamos, mortos, muito cedo.
… A revolta é o reverso do sistema e a revolução é a virada das marés.
Julian Beck, The Life of the Theatre
A revolução não é um evento que leva dois ou três dias, em que há tiro e enforcamento. É um longo processo no qual novas pessoas são criadas, capazes de renovar a sociedade, de modo que a revolução não substitui uma elite com outra, mas para que a revolução crie uma nova estrutura anti-autoritarista com pessoas antiautoritárias a fim de reorganizar a sociedade para que seja uma sociedade de pessoas não alienadas, livres de guerra, fome e exploração.
Rudi Dutschke 7 de março de 1968
Você não ensina alguém a contar até oito. Você não diz nove e dez e o além disso não existe. Você dá as pessoas tudo ou eles não são capazes de contar nada. Há uma verdadeira revolução ou nada.
Pericles Korovessis, em uma entrevista em Liberation, Junho de 1973

INTRODUÇÃO
Esse livro é uma ação, uma ação política em qual a revolução é o objetivo. Não tem nenhum outro propósito. Não é para celebrar a sabedoria ou a baboseira acadêmica ou ideias cravadas em granito ou destinado a imortalidade. Faz parte do processo e contextualiza mudança. Faz parte do movimento planetários para reestruturar formas de comunidade e de consciência humana para que pessoas tenham o poder de viver suas próprias vidas, participar ativamente da comunidade, viver em dignidade e liberdade.
O compromisso a abolir o domínio masculino como fundamento psicológico, politico e cultural aos terráqueos é um compromisso fundamental e revolucionário. É um compromisso para transformação de si e transformação da realidade social no mesmo patamar. O âmago deste livro é uma análise sobre sexismo (o sistema de dominação masculina), em qual, explica como ele opera sobre nós e em nós. Entretanto, eu quero discutir brevemente dois problemas, tangenciais a análise, mas ainda cruciais ao desenvolvimento de um programa revolucionário e consciente. O primeiro é a natureza do movimento das mulheres e o segundo tem a ver com o trabalho do escritor.
Até a aparição da brilhante antologia Sisterhood is Powerful e o extraordinário livro de Kate Millet, Sexual Politics, as mulheres não haviam pensado em si como pessoas oprimidas. Muitas mulheres, confesso, ainda não pensam assim. Mas o movimento das mulheres como um movimento radical de libertação na Amerika pode ser datado pela aparição destes dois livros. Nós aprendemos quando reclamamos nossa história das mulheres que existia um movimento feminista em que se organizava ao redor da obtenção do direito ao voto. Nós aprendemos que aquelas feministas eram também ardentemente abolicionistas. Mulheres “saíram” como abolicionistas – saíram de seus armários, de suas cozinhas e de seus quartos; foram a reuniões públicas, jornais e às ruas. Duas heroínas ativistas do movimento abolicionista eram mulheres negras, Sojourner Truth e Harriet Tubman, e elas se tornaram o protótipo de modelo revolucionário.
Essas iniciais feministas amerikanas pensavam que o sufrágio era a chave para a participação da democracia amerikana e que livres e emancipadas, as antigas escravas iriam de fato serem livres e emancipadas. Essas mulheres não imaginavam que o voto iria efetivamente negar aos negros o mesmo, através de provas de alfabetização, qualificação de propriedades e ação vigilante policias por brancos racistas. Nem imaginavam que a doutrina do “separados, mas iguais” e os usos a qual seriam colocados.
Feminismo e a batalha para a libertação negra foram partes de um todo convincente. Esse todo foi chamado de, talvez ingenuamente, batalha pelos direitos humanos. O fato é que uma vez experienciado consciência, não há como se negar. Uma vez que mulheres experienciaram por si mesmas o ativismo e começaram a entender a realidade e o significado de opressão, elas começaram a se articular politicamente e conscientemente sobre feminismo. Seu foco, seu objetivo concreto, era obter o sufrágio feminino.
O movimento das mulheres foi formalizado em 1848 em Seneca Fall, onde Elizabeth Stanton e Lucretia Mott, ambas ativistas abolicionistas, chamaram a convenção. Essa convenção elaborou A declaração de direitos e sentimentos de Seneca Falls, que até atualmente é uma excelente declaração feminista.
Na batalha para votar, mulheres desenvolveram muitas táticas que foram usadas quase um século depois no Movimento dos Direitos Civis. Na ordem de mudar as leis, mulheres tinham que viola-las. Na ordem para mudar a convenção, mulheres tiveram que viola-la. As feministas (sufragistas) eram ativistas militantes políticas que usaram táticas de desobediência civil para atingir seus objetivos.
A batalha para o voto começou oficialmente com a Convenção de Seneca Falls em 1848. Não foi até 26 de agosto de 1920 que mulheres receberam o direito ao voto por tão adorável eleitorado masculino. Mulheres não imaginavam que o voto iria praticamente vingar, quem diria transformar suas próprias situações como oprimidas. Nem imaginavam que a doutrina “separados, mas iguais” iria se desenvolver como arma do domínio masculino. Nem imaginavam os usos para que seriam utilizados.
Sempre houve feministas individuais – mulheres que violaram a estrutura de papéis femininos, que desafiaram a supremacia masculina, que lutaram pelo seu direito de trabalhar ou pela liberdade sexual ou serem libertas das amarras do contrato marital. Esses indivíduos eram comumentemente eloquentes quando falavam sobre a opressão que sofriam como mulheres em suas vidas, mas outras mulheres, treinadas propriamente para os papéis femininos, não escutaram. Feministas, constantemente como indivíduos, mas as vezes em grupos militantes, lutaram o sistema que as oprimia, analisaram-a, foram presas, foram ostracizadas, mas não havia nenhum reconhecimento genérico entre as mulheres que eram oprimidas.
Nos últimos 5 ou 6 anos, esse reconhecimento se tornou mais difundido entre as mulheres. Nós começamos a entender a extraordinária violência que nos foi feita, que esta sendo nos feita: como nossas mentes abortaram devido ao desenvolvimento de uma educação sexista; como nossos corpos foram violados por imperativos de preparação opressivos; como a policia funciona contra nós em casos de estupro e abuso; como a mídia, escola e igrejas conspiram para nos negar dignidade e liberdade; como o núcleo familiar e o ritual de comportamento sexual nos aprisiona em papéis e formas que nos são degradantes. Nós desenvolvemos sessões de conscientização para tentar medir a extensão extrema de nosso desespero; para tentar encontrar a profundidade e os limites de nossa raiva internalizada, tentar encontrar estratégias para nos libertar de relacionamentos opressivos, de masoquismo e passividade, de nossa falta de respeito próprio. Tinha tanto dor como ecstasy nesse processo. Mulheres descobriram uma a outra, pois real nenhum outro grupo oprimido não havia sido tão dividido e conquistado. Mulheres começaram a lidar com a opressão concreta: se tornar parte do processo econômico, a apagar leis discriminatórias, a ganhar controle sobre nossas próprias vidas e sobre nossos próprios corpos, a desenvolver habilidades concretas para sobreviver em nossos próprios termos. Mulheres começaram a articular uma análise estrutural sobre a sociedade sexista – Milett o fez com Sexual Politics; em Vaginal Politics, Eljen Frankfort demonstrou o complexo e mortal preconceito anti-mulher do estabelecimento médico; em Women and Madness, Dr. Phyllis Chesler mostrou que instituições mentais são prisões para mulheres que se rebelaram contra os papéis tão bem estabelecidos femininos pela sociedade.
Nós começamos a nos ver claramente e o que nós vimos foi terrível. Nós vimos que nós éramos, como Yoko Ono escreveu, os niggers do mundo, escravos dos escravos. Nós vimos que nós éramos os niggers definitivos, lambendo, curvando, em situação crítica, tolos confusos. Nós reconhecemos todos os comportamentos sociais como comportamentos aprendido que funcionam como meio de sobreviver em um mundo sexista: nós pintamos a nós mesmas, sorrimos, pernas e bunda expostas, ter filhos, cuidar da casa como nossas acomodações para a realidade do poder político.
A maioria das mulheres envolvidas em se articular quanto a opressão de mulheres eram brancas e de classe média. Nós gastávamos, mesmo se nós não controlávamos ou ganhássemos o nosso próprio dinheiro, uma enorme quantidade de dinheiro. Devido a nossa participação no estilo de vida de classe média, nós éramos as opressoras de outras pessoas, nossas irmãs brancas e pobres, nossas irmãs negras, nossas irmãs mexicanas – e os homens que por sua vez os oprimia. Esse tecido intimamente e entrelaçado da opressão, que é a estrutura de classes e racista que é a Amerika hoje, segura de que onde quer que esteja, era com, pelo menos, um pé pesadamente na barriga de outro ser humano.
Como uma mulher branca e de classe média, nós vivemos em uma casa com o opressor de todos nós, que nos sustenta e nos abusa, nos veste e nos explora, que nos “estima” pelas várias funções que realizamos. Nós somos as mais alimentadas, mais bem vestidas, mais bem mantidas, mais dispostas concubinas que o mundo já conheceu. Nós termos nenhuma dignidade e nenhuma real liberdade, mas nós temos boa saúde e vidas longas.
O movimento das mulheres não lidou com essa questão pão-com-manteiga e isso é um grande fracasso. Houve pouco reconhecimento que a destruição do estilo de vida de classe média é crucial para o desenvolvimento de forma decente da comunidade, em qual todas as pessoas podem ser livres e terem dignidade. Certamente não há program que lide com a realidade do sistema de classe na Amerika. Ao contrário, muito do movimento das mulheres tem, com uma terrível cegueira, se recusado a tomar qualquer tipo de responsabilidade. Somente o movimento de creches tem de alguma forma refletido, ou agido programaticamente, as necessidades concretas de todas as classes de mulheres. A raiva a administração de Nixon por blindar os fundos de creches é ingênua, no mínimo. Lembrando da estrutura de poder políticos e capital na Amerika, é ridículo esperar que o governo federal atue no interesse das pessoas. O dinheiro disponível para mulheres de classe média que se intitulam como feministas precisa ser canalizado em programas que nós queremos desenvolver e nós precisamos desenvolver. Em geral, mulheres de classe média tem se recusado completamente a tomar qualquer ação, fazer qualquer comprometimento em qual poderia interferia com, ameaçar ou alterar significantemente seu estilo de vida, um padrão de vida em qual é endinheirado e privilegiado.
A análise do sexismo nesse livro explana claramente o que a opressão de mulheres é, como funciona, como ela se esta enraizada em nossa psique e em nossa cultura. Mas a análise é inútil, a menos que seja ligada a consciência política e comprometimento que completamente redefinirá a comunidade. Não se pode ser livre, nunca, nunquinha, em um mundo que não seja livre, e no curso de redefinir família, igreja, relações de poder, todas as instituições em qual habitam e governam nossas vidas, não há meio para se segurar em privilégios e conforto. Para tentar fazer isso é destrutivo, criminal e intolerável.
A natureza da opressão das mulheres é única: mulheres são oprimidas como mulheres, independentemente de classe ou raça; algumas mulheres têm acesso significante a riqueza, mas riqueza não significa poder; mulheres podem ser encontradas em todos os lugares, mas possuir ou controlar por si mesmas nenhum território apreciável; mulheres vivem com aqueles que as oprimem, dormem com eles, tem os filhos deles – nós somos entrelaçados, desesperadamente, ao que parece, no âmago da fábrica e no modo de vida que nos arruína. Talvez, o mais importante seja que a maioria das mulheres tem pouca noção de dignidade ou respeito próprio ou força, uma vez que essas qualidades são diretamente ligadas ao sendo de masculinidade. In Revolutionary Suicide, Huey P. Newton nos fala que os Black Panthers não usaram armas, porque esses eram símbolos de masculinidade, mas encontraram a coragem de agir como agiram, porque eles eram homens, Quando nós mulheres encontrarmos a coragem de nos defendermos, de tomar um partido contra brutalidade e abuso, nós estamos violando todas as noções de mulheridade que já nos ensinaram. O caminho para a liberdade para as mulheres está fadada a ser tortuosa apenas por esse motivo.
A análise nesse livro se aplica as situações de vida de todas as mulheres, mas todas as mulheres não estão necessariamente em estado de emergência primária como mulheres. O que eu quero dizer com isso é bem simples. Como uma judia na Alemanha nazista, eu seria oprimida como mulher, mas caçada e abatida como uma judia. Como uma indígena americana, eu seria oprimida como uma mulher, mas caçada, abatida como uma indígena americana. Essa primeira identidade, aquela que traz consigo como parte de sua definição morte, é a identidade de emergência primária. Isso é um reconhecimento importante, porque libera de uma confusão séria. O fato é, por exemplo, que muitas mulheres negras (mas não todas) experienciam emergência primária como negras, isso não diminui a responsabilidade da comunidade negra de assimilar isso em outra análise de seximo e aplica-la em seu próprio trabalho revolucionário.
Como uma escritora com um compromisso revolucionário, eu estou particularmente triste com os tipos de livros que escritores escrevem, e as razões porquê. Eu quero escritores escrevam livros porque eles estão comprometidos com o conteúdo desses livros. Eu quero escritores escrevam livros como ações. Eu quero escritores que escrevam livros que podem fazer a diferença em como e até porque as pessoas vivem. Eu quero escritores escrevam livros que valem a pena serem presos por, valem a pena lutarem por e deveriam ir a isso nesse país, valem a pena morrer por.
Livros são, pela maior parte da Amerika, empreendimentos comerciais. Pessoas os escrevem para ganhar dinheiro, para ficar famoso, para construir ou aumentar outras carreiras. A maioria dos amerikanos não leem livros – eles preferem assistir televisão. Acadêmicos bloqueiam livros em um emanharado web de baboseira e abstração. A noção é que há ideias, depois arte, depois de alguma forma não relacionada, vida. A noção é que para ter uma ideia decente ou morar é ser uma pessoa decente ou moral. Devido a essa estranha esquizofrenia, livros e a escrita deles se tornaram um bordado de como morrer. Porque há o desprezo pelo processo de escrever, escrever como um meio de descobrir significado e a verdade, e lendo como um pedaço desse mesmo processo, nós destruímos regularmente os poucos escritores sérios que nós temos. Nós nos tornamos em personagens de histórias em quadrinhos, sangramos eles com toda nossa privacidade e coragem e bom senso, exorcizamos a visão deles como um esporte, demandamos que eles nos entretenham ou que sejam ignorados no esquecimento. E é uma grande tragédia, pelo trabalho e pelo escritor que nunca foi tão importante quanto agora na Amerika.
Muitos observam que é uma terra de pesadelos, linguagem tendo nenhum significado e o trabalho do escritor é arruinado. Muitos observam que o triunfo da consciência autoritarista é a habilidade de tornar a palavra falada e a palavra escrita em nada – para que nós não pudéssemos falar ou ouvir outros pensarem. É o trabalho do escritor reclamar a linguagem daqueles que a usam para justificar assassinato, saques, violação. O escritor pode e deve fazer trabalho revolucionário, usando palavras para se comunicar, como uma comunidade.
Aqueles de nós que amamos ler e escrever acreditamos que ser um escritor é um dever sagrado. Significa dizer a verdade. Significa não ser corrupto. Significa não ter medo e nunca mentir. Aqueles de nós que que amamos ler e escrever sentimos grande dor, porque tantas pessoas que escrevem livros se tornaram covardes, palhaços e mentirosos. Aqueles de nós que amamos ler e escrever começamos a sentir desprezo mortal por livros, porque nós vemos escritores sendo comprados e vendidos no mercado – nós vemos eles vendendo no automático suas mercadorias manchadas em cada esquina. Escritores demais, a fim de manter o estilo de vida da Amerika, venderiam suas mães por um centavo.
Para manter a confiança sagrada do escritor é simplesmente respeitar as pessoas e amar a comunidade. Violar essa confiança é abusar-se e causar danos a outros. Eu acredito que o escritor tem uma função vital na comunidade e uma absoluta responsabilidade para com as pessoas. Peço que este livro seja julgado nesse contexto.
Especificamente Woman Hating é sobre mulheres e homens, os papéis que eles fazem, a violência entre eles. Nós iniciamos com o conto de fadas, os primeiros cenários de mulheres e homens em que moldam nossa psique, que nos ensinaram antes de nós podermos nos diferenciar. Em seguida, vamos para pornografia, onde encontramos os mesmos cenários, explicitamente sexuais e agora mais reconhecíveis, nós mesmos, mulheres carnais e homens heroicos. Nós vamos para a história das mulheres – a ligação dos pés na China, a queima de bruxas na Europa e na Amerika. Nisso, nós vemos as definições de conto de fadas e da pornografia das mulheres funcionando na realidade, a real aniquilação de mulheres – o esmagamento de sua liberdade até virar nada, assim como suas vontades e suas vidas – como elas eram forcadas a viver e como elas foram forçadas a morrer. Vemos as dimensões do crime, as dimensões da opressão, a angústia e a miséria que são consequências diretas da definição de papeis polares, da definição da mulher como carnal, cruel e o Outro. Nós reconhecemos que é a estrutura da cultura que edifica mortes, violações, violência e nós buscamos por alternativas, modos de destruir a cultura como a conhecemos, reconstruí-la como conseguimos imagina-la.
Eu escrevo, no entanto, com uma ferramenta quebrada, a linguagem que é sexista e discriminatória em sua essência. Eu tento fazer distinções, não história dos homens como a história de toda a humanidade, não “homem” como o genérico de espécie, não “masculinidade” como sinônimo de coragem, dignidade e força. Mas eu não tenho sido bem sucedida em reinventar a linguagem.
Esse trabalho não foi feito isoladamente. Deve muito a outras. Eu agradeço minhas irmãs que em qualquer lugar estão se levantando, para si mesmas, conta a opressão; Eu agradeço minhas irmãs, as mulheres que estavam procurando em nosso passado comum, escrevendo para que nós pudéssemos conhecer e nos orgulhar. Eu agradeço a minhas irmãs, essas mulheres em particular em qual o trabalho tem contribuído tanto para minha conscientização e resolução – Kate Millett, Robin Morgan, Shulamith Firestone, Judith Malina e Jill Johnston.
Eu agradeço àqueles que tem, por meio de seus livros e vidas, me ensinado tanto – em particular, Allen Ginsberg, James Baldwin, Daniel Berrigan, Jean Genet, Huey P. Newton, Julian Beck e Timothy Leary.
Eu agradeço a meus amigos em Amsterdam que foram minha família enquanto eu escrevia este livro e que me ajudaram em momentos muito difíceis. Eu agradeço a Mel Clay que acreditou neste livro desde o mais obscuro início; os editores de Suck e, em particular, Susan Janssen, Debora Rogers, Martin Duberman e Elaine Markson que foi simplesmente maravilhosa para mim. Eu agradeço a Marian Skedgell por seu auxilio e sua bondade. Eu agradeço a Brian Murphy que tentou me dizer a muito tempo que O era uma pessoa oprimida. Capítulo 3 é dedicado a Brian.
Eu agradeço a Karen Malpede e Garland Harris por seu apoio e auxilio. Eu agradeço a Joan Schenkar por me empurrar um pouco além do que eu estava disposta, ou capaz, a fazer.
Eu agradeço a Grace Paley, Karl Bissinger, Kathleen Norris, e Muriel Rukeyser. Sem seu amor e amizade, esse trabalho nunca teria sido concluído. Sem seus exemplos de forças e comprometimento, eu não saberia que eu seria ou como eu seria.
Eu agradeço a meu irmão Mark e minha cunhada Carol por sua amizade, cordialidade e confiança. E eu agradeço a meus pais, Sylvia e Harry Dworkin, por sua devoção e apoio por todos esses anos, em qual para eles devem ter aparentar serem intermináveis, onde sua filha estava aprendendo seu ofício. Eu agradeço a eles por terem me criado com real carinho e ternura, por acreditarem em mim a fim de que eu apendesse a acreditar em mim mesma.
Andrea Dworkin
New York City, Julho de 1973

Parte um
OS CONTOS DE FADAS
Você não pode ser livre se você esta contaminado pela ficção.
Julian Beck, The Life of the Theatre

Era uma vez, havia uma bruxa má e seu nome era
Lilith
Eve
Hagar
Jezebel
Delilah
Pandora
Jahi
Tamar
E havia a bruxa má e ela era chamada de deusa e seu nome era
Kali
Fatima
Artemis
Hera
Isis
Mary
Ishtar
E havia uma bruxa má e ela era chamada de rainha e seu nome era
Bathsheba
Vashti
Cleopatra
Helen
Salome
Elizabeth
Clytemnestra
Medea
E havia uma bruxa má e ela era também chamada de bruxa e seu nome era
Joan
Circe
Morgan le Fay
Tiamat
Maria Leonza
Medusa
E elas tinham isso em comum: elas eram temidas, odiadas, desejadas e endeusadas.
Quando alguém entrava no mundo de contos de fadas, procurava com dificuldade onde o lugar atual em que a legenda e a história se distanciam. Querem localizar o momento preciso da ficção que penetrou em nossa psique como realidade e a história começa a espelha-la. Ou vice-versa. Mulheres vivem em contos de fadas como figuras mágicas, como belas, perigosas, inocentes, maliciosas e gananciosas. No persona do contos de fada – a bruxa má, a bela princesa, o príncipe heroico – nós observamos que a cultura nos faz informa sobre quem nós somos.
O ponto é que nós não formamos o mundo antigo – ele nos formou. Nós ingerimos durante toda a nossa infância, tivemos seus valores e consciência impressos em nossas mentes como absoluto culturais bem antes de nós sermos, em fato, homens e mulheres. Nós tomamos o conto de fadas de nossa infância conosco até nosso amadurecimento, mastigado, mas ainda dentro de nossos estômagos, como uma identidade real. Entre Branca de neve e seu príncipe heroico, nossas duas grandes ficções, nós nunca tivemos muitas chances. Em algum ponto, o Grande Divisor tomou lugar: eles (os meninos) sonhavam em montar o Grande Corcel e comprar a Branca de neve dos anões; nós (as meninas) aspirávamos a nos tornar esse objeto de todo desejo necrófilo – a inocente, vitimizada, Bela Adormecida, lindo pedaço da derradeira e adormecida bondade. Apesar de nós mesmas, as vezes sem saber, por vezes sabendo, sem querer, incapaz de qualquer outra coisa, nós agimos conforme os papéis que nos foram ensinados.
Esse é o começo, onde nós aprendemos quem nós devemos ser, assim como a moral da história.

CAPÍTULO 1
Era uma vez: Os papéis
Morte é o remédio que todos os cantores sonham com
Allen Ginsberg
A cultura predetermina quem nós somos, como nós nos comportamos, o que nós estamos dispostas a conhecer, o que nós somos capazes de sentir.
Nós nascemos em um papel sexual, em qual é determinado pelo sexo visível ou gênero.
Nós seguimos cenários explícitos de passagem do parto a juventude a maturidade a idade avançada e, em seguida, nós morremos.
No processo de aderir-se aos papeis sexuais, como uma consequência direta dos imperativos desses papeis, nós cometemos homicídio, suicídio e genocídio.
Morte é nosso único remédio. Nós imaginamos o paraíso. Não há nenhum sofrimento lá, nós dizemos. Não há nenhum sexo lá, nós dizemos. Queremos dizer, não há nenhuma cultura lá. Queremos dizer, não há nenhum gênero lá. Nós sonhamos que a morte irá nos libertar de nosso sofrimento – da culpa, do sexo, do corpo. Nós reconhecemos que o corpo é a fonte de nosso sofrimento, Nós sonhamos com a morte, em qual significará liberdade disto, porque aqui na terra, em nossos corpos, nós somos fragmentadas, angustiadas – seja homem ou mulher, ligados pelo fato de que o corpo é particularizado a um papel, em qual este o é aniquilante, totalitário, que nos proíbe de qualquer real de transformação e de realização.
Contos de fadas são informações primárias da cultura. Eles delineiam os papeis, as interações e os valores, em qual são disponíveis a nós. Eles são nossos modelos infantis e seu medo, o terrível conteúdo nos aterroriza a submissão – se nós não tornarmos boas, então o mal irá nos destruir; se nós não atingirmos o final feliz, então nós iremos nos afogar em caos. À medida em que crescemos, nós esquecemos do terror – as bruxas más e suas malícias. Nós lembramos do paradigma romântico: o príncipe heroico beija Bela Adormecida; o príncipe heroico busca em seu reino Cinderela; o príncipe heroico casa com Branca de neve. Mas o terror permanece como o substrato da relação homem-mulher – o terror permanece e nós não nunca nos recuperaríamos disso ou deixamos de nos motivar por isso. Homens crescidos estão aterrorizados da bruxa má, internalizado em as partes mais profundas de sua memória. Mulheres não estão menos aterrorizadas, porque nós sabemos que não ser passiva, inocente e indefesa é ser ativamente mal.
O terror, então, é nosso real tema.

A Mãe como uma figura de Terror
Seja de forma “instintiva” ou não, o papel maternal na constituição sexual se origina no fato que somente mulheres estão necessariamente presente no parto. Apenas mulheres tem uma conexão confiável e facilmente identificável a uma criança – uma ligação em qual a sociedade pode depender. Esse sentimento maternal é a raiz da comunidade humana.
George Gilder, Sexual Suicide
A mãe biológica da Branca de neve foi passiva, uma boa rainha que sentou em sua janela e bordava. Ela espetou seu dedo um dia – sem dúvida um evento em sua vida – e 3 gotas de sangue caíram na neve. De alguma forma isso a fez a desejar uma criança “tão branca como a neve, tão vermelha como o sangue e tão negra como a madeira do bastidor.” Logo depois, ela teve uma filha com “pele tão branca como neve, lábios tão vermelhos como sangue e cabelo tão negro como ébano”. Então, ela morreu.
Um ano depois, o rei casou novamente. A nova esposa era linda, gananciosa e orgulhosa. Ela era, em fato, ambiciosa e reconhecia que beleza era a moeda em um reinado masculino, que beleza traduzia diretamente em poder, porque significava que receberia admiração de homens, alianças com homens, devoção de homens.
A nova rainha tinha um espelho mágico e ela o perguntava: “Espelho em minha parede, que é a mais bela de todas nós?” E, inevitavelmente, a rainha era a mais bela (tivesse existido uma mais bela, nós podemos presumir que o rei teria casado com ela).
Um dia, a rainha perguntou ao espelho quem era a mais bela e o espelho respondeu: “Rainha, você é muito bela, isso é verdade, mas Branca de neve é mais bela que você”. Branca de neve tinha 7 anos.
A rainha ficou “amarelo e verde de inveja e a partir daquela hora, seu coração voltou-se contra a Branca de neve, e ela a odiava. E inveja e orgulho como ervas daninhas cresceram em seu coração mais e mais a cada dia, até que ela não teve nenhuma paz…”
Agora, nós todas sabemos que as nações vão fazer para atingir a paz e a rainha menos inventiva (ela seria uma excelente chefe de Estado). Ela ordenou a um caçador a levar Branca de neve a floresta, matá-la e a trazer de volta seu coração. O caçador, um rapaz bom e sem inspiração, não conseguiu matar a jovem tão doce, então ele soltou-a na floresta, matou um javali e tomou o seu coração e o levou de volta a rainha. O coração foi “salgado e cozido e a bruxa má o comeu, pensando que esse era o fim da Branca de neve”.
Branca de neve encontrou seu caminho para a casa dos 7 anões, que a disseram que ela poderia ficar com eles “se você manter a casa pra nós, e limpar e lavar e fazer as camas e costurar e manter tudo arrumado e limpo”. Eles simplesmente a adoravam.
A rainha, que pode ser chamada agora de rainha má, descobriu através de seu espelho que Branca de neve ainda estava viva e mais linda que ela. Ela tentou várias vezes matar Branca de neve, que caiu em vários sonos profundos, mas não realmente morreu. Finalmente a rainha má envenenou uma maçã e a vigilante Branca de neve a dar uma mordida nela. Banca de neve realmente morreu ou se tornou mais morta que o usual, porque o espelho da rainha má não conseguiu verificar que ela era a mais bela de todas.
Os anões, que amavam Branca de neve, não conseguiram enterra-la a baixo da terra, então eles apenas a enclausuraram em um caixão de vidro no topo da montanha. O príncipe heroico estava apenas passando por ali, quando imediatamente se apaixonou pela Branca de neve por trás do vidro e a comprou (como um objeto?) dos anões que a amavam (como se ela fosse a posse deles?). Os anões, como servos, carregaram o caixão ao lado do cavalo do príncipe, então o pedaço da maça envenenada que Branca de neve havia engolido “saiu por sua garganta”. Logo, ela reviveu completamente, ou para ser mais correta, nem tanto. O príncipe diretamente a colocou na categoria de “coisa” e se casou com ela como era a perspectiva adequada, quando ele a propôs em casamento feliz – “Eu preferiria ter você do que qualquer coisa no mundo”. A rainha má foi convidada para o casamento, que ela atendeu porque o espelho a notificou que a noiva era mais bela que ela. No casamento. “Eles já tinham pronto sapatos de ferro, em qual ela tinha que dançar até ela cair no chão morta”.
A situação da mãe de Cinderela era a mesma. Sua mãe biológica era boa, piedosa, passiva e rapidamente morta. Sua madrasta era gananciosa, ambiciosa e implacável. Sua ambição ditava que suas próprias filhas tinham que se casar bem. Entretanto, Cinderela foi forçada a fazer o trabalho doméstico pesado da casa e quando seu trabalho era concluído, sua madrasta jogava lentilhas nas cinzas do fogão e fazia Cinderela separar as lentilhas das cinzas. A malícia da madrasta para com Cinderela não era irracional. Ao contrário, sua própria validação social se baseava nos casamentos que arranjaria para suas próprias filhas. Cinderela era uma ameaça real para ela. Como a madrasta de Branca de neve, para quem beleza era poder e ser a mais bela era ser a mais poderosa, a madrasta de Cinderela sabia como a estrutura social operava e ela estava determinada a ter sucesso nesses termos.
A madrasta de Cinderela, presumidamente, estava motivada por amor maternal por suas próprias filhas biológicas. Amor maternal é conhecido como transcendental, sagrado, nobre e altruísta. Coincidentemente, é também um fundamento da civilização da humanidade (dominado por homens) e é a real base da sexualidade da humanidade (dominado por homens):
Quando o príncipe começou a procurar pela mulher, em qual seu pé encaixaria no sapatinho de ouro as duas irmãs ficaram muito alegres, pois elas tinham pés bonitos. A mais velha foi a seu quarto para tentar calçar o sapato e sua mãe foi junto com ela. Mas ela não conseguia colocar o dedão dentro do sapato, porque o sapato era muito pequeno; então, sua mãe a deu uma faca e disse
“Corte o dedão fora, porque enquanto rainha você nunca terá que ir a pé”. Então, a garota cortou seu dedão fora e enfiou seu pé dentro do sapato; suportando a dor, ela foi até o príncipe. Então, ele a levou em seu cavalo como sua noiva…
Então o príncipe olhou para o sapato dela e viu que dele escorria sangue. E ele retornou em seu cavalo e levou a noiva falsa para a casa novamente, dizendo que ela não era a certa e que a outra irmã deveria tentar o sapatinho. Então, ela foi ao seu quarto para fazer isso e colocou seus dedos confortavelmente neles, mas seu calcanhar era muito alto. Então sua mãe a deu uma faca e disse “corte um pedaço do seu calcanhar, pois quando for rainha você nunca precisará andar a pé”.
Então a garota contou parte de seu calcanhar e colocou seu pé no sapato; escondendo a dor, ela foi até o príncipe que a levou para o castelo como sua noiva…
Então o príncipe olhou seu pé e viu como estava sangrento…
A madrasta de Cinderela entendeu corretamente que seu único trabalho na vida era casa suas filhas. Seu objetivo era ascender socialmente e sua crueldade era condizente com os valores no mercado . Ela amava suas filhas da mesma forma que Nixon amava a liberdade da Indonésia e com o mesmo resultado. Amore em um mundo dominado por homens certamente é uma coisa esplendorosa.
A mãe de Rapunzel não foi exatamente uma vencedora também. Ela tinha instinto maternal – ela havia “há muito tempo desejado uma criança, mas em vão”. As vezes durante seu desejo, ela desenvolveu um desejo por rampion, um vegetal que cresceu no jardim dos vizinhos, da bruxa. Ela persuadiu seu marido a roubar o rampion do jardim da bruxa e todo dia ela desejava por mais. Quando a bruxa descobriu o roubo, ela fez esta oferta
…você pode ter quanto rampion você quiser, sob uma condição – a criança que virá aso mundo deverá ser dada a mim. Tudo estará bem com a criança e eu vou cuida-la como se eu fosse a mãe.
Mamãe não pensou duas vezes – ela trocou Rapunzel por vegetais. A mãe de aluguel de Rapunzel, a bruxa, não fez muito por ela:
Quando ela tinha 12 anos, a bruxa a trancou em uma torre no meio de um bosque e não havia nem degraus, nem porta, tão somente uma janela pequena. Quando a bruxa desejava a ver, ela gritaria de baixo
“Rapunzel, Rapunzel! Solte seu cabelo!”.
O príncipe heroico, tendo terminado com Branca de neve e Cinderela, agora tinha acontecido com Rapunzel. Quando a bruxa descobriu a ligação entre eles, ela bateu em Rapunzel, cortou seu cabelo e a enclausurou “em um lugar deserto, onde ela viveria em grande aflição e miséria”. Logo após, a bruxa confrontou o príncipe, que caiu da torre e se cegou nos espinhos. (Ele recuperou a visão quando encontrou Rapunzel e eles viverão felizes para sempre).
Hansel e Gretel tinham uma mãe também. Ela simplesmente os abandonou:
Eu vou ter dizer, marido… Nós levaremos as crianças cedo da manhã para a floresta, onde é mais denso; nós faremos uma fogueira para eles e nós vamos dar a cada um um pedaço de pão, então nós vamos para nosso trabalho e os deixamos em paz; eles nunca encontrarão o caminho de casa novamente, e nós não seremos mais responsabilizados por eles.
Famintos, perdidos, assustados, as crianças encontraram a casa de doces, que pertencia a uma velha senhora que é gentil com eles, os alimenta, os abriga. Ela os cumprimenta como seus filhos e prova seu comprometimento maternal através de os preparar para os canibalizar.
As mães dos contos de fadas são figuras femininas mitológicas. Elas definem para nós o personagem feminino e delineia as possibilidades existenciais. Quando ela é boa, ela é logo morta. De fato, quando ela é boa, ela é tão passiva na visa que sua morte deve ser tão mais do mesmo. Aqui nós descobrimos o princípio cardinal da ontologia sexual – a única mulher boa é a mulher morta. Quando ela é má, ela vive ou quando ela vive, ela é má. Ela tem uma real função, maternidade. Nessa função, porque é ativa, ela é caracterizada por extrema malícia, destruidora ganância, incontável avareza. Ela é cruel, brutal, ambiciosa, um perigo para crianças e demais seres vivos. Seja denominada mãe, rainha, madrasta ou bruxa má, ela é uma bruxa má, o teor do pesadelo, a fonte do terror.

O lindo pedaço derradeiro
O que pode fazer? Ele cresce,
Ele sangra. Ele dorme.
Ele anda. Ele fala,
Cantando, “o amor me pegou, me pegou”.
Kathleen Norris
Para uma mulher ser boa, ela deve estar morta ou o mais próximo disso. Catatonia é a qualidade mais apreciada em uma mulher boa.
Bela adormecida dormiu por 100 anos, após espetar um dedo em um fuso. O beijo do príncipe heroico a acordou. Ele se apaixonou por ela enquanto ela dormia, ou foi porque ela dormia?
Branca de neve já estava morta quando o príncipe heroico se apaixonou por ela. “Rogo-vos”, ele proclamou com os 7 anões, “para dar-lhe a mim, porque eu não posso viver sem olhar de cima para Branca de neve”. O despertar não era facilmente distinguível de adormecer.
Cinderela, Bela adormecida, Branca de neve, Rapunzel – todas elas são caracterizadas por sua passividade, beleza, inocência e vitimização. Elas são o arquetípico da boa mulher – vítimas por definição. Elas nunca pensam, agem, iniciam, confrontam, resistem, desafiam, sentem, se importa ou questionam. As vezes elas são forçadas a fazer o trabalho de casa.
Elas têm um cenário de passagem. Elas são movidas, como inerte, da casa da mãe a casa do príncipe. Primeiro elas são objetos de malícia, depois elas são objetos de adoração romântica. Elas não fazem nada para garantir qualquer um desses.
Uma outra figura de mulher boa, a fada madrinha, aparece de vez em quando, dispensando roupas ou virtude. Seu poder não pode se comparar com, apenas ocasionalmente moderar, o poder da bruxa má. Ela faz uma atividade física em que ela é extraordinária – ela balança sua varinha. Ela é bela, boa e sobrenatural. Maioria das vezes, ela desaparece.
Essas figuras femininas boas são os modelos heroicos disponíveis para as mulheres. No fim da história, o objetivo da vida de qualquer mulher. Para dormir, talvez sonhar?

O príncipe, o Irmão Real
O homem de carne e osso; o homem que é bom, sofre e morre – acima de tudo, que morre; o homem que come e bebe e brinca e dorme e pensa e quer; o homem que é visto e escutado; o irmão, o irmão real.
Miguel de Unamuno, Tragic Sense of Life
Ele é bonito e heroico. Ele é o príncipe, ou seja, ele é poderoso, nobre e bom. Ele cavalga. Ele viaja muito longe. Ele tem uma missão, um propósito. Inevitavelmente, ele a atinge. Ele é uma pessoa de valor. Ele é forte e verdadeiro.
Claro, ele não é real e o homem sofrem tentando se transformarem nele. Eles sofrem e matam e estupram e cometem pilhagem. Eles usam aviões agora.
O que importa é que ele poderoso e bom, que seu poder é por essência bondade. O que importa é que ele importa, age, recebe sucesso.
Pode-se destacar que na verdade ele não é muito inteligente. Por exemplo, ele não consegue distinguir Cinderela de suas duas irmãs, embora tenha dançado com ela e presumidamente conversado com ela. Seu recorrente amor de cadáveres não indica uma inteligência dinâmica também. Sua queda da torre aos espinhos nem sugere que ele seja fisicamente coordenado, embora, ao contrário de seus compatriotas modernos, ele nunca caiu de seu cavalo ou aniquilou a aldeia errada.
A verdade é que ele é poderoso e bom quando em contraste com ela. Quão pior ela é, melhor ele fica. Quão morta ela é, melhor ele fica. Essa é uma moral da história, a razão da dualidade de papeis e a realidade gasta do homem como herói.

O Marido, o Pai Real
O desejo de homens de reivindicar seus filhos pode ser o impulso crucial da vida civilizada.
George Gilder, Sexual Suicide
Primeiramente eles são reis ou nobre e ricos. Eles são, por essência, poderosos e bons. Eles nunca são responsáveis ou responsabilizados pelo mal feito pelas esposas más. A maioria do tempo, eles nem as notam.
Há, é claro, nenhuma razão lógica para considera-lo poderosos ou bons. Por enquanto eles estão governando, ou reinando, ou qual seja lá o que eles fazem, suas esposas são abatedoras e abusadoras de seus amados filhos. Mas então, em algumas culturas não ligadas ao conto de fadas simplesmente tem suas filhas mortas ao nascer.
O pai de Cinderela a viu todo dia. Ele a viu separar as lentilhas das cinzas, vestida em trapos, degradada, insultada. Ele era um homem bom.
O pai de Hansel e Gretel também tinha um bom coração. Quando sua esposa o propôs abandonar seus filhos na floresta para passar fome ele imediatamente protestou – “mas eu realmente tenho pena dessas pobres crianças”. Quando Hansel e Gretel finalmente escaparam da bruxa e encontraram seu caminho para casa “eles correram pela porta e se lançaram no abraço de seu pai. O homem não tinha parado quieto desde que ele deixou as crianças na floresta Hansel era, afina, um menino; mas sua esposa estava morta”. Não me entendam mal – eles não o perdoaram, pois não havia nada a se perdoar. Toda a malícia é originada com a mulher. Ele era um bom homem.
No conto de fadas, o pai casa com a mulher má no primeiro lugar, tem nenhum tipo de conexão com seus filhos, não interage de qualquer modo significativo com ela, a abandona e pior não nota quando ela esta morta, ele é uma figura de bondade masculina. E é o patriarca e como tal ele esta além das leis morais da decência humana.
Os papeis disponíveis para mulheres e homens estão claramente articulados nos contos de fadas. Os personagens de cada são vividamente articulados nos contos de fadas. Os personagens de cada um são vividamente descritos, assim como os modelos de relacionamento possíveis entre eles. Nós vemos que mulheres poderosas são más e que mulheres boas são inertes. Nós vemos que homens são sempre bons, não importa o que façam ou que não faça.
Nós temos uma prestação explicita da família nuclear. Nessa família, o amor de mãe é destrutivo, fatal. Nessa família, filhas são objetos, dispensáveis. O núcleo familiar, como delineamos nos contos de fadas, é um paradigma de homens que estão no mundo, crueldade feminina e vitimização feminina. É cultura sexista cristalizada – a estrutura nuclear dessa cultura.

CAPÍTULO 2
Era uma vez: a moral da história
Foda-se a morte, os mortos são sagrados,
Honre as irmãs de seus amigos.
Pedaços de lixo, pedaços de ações.
Pedaços.
O mais solitário das manhãs
Algo se move sobre o espelho.
Um truque de escravos, sobrevivente.
Eu me lembro pensar, na última vez:
Se você me matar, eu iria morrer.
Kathleen Norris

Eu não posso viver sem a minha vida
Emily Bronte.
As lições são simples e nós as aprendemos bem.
Homens e mulheres são diferentes, completos opostos.
O príncipe heroico jamais seria confundido com Cinderela ou Branca de neve ou Bela adormecida. Ela jamais poderia fazer o que ele faz, quanto mais fazer melhor.
Homens e mulheres são diferentes, completos opostos.
O pai bom jamais seria confundido com a mãe ruim. Suas qualidades são diferentes, polares.
Onde ele é ereto, ela é supina. Onde ele esta acordado, ela esta adormecida. Onde ele é ativo, ela é passiva. Onde ela é ereta ou acordada ou ativa, ela é cruel e precisa ser destruída.
É, pelo menos estruturalmente, muito simples.
Ela é desejável por sua beleza, passividade e vitimização. Ela é desejável porque ela é bela, passiva e vitimizada.
Sua outra faze, a mãe ruim, é repulsiva em sua crueldade. Ela é repulsiva e precisa ser destruída. Ela é a protagonista feminina, a fonte de poder não-masculina que precisa ser derrotada, obliterada, antes do poder masculino possa realmente florescer. Ela é repulsiva pois é cruel. Ela é cruel, pois ela age.
Ela, o personagem cruel, é canibal. Canibalismo é repulsivo. Ela é devoradora e mágica. Ela é devoradora e homens não devem ser devorados.
Há duas definições de mulheres. Há a mulher boa. Ela é vítima. Há a mulher má. Ela precisa ser destruída. A mulher boa precisa ser possuída. A mulher má precisa ser morta ou punida. Ambas precisam ser anuladas.
A mulher má precisa ser punida e se ela for punida o suficiente, ela se tornará boa. Ser punida o suficiente é ser destruída. Há a mulher boa. Ela é a vítima. A postura de vitimização, a passividade da vítima exige abuso.
Mulheres fazem grande esforço para serem passivas, pois mulheres querem ser boas. O abuso evocado pela passividade convence mulheres que elas são más. A má necessidade de ser punida, destruída, para que elas se tornem boas.
Mesmo a mulher que se esforça conscientemente para ser passiva, as vezes faz algo. O ato dela provoca abuso. O abuso provocado por sua atividade a convence que ela é má. A má necessidade de ser punida, destruída, para que elas possam ser boas.
A moral da história deveria, vocês poderiam concluir, se oporia ao final feliz. Ao contrário. A moral da história é o final feliz. Ela nos diz que felicidade para mulher é ser passiva, vitimizada, destruída ou adormecida. Ela nos diz que felicidade para as mulheres que são boas – inertes, passivas, vitimizadas – e que a mulher boa é a mulher feliz. Ela nos diz que o final feliz é quando nós somos finalizadas, quando nós vivemos sem nossas vidas.

Parte dois
A PORNOGRAFIA
Entre meus companheiros, são muitos que sonham com o prazer molhado de 800 dores e humilhações, mas eu sou só outro tipo: Eu sou um escravo que sonha em fugir após cada fuga, eu sonho somente em fugir, ascender, de mil maneiras possíveis para fazer um buraco na parede, de derreter barras de ferro, fugir, fugir, de queimar a prisão inteira se necessário.
Julian Beck, The Life of the Theatre
Prateleiras de livros estão repletas de pornografia. É um marco do mercado e onde é ilegal, ele floresce e os preços sobem. De The Beautiful Flagellants of New York a Twelve Inches around the World, edições baratas, interpretações superfaturadas de fuder, sugar, chicotear, lambedor de pés, de gang bang, etc, em todas essas múltiplas variedades são disponíveis – seja no supermercado ou no mercado negro. Maior parte da literatura pornográfica é facilmente descrita: repetitivo ao ponto de induzir catatonia, mal concebido, simplória, brutal e muito feio. Porque, então, nós gastamos nosso dinheiro com isso? Porque, então, é eroticamente estimulante para massas de homens e mulheres?
Pornografia literária é o cenário cultural de homem-mulher. É o cenário coletivo de mestre-escravo. Contém a verdade cultural: homens e mulheres, agora fora dos contos de fadas a paisagens de castelos de desejo erótico; mulheres, sua carnalidade adulta e explicita, seu papel como vítima adulta e explicita, sua culpa adulta e explicita, sua punição viva em sua carne, sua aniquilação final – morte ou submissão completa.
Pornografia, assim como contos de fadas, nos diz quem nós somos. É a estrutura da mente masculina e feminina, o conteúdo de nossa identidade erótica compartilhada, o mapa de cada polegada e milha de nossa opressão e desespero. Aqui nós vamos além do terrorismo infantil. Aqui o medo é pegajoso e real, e com toda razão. Aqui nós somos compelidas a perguntar as perguntas certas: porque nós nos definimos nesses moldes, e como nós suportamos?

CAPÍTULO 3
Mulheres como vítimas: a história de O
A história de O, por Pauline Reage, incorpora, junto com toda a literatura pornográfica, princípios e personagens já isolados em minha discussão sobre contos de fadas infantis. A mulher como a figura de inocência e crueldade entra no mundo adulto – o mundo brutal da genitália. A mulher se manifesta em sua forma adulta – buceta. Ela emerge definida pelo buraco entre suas pernas. Além disso, A história de O é mais simples que a pornografia. Ela afirma a definir epistemologicamente o que uma mulher é, o que ela precisa, seu processo de pensamento e sentimentos, seu lugar ideal. Liga homens e mulheres em uma dança erótica de alguma magnitude: o complexo sadomasoquista de O não é trivial – é formulado como princípio cósmico em qual articula definitivamente o feminino.
Também, O é particularmente convincente pra mim pois eu já acreditei ser o que é alegado – a revelação mística da verdade, o destino eterno e sagrado das mulheres. O livro foi absorvido como pulsante, erótico, cristandade secular (o prazer em puro sofrimento, mulheres como a figura de Cristo). Eu experienciei O com o mesmo abandono infantil que o comentarista da Newsweek escreveu: “O que eleva esse livro fascinante acima da mera perversidade é seu movimento em direção ao transcendente do pensamento próprio como um presente a si mesmo… dar o corpo, permitir que seja devastado, explorado e totalmente possuído pode ser um ato de consequência, se é feito com amor pelo amor”. Qualquer avaliação lúcida de O irá mostrar a situação, a condição de O, seu comportamento e mais importante de tudo, sua atitude para com seu opressor como cenário lógico incorporando valores judaico-cristãos de servir e de sacrifício e noções universais de feminilidade, um cenário lógico demonstrando o psicológico de submissão e auto-ódio encontrado em todos as pessoas oprimidas. O é um livro de impressionante significância política.
Essa é, então, a história de O: O é tomado por seu amante Rene para Roissy e enclausurada lá; ela é fudida, sugada, estuprada, chicoteada, humilhada e torturada regularmente – ela é programada como uma escrava sexual, a puta particular de Rene; após ser propriamente treinada ela é enviada a sua casa com seu amante; seu amante a deu para senhor Steven, seu meio-irmão; ela é fudida, sugada, estuprada, chicoteada, humilhada e torturada regularmente; ela é ordenada a se tornar a amante de Jaqueline e recrutar ela para Roissy, em qual ela faz; ela é enviada a Anne-Marie para ser marcada pelo senhor Steven e ter anéis com sua insígnia inserida em sua buceta; ela serve como um modelo erótico para a irmã mais nova de Jaqueline, Natália que se apaixonou por ela; ela é levada a uma festa fantasiada como uma coruja, conduzida por uma coleira por Natália e, então, saqueada, despojada, estuprada, submetida a gang bang; realizando-se que não havia mais nada para o Senhor Steven fazer com ela ou para ela, temendo que ele a abandonasse, ela pede sua permissão para se matar e a recebe. Pornografia nunca é grandioso em seu enredo.
Claro, como muitos resumos, o acima é de alguma forma estranho. Eu não mencionei as quantidades de pênis que O chupa, ou os abusos anais que ela suporta, ou os vários estupros e torturas perpetradas nela por personagens secundários nesse livro, ou a variedade de chicotes utilizados, ou descrito suas vestimentas ou os diferentes tipos de vermelhidão em seus peitos, ou as várias formas em qual ela era acorrentada, ou os formatos e cores das equimoses em seu corpo.
Pelo curso da história de O emerge uma figura mitológica clara: ela é mulher e nomeá-la O, zero, vazio, diz tudo. Seu estado ideal é o de completa passividade, vazio, uma submissão tão absoluta que ela transcende a forma humana (se tornando uma coruja). Apenas o buraco entre suas pernas é deixado para a definir, e o símbolo desse buraco deve certamente ser O. Mais, entretanto, mesmo nos ambientes escassos de pornografia, necessariamente interfere com a realização de completa passividade. Dado um corpo que toma espaço tem necessidades, faz demandas, é conectado mesmo simbolicamente a história pessoal em qual a sequência de gostos, desgostos, habilidades, opiniões, são formados, moldados – um existe, no mínimo como espaço positivo. E, logo, assim como uma mulher nasce, nasce culpada e carnal, personificando os pecados de Eva e Pandora, a maldade de Jezebel e Lucrécia Bórgia, a transcendência de O nas espécies é fenomenal.
A tese de O é bem simples. Mulheres são bucetas, lascivas, devassas. Ela deve ser punida, domesticada, degradada. Ela dá o presente de si mesma, seu corpo, seu bem-estar, sua vida, a seu amante. Isso deveria ser – natural e bom. E termina necessariamente com sua aniquilação, em qual também é natural e bom, assim como é belo, porque ela cumpre seu destino:
Enquanto eu sou agredida e violada em seu benefício, eu sou nada além do pensamento de você, o desejo de você, a obsessão por você. Isso, eu creio, é o que você queria. Bem, eu te amo e isso é p que eu quero também.
Então deixe ele a levar, se somente para a machucar! O se odiou por seu próprio desejo e desprezou senhor Steven pelo auto controle que ele demonstrava. Ela queria que ele a amasse, assim, a verdade esta revelada: ela queria ele estivesse atrito entre o impulso de tocar seus lábios e penetrar seu corpo, a devasta-la se fosse assim necessário…
… No entanto, ele tinha certeza que ela era culpada e, sem realmente querer, Rene estava a punido pelo pecado que ele não sabia nada sobre (uma vez que permaneceu completamente interno), embora Senhor Steve tivesse imediatamente identificado: sua devassidão.
…nenhum prazer, nenhuma alegria, nenhum produto da imaginação dela poderia competir com a felicidade que ela sentia com a forma que ele usava ela com tão grande liberdade, a noção de que ele poderia fazer tudo a ela, que não havia nenhum limite, nenhuma restrição nas maneiras com que, através de seu corpo, de que ele poderia buscar por prazer.
O é totalmente possuída. Isso significa que ela é um objeto, com nenhum controle sob sua mobilidade, capaz de nenhuma asserção de personalidade. Seu corpo é um corpo, da mesma forma que uma caneta é uma caneta, um balde é um balde, ou como Gerturde Stein disse, uma rosa é uma rosa. Isso também significa que a energia de O, ou o poder, como uma mulher, como Mulher, é absorvido. Possessão aqui denota a transferência biológica do poder em qual traz com ela a comensurável força espiritual ao seu possuidor. O faz mais que oferecer a si mesma; ela mesma é a oferta. Oferecer a si mesma seria visto como prosaico sacrifício cristão, mas como a oferta é o veículo do miraculoso – ela incorpora o divino.
Aqui sacrifício tem significado primitivo, antigo: que a bruxa foi dada no início se torna um presente. Os primeiros frutos da colheita eram dedicados para e consumidos pelos espíritos vegetais que os forneciam. A destruição da vítima em sacrifício humano ou animal ou o consumo da oferta era a própria definição do sacrifício – morte era necessária, pois a vítima era ou representando a substância do que dá a vida, a fonte da energia vital, que tinha que ser libertada, em que somente a morte poderia libertar. Uma morte real, o sacrifício per si, não somente libertava a energia, mas também garantia a propagação e o aumento da energia vital (concretamente expressada como fertilidade) por uma espécie de ecologia mágica, a reciclagem de energia básica ou força bruta. A vitimização de O é a confirmação de seu poder, um poder em qual é transcendental e em que tem a essência do processo sagrado da vida, morte e regeneração.
Mas o real significado de possessão, tanto misticamente quanto mitologicamente, ainda não é claro. Na experiência mística da comunhão (equivocadamente chamada de fruição, as vezes) significou a dissolução do ego, a entrada do êxtase, união com e iluminação da divindade. A experiência da comunhão tem sido a providência do místico, profético ou visionário, aqueles que foram capazes de alquimizar sua energia em espirito puro e esse espírito em estado de graça. Possessão, assim definido, é a perversão da experiência mística; é por sua própria natureza demoníaca, porque ser objetivo é poder, seus meios são violência e opressão. Respinga o sangue de suas vítimas e ao fazer isso se afasta de sua união vivificante. O amante de O pensa que ela se deu livremente, mas ela não o fez assim, ele a tomaria de qualquer forma. O relacionamento deles é a encarnação despossessão demoníaca:
Assim ele iria possui-la como um deus possui suas criaturas, a quem ele apodera sob o disfarce de um monstro ou um pássaro, de um espirito invisível ou um estado de ecstasy. Ele não desejou a deixar. Quanto mais ele a renunciou, mais ele a considerou querida. O fato de que ele deu a ela era para ele prova, e deveria ser para ela também, que ela pertencia a ele: alguém somente pode dar o que é já é seu. Ele a deu apenas para a reclamar imediatamente, toma-la enriquecia seus olhos, como qualquer objeto em qual foi usado por alguma razão divina e tinha, então, sido consagrada. Por um longo tempo ele queria a prostituir e ele estava encantado em sentira que o prazer derivado que ele tinha era ainda maior que o que ele esperava e que isso o prendeu a ela mais ainda, porque, apesar disso, ela seria ainda mais humilhada e violada. Porque ela o amava, ela não conseguia evitar o que quer que fosse que derivava dele.
Um corolário preciso da possessão na prostituição. A prostituta, a mulher como um objeto, é definido pelo uso em que o possuidor a coloca. Sua subjugação é o selo do poder dele. Prostituição significa para as mulheres aniquilação carnal de desejo e escolhas, mas para o homem, mais uma vez, significa um aumento em poder, pura e simples. Para chamar de poder do possuidor, em que ele demonstra através de brincar de cafetão, divino, ou de confundir êxtase ou comunhão é grosseiramente incompreensível. “Todas as bocas que ele havia sondado em sua boca, todas as mãos que havia tomado seus peitos e barriga, todos os membros que haviam sido metidos nela tinham perfeitamente sido providenciados como prova de ela valia a pena de ser prostituída e tinha, de alguma forma, a santificado”. Claro que não é O a ser santificado, mas Rene ou senhor Steven ou os demais, menos ela.
A prostituição de O é um vício caricatural da prostituição religiosa do antigo mundo. A antiga e sagrada prostituição dos hebreus gregos, indianos, etc, era uma expressão ritual de respeito e veneração para os poderes de fertilidade e geração. As sacerdotisas/prostitutas do templo eram as personificações literais da energia da vida dos deuses terrenos e transferidos essa energia a aqueles que participam de seus rituais. Os princípios cósmicos, articulados como o masculino divino e o feminino divino, eram inicialmente unidos em um templo, porque claramente somente através da contínua e repetida união poderia haver fertilidade na terra e o bem estar das pessoas asseguradas. Prostituição sagrada era “nada menos que o ato de comunhão com deus (ou a divindade) e era tão remotamente sensual como o ato cristão de comunhão é remotamente ligado a gula”. O e todas as mulheres em Roissy eram distinguidas por sua esterilidade e tinham nenhuma semelhança com qualquer deusa. Nenhuma menção é feita para a concepção ou a menstruação, e procriação é nunca uma consequência de fuder. A fertilidade de O rendeu O. Não há nada sagrado na prostituição de O.
A degradação de O é ocasionada pela necessidade masculina de e medo de iniciação da masculinidade. Rituais de iniciação normalmente incluem um período de completa solidão, isolação e seguida de testes de coragem física, durabilidade mental, normalmente através de tortura e mutilação física, resultando em uma cicatriz permanente ou tatuagem que marca o sucesso da iniciação. O processo de iniciação é designado para revelar os valores, rituais e regras da masculinidade e confere na iniciação responsabilidades e privilégios da masculinidade. O que ocorre em Roissy é clara perversão da iniciação real. Rene e outros mutilam o corpo de O, mas eles mesmos permanecem intocados. Seu corpo substitui pelo corpo deles. O é marcada com as cicatrizes que elas deveriam suportar. Ela passa pela provação por eles, aguenta a solidão e isolamento, a tortura, a mutilação. Em tentando em se tornar deuses, elas contornaram os rigores necessários em se tornar homens. O fato é que tortura deve ser repetida interminantemente, não apenas em O, mas em um grande número de mulheres que são forçadas, assim como, persuadidas, demonstra que homens em Roissy nunca em fato se tornaram homens, nunca foram iniciados, nunca atingiram a segurança da masculinidade realizada.
O que deveria ser o símbolo da iniciação, a marca final ou cicatriz, manifesta no caso de O como expressão última de sadismo. Os anéis através da buceta de O com o nome de senhor Steven e heráldica, e a marca em sua bunda são os anéis de casamento permanentemente e justamente colocados. Eles a marcaram como um objeto com dono e de forma alguma isso significava sua passagem para a maturidade e liberdade. A mesma coisa pode ser dita do convencional anel de casamento.
O, em sem papel interminável como a substituta de tudo, também era a ligação sexual direta ao Senhor Steven e Rene. Que os dois homens amam um ao outro e fudiam um ao outro através de O, isso é claro pelo fato de Senhor Steven usar O analmente a maior parte do tempo. A consequências de redirecionar a energia sexual era incrível.
Mas o que é mais extraordinário em A história de O é o estilo literário incompreensível de Pauline Reage, seu autor. O é devassa ainda que pura, senhor Steven é cruel e bondoso, Rene é brutal e gentil, a parede é preta e branca. Tudo é o que é, o que não é, e seu oposto direto. Essa técnica, em qual é tão habilmente executada, pode ajudar a explicar a irracionalidade convincente da História de O. Para essas mulheres que foram convincentes e duvidosas, atraídas e repelidas, há o esquema de auto proteção: o duplo-duplo pensamento que o autor se dedica é muito fácil para lidar se nós nos realizássemos que nós apenas temos que dobrar-dobrar sem o pensar.
Em resumo, a história de O é a história de canibalismo psíquico, possessão demoníaca, uma história em qual coloca homens e mulheres como seres de polos opostos do universo – a sobrevivência de um depende da absoluta destruição do outro. Ele pede, como em muitas histórias, quem é o mais poderoso, e sua resposta é: homens são, literalmente sobre corpos mortos de mulheres.

CAPÍTULO 4
Mulheres como vítimas: A Imagem
A Imagem, de Jean de Berg é uma história de amor, uma história de amor cristão e também uma história de amor cristão. Nenhum livro faz mais claro a experiência cristã das mulheres após a queda, como nós a conhecemos, a queda infortuna de Eva. A Imagem, como o catecismo é um manual do cristianismo em ação. Além disso, A Imagem é quase uma dissecção clínica da brincadeira de papeis e seu relacionamento sexual, da dualidade como estrutura básica de violência masculina-feminina.
Seria um exagero de alguma substância chamar o seguinte de resumo do enredo mas é o que acontece em A Imagem é isso: Jean de Berg, a autora de A Imagem, encontra Claire, a quem conheceu casualmente há vários anos em uma festa; ele sempre foi interessado nela, mas sua frieza, sua distância e sua beleza perfeita fez sua falta de vulnerabilidade necessária que a teria feito, na tradição de veni, vidi, vici, uma conquista desejável; Claire o introduziu a Anne, a garota inocente e jovem vestida em branco, que, ao que parece, é a escrava de Claire; eles vão a uma bar, em qual Anne é ofertada a Jean de Berg; eles vão ao jardim de rosas onde Anne enfia uma rosa através de seus espinho na pele de sua buceta; eles vão ao restaurante onde Claire envergonha Anne, um evento que costuma a se repetir (Claire envergonha Anne, ordenando-a a levantar sua saia ou blusa ou metendo seu dedo na buceta de Anne); Claire mostra a Jean de Berg fotografia na tradição sadomasoquista para qual Anne modelou, exceto a última foto, em qual claramente é a foto de Claire; Claire chicoteia Anne; Anne chupa o pinto de Jean de Berg; Jean de Berg leva Anne para comprar lingerie e a humilha e embaraça a vendedora ao exibir as cicatrizes das chicoteadas de Anne que eram frescas; Anne recebe um banho de Claire na presença de Jean de Berg, em que Anne é quase afogada (eroticamente); ocorre a Jean de Berg que ele poderia gostar de fuder Claire – o que causou Claire a aumentar a agressividade nas agressões contra Anne; Anne é torturada nas câmaras góticas e depois violada analmente por Jean de Berg; Jean de Berg vai a sua casa, sonha com Claire, é acordado com uma batida em sua porta, e eis! Claire reconhece seu papel verdadeiro na vida (““Eu vim,” ela disse em voz baixa”) – a escrava de Jean de Berg. Ele a agride e ela vive feliz para sempre.
Claro, o acima descrito é novamente de alguma forma superficial. Eu não mencionei que Anne era forçada a mijar em público no jardim de rosas ou como ela era desagradável com Jean de Berg na livraria (um ponto crucial – vez que ela então tinha que ser punida) ou como ela foi buscar ela mesma pelo chicote ou como ela era feita para servir Claire e Jean de Berg uma laranjada antes delas enfiarem agulhas em fogo em seus seios.
As caracterizações têm ainda menos profundidade e complexidade, sem mencionar sutileza e sensibilidade que o enredo. Claire é fria e distante. Jean de Berg a descreve:
Claire era muito bela, como eu disse, provavelmente ainda mais bela que a sua amiga em vestido branco. Mas diferentemente dela, ela nunca despertou nenhuma real emoção em mim. Isso me impressionou inicialmente, mas então eu disse a mim mesmo que foi a sua beleza impecável, precisamente, sua perfeição que fez impossível em pensar nela como potencial “conquista”. Eu provavelmente precisava sentir alguma coisa nela, pelo menos, era vulnerável, para que pudesse nutrir qualquer desejo em mim para a ganhar.
Mais tarde, ele escreve: “seus traços clássicos, sua beleza fria, seu distanciamento, me fez pensar nela como uma deusa em exílio”. Aqui a caracterização feminina é explícita: vulnerabilidade é a qualidade principal do ser humanos; frieza é a qualidade principal de uma deusa. Como em muitas ficções, a caracterização feminina é sinônimo com uma apreciação da beleza feminina, seu tipo, e mais importante, seu efeito nas figuras masculinas no livro.
Anne, que é, de acordo com Pauline Reage, a outra metade de Claire, é doce, modesta, vulnerável, jovem, recatada (“Anne, por sua parte, tinha se resumido em uma modesta atitude de um objeto de desejo”) e devassa. Claire diz que Anne espuma a cada nova humilhação, ao mesmo pensamento de ser chicotada. Anne aparenta ser Beth de Little Women, mas é, em fato, uma vadia no cio, sua buceta esta sempre molhada – como a maioria de nós esta, quando esta perto de terminar. (Beth, lembre, morre jovem de bondade).
Jean de Berg, representando o sexo masculino, é – vocês não saberiam – um mestre inteligente, seguro de si, quieto – cheio de auto confiança quando não realmente esta no ato de devastar poderosamente e exageradamente viril quando no ato de devastar. Ninguém tem ideia de ser físico, exceto que imaginam que e grisalho nas têmporas.
O relacionamento entre esses três personagens é estruturado de forma simples e um pouco repetitivo: Claire, mestre – Anne, escrava; Jean de Berg, mestre – Anne, escrava; que conclui no final feliz – Jean de Berg, mestre – Claire, escrava. A razão do mestre-escravo é seu conteúdo, sua estrutura e a moral da história. O papel do mestre é sempre um papel masculino, o escravo é sempre um papel feminino. A moral da história é que Claire, em virtude de seu gênero, apenas pode encontrar felicidade no papel escravo-feminino.
Aqui nos dizem o que a sociedade nos tem dito sobre relacionamentos lésbicos: um homem é requerido para a conclusão, consumação. Claire é a designada erroneamente como mestre devido literalmente a seu sexo, sua genitália. Jean de Berg é seu pênis substituto em que ela mais tarde forja como instrumento para sua própria degradação. A Imagem pinta mulheres como eunucos femininos reais, mutilados em primeira instância, como Freud sugeria, pela ausência de pênis, incapacidade de alcançar o todo, orgânico, satisfação sexual da união sem a intrusão e participação de uma figura masculina. Essa figura não pode somente agir como o papel masculino – essa figura deve possuir biologicamente, pênis e saco. Claire e Anne como fêmeas biológicas decretam uma comédia, grotesco em sua caricatura pastelão: Claire é o mestre, uma aberração por virtude do papel que ela representa, um papel designado para atender as necessidades e capacidade de homens; Claire como mestre, tão cômica como Chaplin interpretando o rei da França ou Laurel e Hardy se apaixonando um pelo outro em uma tentativa vã de garantir riqueza e sucesso. Afinal, A Imagem nos força a concluir o que Claire consegue meter na buceta de Anne, mas seus dedos – dificilmente instrumento de arrebatamento e êxtase. Biologia, nos dizem, é um papel. Biologia, nos dizem, é destino. A mensagem é estranhamente familiar.
Pauline Reage, a principal promotora de A Imagem como um pedaço de veracidade metafísica, vê a função ou a existência do homem-mestre como a glorificação do mulher-escrava. Sua tese é que ser uma escrava é ter o poder:
… o escravo mais poderoso, se arrastando aos pés do mestre, é realmente o deus. O homem é o único padre, vivendo em medo e tremendo do desprazer dela. Sua única função é executar as várias cerimônias que centram ao redor do objeto sagrado.
Com essa lógica nativa a nossa cultura de duplo papel, o escravo é aqui transmutado em uma fonte de poder. O preço da energia, alguém pergunta é desespero. Esta é verdadeiramente a fonte da noção masculina do poder feminino – uma vez que, ela enquanto esta no centro da obsessão dele, ela é poderosa; não importa que a forma do poder dela é que ela “se arrasta junto dos pés de seu mestre”.
O homem, Reage nos instrui, tem a ilusão de poder, porque ele carrega o chicote. Que as marcas da ilusão para Reage, a distância entre conhecimento carnal e o que é, mais profundamente, verdade:
Sim, homens são tolo em esperar que nós os reverenciamos quando, no final, elas chegam a quase nada. Mulheres, como homens, apenas podem endeusar no santuário do corpo abusado, agora amado e agora renascido, submetido a cada humilhação, mas que, apesar de tudo, é sua própria. O homem, neste caso em particular, se mantém em um pedaço: ele é o verdadeiro adorador, aspirando em vão a se tornar um com seu deus.
A mulher, ao contrário, apesar de tão adoradora e possuidor da mesma garantia ansiosa (de si mesma) é também um objeto divino, violado, terminantemente sacrificado, embora renascida, em qual a única alegria é atingir através de sutil jogo de imagens, a contemplação de si mesma.
Tendo notado no último capítulo de Reage, a extraordinária facilidade com o pensamento em dobro, em qual ela usa aqui com sua habilidade usual, eu devo fazer suas conclusões como uma exceção. É surpreendente que o culto do objeto divino, a mulher como a vítima e seu carrasco deveria envolver qualquer mediação externa, especialmente de um padre masculino. Certamente se uma mulher esta tão disposta a se dar como uma oferenda, se como “um objeto divino, violado, terminantemente sacrificado, mas ainda renascida”, sua “única alegria… esta em contemplar a si mesma,” o homem é dispensável. Certamente, com tais dons divinos e satisfações atendentes, ela não precisa ser persuadida ou seduzida em se chicotear ou se mutilar (“e ainda que usualmente homens introduzem suas amantes aos prazeres de ser acorrentada ou chicoteada, torturada e humilhada…”) ou inicialmente outras mulheres, que servem como substitutas ou espelho ou como a outra metade. Homens muitas vezes insistem que mulheres são interesseiras, e realmente, Claire é a sacerdotisa de Anne. Ambas executam seus papeis efetivamente. Nenhuma figura masculina é requerida mitologicamente, ao menos que Jean de Berg interpretasse o padre eunuco, o tradicional companheiro da sacerdotisa, uma honra sem dúvida não intencionada a ele aqui. Por outro lado, apenas homens tem a permissão para servir deuses masculinos; eunucos e mulheres, sinônimos aqui, são estritamente excluídos desses rituais divinos. A conclusão adequada é, então, que um homem, não uma mulher, é o objeto divino dA Imagem: ele é o padre; ele serve a um deus masculino em qual imagem ele foi criado; ele serve a si mesmo. Se não fosse o caso, mulheres, como o adorado, serviria a si mesma, ao invés de servir-se como um peru ou pato, guarnecido, recheada, com uma faca afiada pronta para o ritual do cortar. Que um homem se torne o mestre do mestre significa, ao contrário das asserções de Reage, que mulheres devem servir aos homens, que mulheres são propriamente escravas e homens são propriamente mestres, que homens tem o único poder significativo (em nossa cultura – esse poder é aliado e defino por força e violência), que homens são criados na imagem do Todo poderoso. Pensamentos simples nos traz mais próximo da verdade nessa instância, mais que o pensamento em dobro.
A Imagem é repleta de simbolismo cristão. Uma das sequências mais memoráveis no livro é no jardim de rosas escolhido por Claire como o local adequado para a humilhação de Anne. Nesse jardim de rosas, Claire direciona a atenção a Jean de Berg a uma específica rosa, especial em sua beleza perfeita. Claire ordena Anne a entrar no canteiro e a acariciar a rosa, em que Anne trata como se elas fossem uma úmida e preparada buceta. Claire ordena Anne a pegar a rosa e a trazer para ela, em qual Anne o faz, embora não antes dela debilmente protestar que existe uma proibição envolvendo pegar as flores e que ela tem medo dos espinhos. A hesitação de Anne necessita de punição. Ela é ordenada a levantar seu vestido enquanto Claire golpeia a buceta de Anne com a rosa, então enfia o espinho em sua coxa e rasga a pelo muito deliberadamente. Claire beija as mãos de Anne enquanto uma gota de sangue poeticamente cai. Claire então empurra a haste da rosa para dentro da cinta-liga de Anne. O espinho fica preso no laço e a flor é presa, um adorno repleto de significado simbólico. Mesmo Jean de Berg encontra a performance um pouco exagerada:
Eu respondi que era realmente um grande sucesso, apesar de talvez um pouco sobrecarregada de símbolos, na visão de tradições românticas e surrealistas.
A rosa como um símbolo tem uma origem poderosa oculta. Eliphas Levi diz sobre:
Foi a carne em rebelião contra a opressão do espirito; foi a natureza atestando que, como a graça, ela era a filha de Deus; foi amor recusando a ser sufocado pelo celibato; foi a vida em revolta contra a esterilidade; foi a humanidade aspirante à religião natural, cheia de razão e amor, encontrada em revelações de harmonia do ser, em qual a rosa, para os iniciados, era o símbolo de ser floral.
A rosa se tornou para os místicos cristãos “uma rosa de luz no centro em que a figura humana se estende seus braços em forma de cruz”. Entretanto, a Igreja oficial, em sua luta incessante contra carnalidade e natureza, postulou a rosa como um símbolo de ambos em oposição ao lírio, que representa puridade de mente e corpo. A Imagem toma posição ao lado da cristandade oficial ao usar a rosa como um instrumento de dor e derramamento de sangue.
As fotografias que Claire mostra a Jean de Berg transbordam de importância simbólica. As fotografias são uma séria de poses sadomasoquistas convencionais. Eles mapeiam a tortura e a mutilação da vítima, nesse caso Anne, e culmina em o que parece um esfaqueamento brutal, a morte real de vítima. Juntas eles revelam a preocupação da mulher com seu próprio corpo, um narcisismo que é concretizado com a última fotografia que é de Claire, sem face, acariciando sua própria buceta. Esse narcisismo é a falha em que define a mulher, e para a expiar, como uma mulher deve na gloriosa tradição de O, consentir e participar em sua própria aniquilação. Esse é o cenário que permite a ela a salvação cristã, em que a redime do pecado de Eva e os pecados subsequente de seu amor próprio. As fotografias são “realmente nada mais que fotos religiosas, degraus ao longo do novo caminho de uma nova estrada para a cruz”. A estrada, entretanto, é um velho, e bem viajado, e se a cruz é tão difícil de alcançar através dessa estrada em particular, é apenas devido aos corpos de mártires como Anne e Claire estão empilhadas tão profundamente.
É somente tão óbvio que as mulheres torturadas, mutiladas que aparecem primeiro como Anne, então como mais impessoal a vítima das fotografias, e finalmente em um sonho de Jean de Berg como um corpo morto “perfurado por várias facadas triangulares nas áreas mais propícias” é o Cristo secular da buceta e dos peitos da queda carnal, lasciva de Eva, a vítima que, diferentemente de Jesus, sofre por seus próprios pecados, os criminosos cujos castigos quase se igualam ao horror de seu crime. Esse crime, é claro, é a feminilidade biológica. Jesus morreu por nós uma vez, a crucificação que ele sofreu foi suficiente, assim nos dizem, para todo o sempre. Anne, Claire, O, todas foram forçadas a espalhar seus braços na cruz até a morte as libertar, e depois novamente. Nenhuma crueldade vai ser adequada para expiar seus crimes, e então libertar a todas as demais.
Cristandade tem uma outra imagem de mulher, Maria, nossa senhora, a virgem maria. Jeam de Berg sonha com Claire como nossa senhora brevemente, antes dele a agredir e a fuder. Certamente isso demonstra o significado psíquico em uma cultura sexista da figura da nossa senhora. Assim como Anne na cruz era uma profanação da natureza sagrada das mulheres, também é o conceito de ilusão da mãe virgem separada da sua buceta, separada da sua natureza, inocente por sua virtude do abandonamento do seu real e mais honorável sexualidade.
O culto da virgindade deve ser posto como uma real perversão sexual, mais cruel e mais insidiosa que os modelos sexuais condenados pela cultura como perversas. A institucionalização cristã dessa adoração, é cultivada e refinada, ter abortado mulheres no desenvolvimento de expressar naturalmente a sexualidade, dando crédito a essa outra: mulheres como putas. O dualismo do bem e do mal, virgem e puta, lírio e rosa, espirito e natureza é inerente no cristianismo e encontra expressão lógica nos rituais de sadomasoquismo. A ênfase cristã na dor e no sofrimento como um caminho para a transcendência e salvação é a próprias razão da maioria de pornografia sadomasoquista, assim como a definição cristã de mulher é sua justificação. Lenny Bruce expressa de forma muito simples quando ele disse:
Eu entendo que intelectualmente – que mulheres que dormem com homens diferentes toda semana são melhores cristãs que a virgem. Porque ela tem a capacidade de beijar e abraçar cinquenta caras por anos. E o que esse ato é – beijar e abraçar. Você não pode fazer com alguém com quem esta com raiva de. Se você esta apenas um pouco irritada com eles, você não consegue fazer.
Então a garota que tem tanto amor para todos os companheiros homens, a ponto de que ela pode fazer com cinquenta caras por ano – isso é intelectual; mas emocionalmente, eu não quero ser o cara número cinquenta e um. Porque eu aprendi minha lição bem cedo, cara. As pessoas me disseram, “Esse é o jeito que as coisas são, virgem é bom, virgem é bom”. Sim, isso foi bem estranho.
Como a mais óbvia figura masculina de Cristo de nosso tempo, ele deve saber.

CAPÍTULO 5
Mulheres como vítimas: Chupar
Nós passamos por toda pornografia literária de nossos antepassados, representados pela A história de O e A Imagem, em outra esfera, a do sexo jornalístico, nascido na cultura hip (ou, como nós gostamos de pensar, na contracultura), pós revolução sexual (Freudiana, Reichiana, Maileriana, Bruceana, Ginsbergiana), pós maconha, pós ácido, pós pílula: pós eles e dentro do mundo de Nós. Nós movemos para o reino do aqui e agora, nossa própria ligação, liberado tempo e espaço, para o mundo social em que nós somos responsáveis. Uma vez que buscamos o mundo libertando mulheres, definido em termos radicais, atingimos através do estilo de vida vivida concretamente, jornais como Suck, OZ, e Screw são importantes. Playboy é deles – sem dúvida Kissinger e Sinatra dormem com ele debaixo do travesseiro. Mas na contracultura, os papeis sexuais são criados por pessoas que habitam nosso mundo (anormais, drogados, radicais, hippies, qualquer que seja o termo mais adequado), pessoas que compartilham nossos valores, nossas preocupações – pessoas que falam sobre libertação. A contracultura dos papeis sexuais seria uma parte de nossa comunidade e, logo, nós somos obrigadas, se nós somos a comunidade, a aborda-la criticamente e seriamente, a perguntar o que ela nos traz e o que nos retira.
“Nós” – quem são nós? Jerry Rubin diz que nós somos as crianças da Amerika. Eldridge Cleaver nos chama de filhos de sangue. São nossos pais, Amerika, o sangue que correr em nossa falência moral e modos genocidas nos forçaram desde o útero as ruas de nossa nação. São nossos pais, Amerika, sangue, que nós nos recusamos a ser, que trabalho nós recusamos a fazer. Nós somos sobrevivente do Flower Power, agora adultos, com ou sem filhos. Nós somos as tribos da nação de Woodstock, agora em Diáspora, vagando por todo o planeta. Nós somos a Nova Esquerda, feridos e em desordem. Nós ainda não fomos extintos, e nós não estamos perto de sermos exterminados. Nosso passado é apenas o prólogo.
Geralmente, nós temos entre 24 e 35 anos; já usamos ácido, mescalina, psilocibin, etc, com alguma frequência; usamos grama e haxixe com frequência sem nenhuma mistificação; provavelmente já usamos cocaína, anfetaminas ou barbitúricos em algum momento; temos uma vida sexual ativa; em qual a maioria é estritamente casual; rejeitamos o núcleo familiar e buscamos formas de comunidade antagônica a ela. Nós somos as pessoas que escutaram a Leary, Ginsberg, Bruce. Politicamente, nós somos radicais. Alguns de nós buscamos desenvolver formas radicais de comunidade, de viver uma boa, simples e natural vida. Alguns de nós nos envolvemos publicamente em ações políticas – se opondo a guerras ilegítimas, resistindo a autoridades ilegítimas – nós imaginamos como matar porco sem nos tornar porco, nós somos imersos no processo da revolução, nós aprendemos as habilidades da revolução, nós resistimos de todas as formas a autoridade atual e nós simultaneamente buscamos desenvolver alternativas para essas formas. Há uma diminuição de número de apaixonados pela paz entre nós (totalmente comprometidos com a revolução não-violenta) e muitos poucos anarquistas que rugem. Nós somos, ao menos em nossa manifestação amerikana, brancos, crianças privilegiadas, filhos de liberais e reformistas. Nós fomos criadas em belas e limpas casas, tivemos muita privacidade, amigos, companhia de família e amigos. Nós somos inacreditavelmente bem edificadas – nós fomos a boas escolas suburbanas (a maioria pública) onde nós experenciamos regimento físico e intelectual que nós encontramos ser insuportáveis; nós as melhores universidades e colégios (a maioria particular) onde nós estudamos antropologia, Freud, Marx, Norman O. Brown e Marcuse também, com as melhores mentes que, ao que parece, eram cocô de galinha quanto a aplicar princípios de equidade em sala de aula e fora dela. As universidades onde estudaram todas as ideias desencarnadas continuam a defender o trabalho do governo Amerikano. Nós tivemos nossa cota de desastres e desespero: as tragédias ácidas, as tragédias de Weatherman, as tragédias das agulhas. Muitas de nós conhecemos a prisão e nós todas vimos nossos amigos morrer. Nós estamos mais velhas que nós jamais pensávamos que nos tornaríamos.
Resumindo: através do uso de drogas, através da vida sexual ativa, através das ações políticas radicais, nós quebramos as conjeturas burguesas mentais de que nós herdamos, mas mantivemos o humanismo crucial para o liberalismo de nossos pais. Nosso objetivo é simples o suficiente para entender: nós queremos humanizar o planeta, quebrar a estrutura nacional que nos separa como pessoas, a estrutura corporativa, que nos separa em distintas classes, a estrutura racista que nos separa conforme nossa cor de pele; conservar ar, água, vaidade em todas as formas; criar comunidade que são mais que habitáveis – comunidades que pessoas são livres, em que pessoas tem o que precisam, em que grupos de pessoas não acumulam poder, ou dinheiro ou bens, através da exploração de outras pessoas. Então, quando nós olhamos os jornais de sexo, feito por pessoas como nós, não exigimos que tenha uma abordagem positiva na direção que nós queremos ir: nós exigimos que incorpore nossas atitudes radicais, o conhecimento de ácido e outras partes que o nosso estilo de vida nos oferta. E, mais importante, nós recusamos permitir reforçar os papeis de sexo padrão e conscientizar nossa cultura, os mesmos padrões e consciências que nos oprime como mulheres, que nos enclave como seres humanos.
Suck é uma típica contracultura nos papeis sexuais. Uma análise sobre revela que sexismo é completamente perverso, primariamente expressado como sadomasoquismo, da mesma forma que, e não em oposição de, os valores patriarcais e culturais. Suck clama ser um aliado. É crucial demonstrar que não o é.
A primeira edição de Suck apareceu em Amsterdam, Holanda, em 1969. Ele continua a ser impresso em Amsterdam, porque a polícia holandesa não confisca pornografia ou prende pornógrafos. Ela foi criada por dois amerikanos expatriados. Suck é inteiramente sobre sexo, isto é, suas páginas contêm ficção pornográfica, conselhos de técnicas sexuais (como chupar um buceta ou um pinto, por exemplo), palavras para leitores que revelam histórias sexuais pessoas (a maioria celebrativa), e fotografias de buceta, pinto, fuder, chupar, e orgia. O jornal aparece irregularmente – onde há dinheiro e material suficiente para a publicação. Suck é confiscada na Inglaterra e França com certo rigor.
Suck fez contribuições positivas. Chupar é abordado em uma nova forma. Chupar pinto, chupar buceta, como fazer, como é bom. Esperma tem um gosto bom, assim como a buceta. Em particular, a ênfase em chupar buceta serve para desmitificar a buceta em maneiras espetaculares – buceta não é um palavrão, não é aterrorizante, nem fedida ou suja; é uma fonte de prazer, uma bela parte do da fisiologia feminina, para ser vista, tocada, provada.
O tabu contra chupar vai bem profundo. Maior parte das leis atuais contra chupar pinto e chupar buceta esta relacionado a proibição contra qualquer atividade sexual que não leva a, ou não performava o propósito ou efeito, gravidez. Chupar é um ato que guia ao orgasmo, coloca a natureza como contato sexual claro – sexo é o se tornar um de pessoas para o prazer. O valor é se juntar. Casamento não santifica esse se juntar, procriação não é o objetivo. Suck trata chupar como um ato de mesma magnitude que fuder. Essa atitude, imagens de mulheres chupando pinto, homens chupando bucetas e vice e versa, discussões de técnicas de chupar, todas quebrando barreiras para a realização de completa sexualidade.
Cunnilingus e fellatio (chupar por qualquer outro nome…) ainda são crimes. As leis anti felação, em conjunto com as leis de sodomia, são as vezes usadas contra homens homossexuais (lésbicas não são levadas a sério o suficiente para serem processadas). Dada a aplicação seletiva dessas leis, a vergonha que atribui a atos proibidos, e o fato que atos de fazer amor orais representam em palavras ou imagens são geralmente condenadas como obscenas, chupar deve ser vista como um ato político significativo (o que é certamente maravilhosa notícia para os revolucionários depressivos). Nesse caso, Suck tomou relevância com uma posição respeitável.
(Digressão importante, ainda em outubro de 1961, Lenny Bruce foi preso porque em uma de suas rotinas ele usou o verbo “vir” e falou sobre boquete. Ele foi preso por um crime de obscenidade. Bruce descreveu o fracasso:
Eu fui preso por obscenidade em São Francisco por usar uma palavra de 6 letras que é uma espécie de elegância. Eu não vou repetir essa palavra essa noite. Começa com “b”. Eles disseram que era um vernáculo favorito para a prática homossexual – o que é estranho, pois eu não relaciono essa palavra a homossexuais. Relaciona-se a qualquer mulher contemporânea que eu conheço ou conheceria ou amaria ou casaria.
Bruce foi preso em São Francisco (obscenidade), Filadélfia (posse), Los Angeles (posse), Hollywood (obscenidade), Chicago (obscenidade) e foi proibido de entrar na Inglaterra e Austrália. Aproximadamente em 1964, Bruce foi preso por obscenidade na cidade de Nova York, em 1965, ele declarou legalmente falido e em 3 de agosto de 1966, ele morreu em Loa Angeles.)
Suck também faz uma contribuição em imprimir imagens de buceta, apesar de que o elogio deve ser severamente qualificado. Fotos de bucetas são raras. Todo o resto nós já vimos – peitos siliconados, olhares de soslaio, a versão da Playboy de pelo púbico. Mas após ver o notável filme por Anne Severson e Shelby Kennedy em que uma câmera fixa cataloga as bucetas de várias mulheres diferentes, de todas as idades, de todas as raças, com todos os tipos de experiências sexuais, é possível compreender superficialmente as fotos de buceta de Suck. Imagine um catálogo de fotos de faces humanas – as cores, as texturas, os recortes, as características únicas em cada uma delas. É o mesmo com bucetas, e ficaria tudo bem se Suck nos mostrasse isso. Não faz isso.
Germaine Greer certa vez escreveu para Suck – ela era uma editora – e seus artigos eram os artigos simbólicos, eram as vezes fortes; sua voz era sempre autêntica. Sua tentativa era trazer mulheres mais contato próximo com a sexualidade feminina sem ser alterada e colocar a sexualidade claramente, assumidamente, dentro do reino da humanidade: mulheres, não objetos, mas seres humanos, realmente um conceito revolucionário.
Mas Greer tem um outro lado, em que se alia com os piores chauvinistas masculinos e é esse lado em que, eu acredito, fez artigos aceitável para os editores de Suck e Suck aceitável para ela. Em uma entrevista na Amerikan Screw, reimpressa em Suck sob o título de “Germaine: ‘eu sou uma vadia’” ela declarou:
Idealmente você chegou no estágio em que você pode lidar com todo mundo – o gordo, o cego, o tolo, o impotente, o desonesto.
Nós temos que resgatar pessoas que já estão mortas. Nós temos que fazer amor com pessoas que já estão mortas, e isso não é fácil.
Aqui esta a noção popular que mulheres, ampliando nosso papel como objeto sexual, pode humanizar um mundo atrofiado. A noção é baseada em uma premissa falsa. Assim como a pílula supostamente era para libertar as mulheres por nos libertar sexualmente, isto é, nós poderíamos fuder tão livremente como homens, fuder supostamente era para libertar mulheres e homens também. Mas a pílula servia para reforçar nossa escravidão essencial – nos fez mais acessível, mais abertas à exploração. Não mudou a condição básica, porque não fez nada para desafiar a estrutura sexista da sociedade, sem mencionar os relacionamentos sexuais convencionais e os acoplamentos. Nem fez a promiscuidade per si. A aliança de Greer com a revolução sexual é, triste mas implicitamente, uma aliança com o chauvinismo masculino, porque não fala sobre a condição básica de mulheres que permanece a mesma se nós fudemos um homem por semana ou vinte.
Há um mal entendimento similar nessa declaração:
Bem, escutem, isso é uma das coisas que mulheres tem que entender, e eu perco um pouco de paciência as vezes com mulheres que não conseguem ver. Como mulher, afinal, neste país é uma mercadoria. Ela é um símbolo de status e quanto mais bela ela é, mais cara ela é de conseguir. Qualquer um pode ter uma mulher gorda e velha. Mas garotas jovens com olhos claros não para homens de 40 anos, que estão trabalhando como embaladores ou um vendedor por toda a sua vida. Então, quando ele vê ela, ele rosna, principalmente porque ela não esta disponível para ele. Ela é outra provocação, e ainda outro sonho do sonho americano não é pra ele. Ele nunca teve uma garota como aquela e nunca terá.
Agora, eu penso que as mais sensíveis formas de nós vermos o crime de estupro é como um ato de agressão contra o símbolo de propriedade… (mas eu não tenho certeza nenhuma – isto é, eu acho que é também agressão contra a mãe que fudeu tantas vidas humanas). E eu preciso pensar que como mulher, que não fez revolução, não se colocou na barricada desta questão, eu devo a meus pobres irmãos a não ficar tensa. Porque eu sou isso, eu sou a mulher que eles nunca esperavam encontrar e no canto da minha mente, eu os rejeito.
Aqui, novamente, a aliança é com o chauvinismo masculino e é incompreensível. Mães estragam a vida de pessoas em uma proporção direta de como suas vidas são fudidas – que fudido é o papel que eles devem desempenhar, as possibilidades criativas que eles devem abortar. Greer certamente sabe disso e precisa falar sobre. Mulheres que andam, em oposição a aquelas que andam de táxi ou dirigem (uma distinção de classe relevante), são constantemente assediadas, contumazmente ameaçadas com violência, muitas vezes violadas. Essa é a situação em que esta a vida diária de mulheres.
É verdade, e muito no ponto que, mulheres são objetos, commodities, algumas consideradas mais caras que outras – mas é apenas afirmando a próprias humanidade de cada vez, em todas as situações que alguém se torna alguém ao invés de alguma coisa. Isso, afinal, é a essência de nossa luta.
Estupro, é claro, tem seus apologistas. Norman Mailer postular que, junto com assassinato, como o conteúdo do heroísmo. Isto é, ele nos diz em The Presidential Papers, moralmente superior a masturbação. Eldrige Cleaver nos fala que é um ato de rebelião política – ele “praticava” em mulheres negras para que ele estuprasse melhor mulheres brancas. Greer junta o coro mistificador quando ela postula o estupro como um ato de agressão contra propriedade (um ato político anti capitalista, não menos) e sugere que também poderia ser um ato de rebelião psicológica contra o sinistro e a mãe onipresente. Estupro é, em fato, comportamento heterossexual simples e direto em uma sociedade dominada por homens. Ele nos ofende quando o faz, o que é raramente, apenas porque é a relação masculino-feminino sem a farsa – sem o romance mistificador do casal, sem a civilidade de uma troca de dinheiro. Acontece em casa, assim como nas ruas. Não é uma função do capitalismo – é uma função do sexismo.
O que Greer contribui para Suck e para as leitoras mulheres que podem olha-la para análises cogentes e profunda imaginação, é em grande parte confuso. Essa confusão resulta da identificação com homens que constantemente atenuam nossa percepção dos problemas reais e empíricos problemas que as mulheres enfrentam em uma sociedade sexista. Essa confusão se manifesta de forma mais destrutiva na noção padrão irreal de que mulheres que fodem livremente são livres.
O enredo principal de Suck é ficção pornográfica. É na ficção que nós encontramos a repetição de eventos, situações, imagens e atitudes que mais efetivamente reforçam valores sexistas convencionais. “Congo Crystal Hotel” uma história de Mel Clay, uma típica ficção de Suck. Dois homens assistindo um filme pornográfico. Eles têm um encontro sexual sádico. Um deles, Beno, sai para conhecer Carol, uma mulher que ele conheceu previamente. Ele força ela a fuder e a chupar dois negros, que a violam de todas as formas. O marido de Carol se intromete. Beno força Caro a chupar o pinto do marido e enquanto seu marido goza, Beno atira nele. Um exemplo de prosa roxa:
Em um súbito espasmo, o homem agarra a cabeça e arqueia as costas e como as sensações iniciais do orgasmo o ultrapassem, Beno puxa o gatilho, a explosão abafando o som de Carol engolindo a porra e o cérebro espirrando contra o teto.
Carol anuncia: “ele poderia sentir o cheiro dela mesmo antes de a ver”. O estupro que Beno força sobre ela, é claro, é o veículo para o reconhecimento que ela o ama, porque apenas ele poderia fazer isso a ela. A história contém violência incrível. Beno chicoteia seu amante, Carol é agredida e estuprada, o marido é morto. Os pintos de negros são, é claro, gigantes instrumentos de prazer e dor. Há pouco para distinguir “Congo Crystal Hotel” para uma pornografia heterossexual, exceto pela péssima qualidade de escrita. A visão da mulher é precisamente a mesma: uma buceta insaciável, para ser violada e abusada; o conteúdo sadomasoquista é o mesmo; mesmo a genitália exagerada de participantes negros é a pior tradição pornográfica.
“Sex Angels”, uma história de Ron Reid, crônicas de aventura de Helen e Tony, isto é, um gangbang arranjada por Helen com um grupo de motociclistas fortes. Helen é “uma buceta de classe alta que estava prestes a ser recheada com os pintos da classe trabalhadora”. A análise de classe é fundamental para essa história: “o abismo social acentuado pela montagem emocionante já é alto com o conhecimento que o marido jovem observa o gangbang da mulher por um grupo”. A culminação desse evento, depois de Helen ser brutalmente usada, é descrita como:
agora o tubo molhado e quente – fenda quente, vá em frente e vamos ver você fuder sua esposa agora. Todos nós passamos por ela.
Helen, parecida com aquele bem conhecido objeto sexual, Helena de Tróia, não será esquecida pelo observador atento, é um “tubo quente de porra – fenda quente”. Realmente, deve-se perguntar, no mundo de ficção de Suck, quem de nós não é?
O fato esmagado que emerge sobre a ficção de Suck é que contêm e expressa as fantasias tradicionais sobre mulheres. Helen e Carol distinguem-se pouco de O e Claire. Suas necessidades podem ser articuladas precisamente da mesma forma: pinto, muito pinto, o tempo todo, estupro, violação, crueldade. Se apenas nossas necessidades fossem tão simples. Se apenas nossas necessidades tivessem alguma coisa a ver com tudo isso.
Homens sempre souberam, que a forma de existe de acordo com Mailer, é que mulheres não apenas precisam disso como querem isso, estupro-padrão orquestrado. Sempre foi óbvio para eles – a “virtude” de uma mulher é meramente uma fachada, sua relutância é meramente uma tática. O que importa é que ela quer ser fudida – ela é definida pela sua necessidade de ser fudida. Nós consideramos Suck ser uma dessas fantasias masculinas sacrossantas aplicadas com a verdadeira contracultura de igualitarismo: para todos os seres “femininos” seja mulheres ou homens gays. Projeção apareceu para dormir e pinto esta cantando como nunca antes – mas, como o culto da buceta anterior, o culto do pinto é colorido com as lavagens de culpa não-resolvida e puro sadismo. O ônus e o ódio da homossexualidade masculina é pesada em Suck – feia, pesada e sempre presente.
Suck tem em alguns aspectos se alinhado com a causa da liberação gay. Suck 4 imprimir “o guia gay para a Europa”, uma lista de clubes, bares, banheiros públicos gays, etc, para aliviar a necessidade crônica de informação sentida pelos homens gays que viajavam. Suck 6 tem uma história intitulada “uma semana no Parque Fondle”, em que um homem exalta a quantidade de pau chupado em uma semana idílica no parque central de Amesterdan, que tinha sido entre para aberrações e hippies emaconhados no verão de 1971. Mas em Suck, como a cultura mãe que calunia qualquer desvio da heteronormatividade, o ódio ligado as bichas é bem aparente.
“O jogo de sucção” é a história de dois homens, um de pele escura e outro de pele clara, um ostensivo, outro latente – uma típica situação colonial, pronto para a exploração. O conhecimento (ostensivo) bicha é tipicamente misógino em seu ponto de vista:
Carlos explicou que o corpo masculino é a perfeição masculina e como homens são mais limpos que as mulheres.
Para os normais, Jonh Wayne auto reforçado masculino, o acime é evidente e sempre foi. No contexto de encontros homossexuais tem adicionado importância. Reforça a masculinidade de ambos os parceiros. Faz o ato homossexual uma afirmação de masculinidade. As inseguranças que a identidade homossexual evoca em nossa cultura, entretanto, são dificilmente resolvidas através de rebaixamento de mulheres. “Chupador de pinto” é um termo de insulto e abuso – significa bicha. No entanto é obviamente absurdo para um homem acreditar que é prazeroso para ele o que é feito por uma mulher, é nojento quando feito com um homem. A distinção aqui não é muito sutil: o significado político dos dois atos, a felação heterossexual e a felação homossexual é diferente. A primeira faz do homem claramente o mestre – a mulher se ajoelha aos seus pés. O último faz do homem bicha – a nossa não é a razão porque, ou é?
Carlos (ostensivo, de pele escura) depois de ter abaixado o zíper de suas calças de herói, começou a beijar seu glorioso equipamento:
Aqui eu estava em é nesta pequena sala de YMCA, nua como o dia em que eu nasci, com um garoto bonito e bicha, se ajoelhando a minha frente brincando com meu pinto. A coisa toda era doentia, mas a pior parte era de que estava gostando… De repente eu não me importava se ele era bicha. Eu apenas relaxei e me rendi a sua boca me chupando.
O orgasmo resultante foi fantástico, alucinante, como todas são em Suck. No entanto, a calúnia iminente é demais para suportar. Ser chupado por uma bicha é uma coisa. Reciprocidade é outra coisa. Poderia ser a reciprocidade o que faz alguém bicha?
Ele era uma maldita bicha, mas eu não era. Se ele tivesse um pau, esse era problema dele, não meu. Ele apenas teria que encontrar alguma outra bicha para chupar seu pinto.
Hot Rock Carlos é destemido. Após muita persistência paciente, nosso herói super másculo sucumbe, com reservas: “A ideia era repulsiva para mim, mas eu queria o fazer feliz”. A moral da história é simples. Diz nosso herói:
Engraçado, eu não me considero bicha, apenas sortudo de ser capaz de atrair tantos caras bonitos, para que eles possam ter seu pau dentro de mim.
Só agora a definição definitiva de bucha parece emergir. Chupar um pinto não é a experiência definitiva, afinal. Deve-se concluir que o sexo anal, é o mais próximo do corolário da penetração feminina, isso realmente define a bicha. Deve-se concluir que ser fudido analmente separa bichas de homens e os coloca próximos a mulheres. Deve-se concluir que ser penetrado é bicha, sem mencionar degradante, nojento e humilhante, que já dá para terem adivinhado.
Homens homossexuais não são somente penetrados como mulheres – eles também têm desejo pela dor e degradação. O autor de “O jogo de sucção” tem nos dado outro exemplo de pornografia homossexual, esse cativante intitulado “Pintos Jovens e Fortes para Rápidas Diversões”. Cinco jovens fortes estão cruzando; eles pegaram um garoto de cabelos compridos, enfiaram ele dentro da mala do carro e o ordenaram a chupar todos eles; o garoto considera recusar, uma vez que ele amou ser agredido aqui e lá, mas ao invés ele se submete a maior abuso, pode sempre ser através de submissão que através de resistência; o jovem pensa em brutalmente estuprar o garoto de cabelos compridos, então urinar sobre ele e cagar sobre ele. Ele é, é claro, em êxtase:
Gee, eu cheiro a gozo e suor de adolescente e urina e eu tenho mais dois lances comigo mesmo sobre seus rostos fortes e jovens e pinto se desfrutando de mim por prazeres sórdidos.
O estereótipo de homossexuais em qual emerge da execução geral da ficção de Suck não é muito diferente do estereótipo de mulher. O homossexual é uma bicha, babaca, filho da puta, viado; a mulher é um buraco, tubo de porra quente e úmido, fenda quente, ou apenas uma simples bunda. Ela prospera da dor e o mesmo acontece com ela. Gangbang é o prazer mútuo. Enorme, latejante, monstro, pau é o deus e mestre para ambos. As partes que eles brincam no roteiro sadomasoquista são o mesmo: assim são as fantasias, atitudes, e outras bagagens culturais convencionais. Não é difícil ver que a luta pela liberação gay e a liberação das mulheres tem uma luta em comum: ambas significam liberdade para o estigma do ser feminino. As fantasias (indicativos de conjuntos mentais estruturais) que oprimem homens homossexuais e mulheres é muito parecido. Mulheres e homens homossexuais são unidos em sua feminilidade, uma união que é real e verificável – afirmada em Suck, que contribui para a opressão cultural de ambos.
As páginas de Suck tem, infelizmente, nada a ver com libertação sexual – não há contra cultura a ser encontrada em qualquer parte dele. Eles são, ao invés, um catálogo de exatamente essas fantasias sexistas que expressam nossos mais mórbidos conjuntos psíquicos. Eles traçam um panorama de repressão, uma paisagem que é surpreendentemente familiar. Como mulheres, nós encontramos que nós somos onde nós sempre estivemos: a vítima necessária, nisso, nós somos vítimas novamente; o objeto eterno, nisso nós somos, o objeto novamente. Através da projeção do arquétipo de imagens sadomasoquistas, que são o alimento básico da mentalidade sexista, nós nos tornamos mais prisioneiras roubadas e traídas de qualquer real experiência ou comunicação autêntica, deixadas para trás dentro dessa confusão em ser mulher em busca de uma identidade utilizável.

Parte três
A HISTÓRIA DAS MULHERES
Somos pessoas insensíveis. Se nós pudéssemos sentir, a dor seria tão grande que nós pararíamos de sofrer. Se nós pudéssemos sentir aquela pessoa a casa segundos morrer de fome (e como isso esta acontecendo, essa escrita, essa leitura, alguém esta morrendo de fome) nós iríamos parar. Se nós pudéssemos sentir realmente nas entranhas, na virilha, na garganta, nos peitos, nós iríamos até as ruas e pararíamos a guerra, pararíamos a fome, pararíamos as prisões, pararíamos as mortes, pararíamos a destruição. Ah, eu poderia até aprender o que é amor.
Quando nós sentimos, nós sentimos urgência: quando nós sentimos a urgência, nós agiremos: quando nós agimos, nós iremos mudar o mundo.
Julian Beck, The Life of the Theatre
Os estupros, torturas e violações de O, Claire, Anne, Helen, etc, são ficção, documentando a paisagem distorcida de realização masculina. Aqui nós temos a história das mulheres, a história do submundo, dois atos de genocídio cometido contra mulheres por homens, o seu âmbito e seu conteúdo amplamente ignorado. Não há surpresa em descobrir que eles documentam a mesma paisagem distorcida.
Eu isolei, particularmente, o ligamento de pés na China e a persecução das bruxas, pois eles são crimes em igual puro terror e sadismo da exterminação de americanos nativos e o massacre de judeus por Hitler. Esses dois horrendos massacres encontraram um lugar, por mais tênue na consciência de “homens”. Atos de genocídio contra mulheres raramente são noticiados, e eles nunca evocaram raiva ou horror ou tristeza. O ódio sexista se equivale ao ódio racista em sua intensidade, irracionalidade e desprezo pela santidade da vida humana como esses dois exemplos claramente o demonstram. Que mulheres não foram exterminadas e não irão ser (pelo menos, até a tecnologia para criar vida no laboratório seja aperfeiçoado) podem ser atribuídos a nossa habilidade presumida de gerar vida e mais importante, a verdade relativa que homens preferem fuder bucetas que são nominalmente vivas. Excluo aqui os necrófilos, esse são puros e imaculados príncipes, cuja história começa onde a nossa termina.
Além disso, em qualquer guerra, qualquer ato de violência entre tribos ou nações, há um crime de guerra perpetuado contra mulheres – estupro. Toda mulher estuprada durante uma guerra entre Estados, é vítima de uma guerra ainda maior, planetária em suas dimensões – a guerra, mais declarada que nós podemos suportar saber, que homens travam contra mulheres. Essa guerra teve sua expressão mais cruel e grotesca quando homens chineses ligaram os pés de mulheres chinesas e quando homens britânicos, galeses, irlandeses, escoceses, alemães, holandeses, franceses, suíços, italianos, espanhóis e amerikanos queimaram mulheres na fogueira em nome de Deus, o Pai e Seu único filho.

EVENTO DE LIGAMENTO DE PÉS
Instruções antes de ler o capítulo seguinte
1. Encontre um pedaço de pano de 10 pés de comprimento e 2 polegadas de largura;
2. Encontre um par de sapatos infantis;
3. Dobre todos os dedos, menos o dedão debaixo e dentro da sola do sapato. Enrole o pedaço de pano ao redor desses dedos e depois ao redor do calcanhar, Traga o calcanhar e os dedos o mais junto possível. Enrole o comprimento total do pano o mais apertado possível;
4. Aperte os pés dentro dos sapatos infantis;
5. Ande;
6. Imagine que você tenha 5 anos;
7. Imagine estar assim pelo resto de sua vida.

CAPÍTULO 6
Genocídio: o ligamento de pés na China
As origens do ligamento de pés na China, como pensamento chinês em geral, pertencem a entidade amorfa chamada antiguidade. O século 10 marca o começo da desumanização física, intelectual e espiritual de mulheres na China através da instituição do enfaixamento de pés. Essa instituição sozinha, a crença implícita em sua necessidade e beleza, e o rigor em que era praticado durou uns dez séculos. Houve esporádicas tentativas em emancipar os pés – alguns artistas, intelectuais e mulheres em posição de poder foram a cota proverbial do balde. Essas tentativas, modestas que fossem, estavam condenadas ao fracasso: o enfaixamento de pés era uma instituição política em que refletia e perpetuava a inferioridade social e psicológica de mulheres; enfaixamento de pés firmava mulheres a uma certa esfera, com uma certa função – mulheres eram objetos sexuais e reprodutoras. O enfaixamento de pés era uma atitude de massa, cultura de massa – era a chave para a realidade na forma que era vivida por mulheres reais – 10 séculos vezes vários milhões deles.
Pensa-se geralmente que o enfaixamento de pés se originou como uma inovação entre os dançarinos do harém imperial. Entre o século 9 e 11, o Imperador Li Yu ordenou a sua bailarina favorita a atingir o “pointed look”. O conto de fadas lê-se assim:
Li Yu tinha uma concubina no palácio favorita, chamada Linda Donzela, que era uma beleza de cintura delgada e uma dançarina talentosa. Ele construiu um lótus de seis pés para ela em puro ouro; foi decorado luxuosamente com pérolas e tinha um lótus de carmim no centro. Linda Donzela foi ordenada a enfaixar seus pés com pano de seda branco para fazer as pontas parecerem as pontas da foice da lua. Então, ela dançou no centro do lótus, rodopiando como uma nuvem ascendendo.
Desse evento original, o enfaixamento de pés recebeu o eufemismo “Lótus de Ouro”, apesar de ser claro que os pés da Linda Donzela estavam enfaixados frouxamente – ela ainda conseguia dançar.
A ensaísta depois, uma verdadeira gourmet de pés, descreveu 58 variedades do lótus humanos, cada um classificado em uma escala de 9 pontos. Por exemplo:

Tipo: Lotus petal, New moon, Harmonious bow, Bamboo shoot, Water chestnut
Especificações: plumpness, softness, fineness
Classificação:
Divine Quality (A-1), perfectly plump, soft and fine
Wondrous Quality (A-2), weak and slender
Immortal Quality (A-3), straight-boned, independente
Precious Article (B-1), peacocklike, too wide, disproportioned
Pure Article (B-2), gooselike, too long and thin
Seductive Article (B-3), fleshy, short, wide, round (the disadvantage of this foot was that its owner could withstand a blowing wind)
Excessive Article (C-1), narrow but insufficiently pointed
Ordinary Article (C-2), plump and common
False Article (C-3), monkeylike large heel (could climb)

As distinções apenas enfatizam que enfaixamento de pés foi uma operação bastante perigosa. Para quebrar os ossos envolvidos ou modificar a pressão das faixas irregulares tem consequências embaraçosas – nenhuma garota conseguiu suportar o ridículo envolvido em ser chamada de “demônio de pés grandes” e a vergonha de ser incapaz de casar.
Mesmo a possuidora de um A-1 Golden Lotus não podia descansar por aí – ela tinha que observar escrupulosamente a etiqueta dominado pelo tabu de enfaixar a feminilidade: (1) não ande com os dedos apontados para cima; (2) não fique com os saltos aparentemente suspensos no ar; (3) não mova a saia quando sentar; (4) não mova os pés quando deitada. A mesma ensaísta conclui seu tratado com o conselho mais sensível (direcionado a cavalheiros, é claro):
Não removam as faixas para olhar para seus pés nus, mas esteja satisfeito com a aparência externa. Aproveite a impressão exterior, porque se você remover os sapatos e as desfazes a sensação da estética vai ser destruída para sempre.
De fato. Os pés reais aparentavam assim:
3 a 4 polegadas de comprimento.
O processo físico que criou esses pés é descrito por Howard S. Levy em Enfaixamento de pés chineses: A história de um curioso costume erótico:
O sucesso ou o fracasso do enfaixamento de pés dependia na aplicação hábil das faixas ao redor de cada pé. A bandagem, cerca de duas polegadas de largura e dez pés de comprimento, foi envolvida na maneira seguinte. Uma extremidade foi colocada no interior do peito do pé, e a partir daí, foi realizada ao longo dos dedos dos pés pequenos, de modo a forçar os dedos do pé em direção a sola. O dedo maior era deixado sem faixa. A atadura foi então enrolada ao redor do calcanhar com tanta força que o calcanhar e os dedos foram levados para mais perto. O processo foi então repetido desde o início até a faixa inteira ter sido aplicada. O pé da jovem criança fora submetido a pressão coercitiva e incessante, para que o objeto não fosse meramente confinar o pé, mas fazer os dedos dobrarem para dentro da sola e trazer o calcanhar e a sola o mais próximo possível.
Um missionário cristão observou:
A carne costuma se tornar fedorenta durante o enfaixamento e porções são descartadas da sola; algumas vezes, um ou mais dedos caiam.
Uma mulher chinesa idosa, em 1934, lembrou vividamente sua experiência infantil:
Nascida em uma família tradicional em P’ing-hsi, eu fui infligida coma dor do enfaixamento de pés quando eu tinha 7 anos. Eu era uma criança ativa que gostava de pular, mas desde então minha natureza livre e otimista desapareceu. Minha irmã mais velha suportou o processo dos 6 aos 8 anos isso significa que levou a minha irmã mais velha, dois anos para atingir pés de 3 polegadas. Foi no primeiro luna do mês em meu sétimo aniversário, meus ouvidos foram perfurados e equipados com brincos de ouro. Me foi dito que a garota teve que sofrer em dobro, através da perfuração do nariz e do enfaixamento dos pés. O enfaixamento começa no segundo lunar do mês; mãe consultou referências em ordem para selecionar um dia auspicioso para isso. Eu chorei e me escondi na casa do vizinho, mas Mãe me encontrou, me repreendeu, e me arrastou para casa. Ela trancou a porta do quarto, esquentou água e de uma caixa retirou as faixas, sapatos, faca, agulhas e fio. Eu implorei para adiar um dia, mas Mãe recusou: “Hoje é um dia de sorte”, ela disse. “Se eu enfaixar hoje, seus pés nunca doerão; se eu os enfaixar amanhã, ele irão doer”. Ela lavou e colocou alum em meus pés e cortou as unhas dos pés. Ela então, dobrou meus dedos em direção ao plantar com pano de enfaixamento de dez pés de comprimento e duas polegadas de largura, fazendo primeiro o pé direito depois o esquerdo. Ela terminou o enfaixamento e me ordenou a andar, mas quando eu andei, a dor se provou insustentável.
Aquela noite, Mãe não me deixou remover meus sapatos. Meus pés pareciam estar em fogo e eu não consegui dormir; Mãe me bateu por chorar. Nos dias seguintes, eu tentei me esconder, mas fui forçada a andar em meus próprios pés. Mãe bateu em minhas mãos e pés por resistir. Espancamentos e maldições foram meu lote para secretamente afrouxar as faixas. Os pés eram lavados e reenfaixados após 3 ou 4 dias, com alúmem adicionado. Após vários meses, todos os dedos, menos o maior, foram pressionados contra a superfície interior. Sempre que eu comia peixe ou carne fresca, meus pés inchavam e o pus escorria. Mãe me criticou por colocar pressão no calcanhar ao andar, dizendo que meus pés nunca assumiriam um formato bonito. Mãe removeria as faixas e limparia o sangue e pus que escorria de meus pés. Ela me disse que apenas com a remoção da carne, meus pés poderiam tornar-se finos. Se eu equivocadamente furasse uma ferida, o sangue jorraria como uma corrente. Meus dedos dos pés carnudos de certa forma estavam amarrados com pequenos pedaços de pano e forçados para cima, para assumir um formato de lua nova.
A cada duas semanas, eu mudava para novos sapatos. Cada par novo era de 1 a 2 décimos de uma polegada menor que o anterior. Os sapatos eram inflexíveis e levou muita pressão para entrar neles. Apesar de eu querer sentar passivamente para K’ang, Mãe me forçou a mover ao redor. Após mudar mais de 10 pares de sapatos, meus pés reduziram para um pouco menos de 4 polegadas. Eu passava pelo enfaixamento por um mês quando minha irmã mais nova começou; quando ninguém estava olhando, nós iríamos chorar juntas. No verão, meus pés cheiravam ofensivamente, devido ao pus e ao sangue; no inverno, meus pés sentiam frio devido a falta de circulação e doíam se eu chegasse muito perto de K’ang e foram atingidos por correntes de ar quente. 4de meus dedos eram enrolados como muitas lagartas mortas; nenhum estranho poderia acreditar que pertenciam a um ser humano. Levou dois anos para atingir o modelo de 3 polegadas. Minhas unhas dos pés eram pressionadas contra a carne como papel fino. O plantar fortemente vincado não poderia ser arranhado, quando coçava ou aliviada quando doía. Minhas hastes eram finas, meus pés se tornaram corcundas, feios e odorífero; como eu invejava os pés naturais!
Pés enfaixados eram paralisados e excruciante dolorosos. A mulher estava realmente “andando” sobre o exterior dos dedos, que foram dobrados para dentro da sola do pé. O calcanhar e o dorso do pé pareciam a sola e o salto de uma bota de salto alto. Calos duros se formaram; unhas dos pés cresceram dentro da pele; os pés eram cheios de pus e sangue; circulação era praticamente parada. A mulher com pés enfaixados mancando junto, se apoiando em uma bengala, contra a parede, contra um servo. Para manter o equilíbrio, ela dava passos muito curtos. Ela estava realmente caindo em cada passo e se “pegando” no próximo. Andar requeria um tremendo esforço.
Enfaixamento de pés também distorcia as linhas naturais do corpo feminino. Causou as coxas e as nádegas, que estacavam sempre em um estado de tensão, para se tornarem de alguma forma inchada (o que homens chamam de “voluptuosa”). Uma crença curiosa desenvolvida entre os homens chineses é que o enfaixamento de pés produzia uma alteração mais útil a vagina. Um diplomata chinês explicou:
Quanto menor o pé da mulher, mais maravilhosa se torna as dobras da vagina. (Havia um ditado: quão menor os pés, maior a vontade de fazer sexo.) Logo, casamentos em Ta-t’ung (onde o enfaixamento é mais efetivo) costumam acontecer mais cedo que em qualquer outro lugar. Mulheres em outros distritos podem produzir essas dobras artificialmente, mas a única forma é através do enfaixamento de pés, que concentra o desenvolvimento em apenas um lugar. Consequentemente, há um desenvolvimento camada após camada (de dobras na vagina); aqueles que pessoalmente experenciaram isso (na penetração sexual) sentiram uma exaltação sobrenatural. Então, o sistema de enfaixamento de pés não era realmente opressivo.
Autoridades médicas confirmam que fisiologicamente o enfaixamento de pés não tinham qualquer efeito na vagina, apesar de realmente distorcer a pélvis. A crença nas dobras maravilhosas da vagina de mulheres com pés enfaixados era pura desilusão de massa, uma projeção de desejo para os pés, nádegas e vagina do corpo aleijado feminino. Desnecessário dizer que, a lógica do diplomata para encontrar o enfaixamento “não realmente opressivo” confundiu sua “exaltação sobrenatural” com a miséria e mutilação dela.
Pés enfaixados, o mesmo mito continua, “fazia as nádegas mais sensuais [e] concentrava vapores na parte superior do corpo, fazendo o rosto mais atraente”. Se, devido a uma avaria no fluxo destes “vapores vivificantes” uma mulher feia tinha pés enfaixados e ainda era feia, ela não precisava se desesperar, pois um A-1 Golden Lotus poderia compensar por uma C-3 de rosto e figura.
Mas, retornando a história das mulheres, como nossa bailarina chinesa se tornou milhões de mulheres durante 10 séculos? A transição de dançarina do palácio para a população em massa pode ser vista como parte uma classe dinâmica. O imperados determina o estilo, a nobreza cópia, e as classes baixas tentando se erguer fizeram o melhor para o semelhar. As classes mais altas enfaixavam os pés para suas damas com a maior severidade. A Dama, incapaz de andar, permanece adequadamente invisível em seu boudoir , um ornamento, fraco e pequeno, um testemunho de riqueza e privilégios de homens que poderiam se dar ao luxo de tê-la – de mantê-la ociosa. Fazer nenhum trabalho manual, ela não precisaria de seus pés. Só nas mais raras ocasiões ela era permitida fora das paredes de sua casa, e então, somente em cadeiras de um carro fechado atrás de cortinas pesadas. Quanto mais baixa a classe social da mulher, menos ela poderia ter tamanha ociosidade apoiada: pés largos. As mulheres que tiveram que trabalhar para a sobrevivência econômica da família ainda tinham que enfaixar seus pés, mas quanto mais frouxos as faixas, maiores os pés – afinal, ela tinha que ser capaz de andar, mesmo se lentamente e com pouco equilíbrio.
Enfaixamento de pés era uma marca visível. Enfaixamento de pés não enfatizava as diferenças entre homens e mulheres- criava a diferença, e elas eram perpetuadas em nome da moral. Enfaixamento de pés funcionava como o Cérebros da moralidade e assegurou a castidade feminina em uma nação de mulheres que literalmente não poderiam “correr ao redor”. Fidelidade e a legitimidade dos filhos poderia ser contada por diante. As mentes de mulheres que tinham pés enfaixados eram tão contraídas quanto seus pés. Filhas foram ensinadas a cozinhar, supervisar a casa, sapatos bordados para o Golden Lotus. Restrição intelectual e física tinham uma habitual justificação masculina. Mulheres eram perversas e pecadoras, lascivas e libidinosas, se deixadas para se desenvolverem naturalmente. Os chineses acreditavam que nascer mulher era pagamento pelos males cometidos em vidas anteriores. Enfaixamento de pés era designado para poupar uma mulher o desastre de uma outra encarnação.
Casamento e família são os pilares de toda cultura patriarcal. Pés enfaixados, na China, eram os pilares desses pilares. Aqui nós temos a união de política e moral, acoplado a produzir os seus descendentes inevitavelmente – a opressão de mulheres é baseado nos padrões totalitários de beleza e fascismo sexual desenfreado. Em casamentos arranjados, os pais do homem perguntam primeiro a perspectiva dos pés da noiva, depois da face. Esses foram seus humanos, qualidades reconhecíveis. Durante o processo de enfaixamento de pés, mães consolavam suas filhas evocando as possibilidades de um casamento dependentes da beleza do pé enfaixado. Concubinas para o harém imperial eram selecionas pelos festivais de pés pequenos (precursores dos concursos de Miss América). Fileiras e mais fileiras de mulheres se sentavam em bancos com seus pés estendidos enquanto a audiência e juízes passavam entre os corredores e comentavam o tamanho, o formato e a decoração de pés e sapatos. Ninguém, nunca, era permitido tocar na mercadoria. Mulheres ficavam ansiosas por esses festivais, pois elas eram permitidas estar fora de casa.
A estética sexual, literalmente a arte do amor, do pé enfaixado era complexo. A atração sexual do pé era baseada em seu ocultamento e o mistério ao redor seu desenvolvimento e cuidado. As faixas eram desembrulhadas e os pés eram lavados no boudoir das mulheres, em estrita privacidade. A frequência de banhos variava de uma vez por semana a uma vez ao ano. Perfure de várias fragrâncias e alum eram usadas durante e depois a lavagem, e vários tipos de cirurgia eram realizadas em calos e unhas. O processo físico de lavar ajudou a restaurar a circulação. A múmia foi desembrulhada, retocada e colocada de volta para dormir com ainda mais conservantes adicionados. O resto do corpo nunca foi lavada ao mesmo tempo que os pés, pelo medo de se tornar um porco na próxima vida. Mulheres bem educadas deveriam morrer de vergonha ser homens as vissem lavando seus pés. O pé consistia, afinal, de mal cheiro e carne podre. Isso era naturalmente desagradável para o homem se intrometer, a violação da sua sensibilidade estética.
A arte dos sapatos foi fundamental para a estética sexual do pé enfaixado. Incontáveis horas, dias, meses passaram para os sapatos de bordado. Havia sapatos para todas as ocasiões, sapatos de cores diferentes, sapatos para coxear, sapatos para ir para cama, sapatos para ocasiões especiais como aniversários, casamentos, funerais, sapatos que denotam idade. Vermelho era a cor favorita para sapatos de cama, porque acentuava a brancura da pele das penas e coxas. Uma filha casável fez cerca de 12 pares de sapatos como parte de seu dote. Ela apresentou 2 pares especialmente feitos pela sua madrinha e seu padrinho. Quando ela entrou na casa de seu marido pela primeira vez, seus pés eram imediatamente examinados por toda a família, nem louvor nem sarcasmo eram retidos.
Houve também a arte da marcha, a arte de sentar, a arte de ficar de pé, a arte de deitar, a arte de ajustar a saia, a arte de todos os movimentos que envolvam os pés. Beleza era a forma que os pés aparentavam e como eles se moviam. Certos pés eram melhores que outros pés, mais belos. 3 polegadas eram a forma perfeita e inutilidade absoluta eram marcas que se distinguiam em pés aristocráticos. Esses conceitos de beleza e status definem a mulher: como ornamentos, como brinquedos sexuais, como construções sexuais. A construção perfeita, mesmo na China, era naturalmente a prostituta.
As mulheres de pés naturais geravam horror e repulsa na China. Ela era a anátema, e todas as forças do insulto e desprezo eram usados para a esquecerem. Homens diziam sobre pés enfaixados:
Um pé pequeno é a prova da deusa feminina…
Mulheres que não enfaixam os pés parecem homens, porque os pés pequenos servem para mostrar a diferenciação…
Os pés pequenos são suaves, e quando esfregados, leva a grande excitação…
A caminhada graciosa dá ao espectador sentimentos confusos de compaixão e pena…
Pés naturais são pesado e quando entram na cama, mas os pés pequenos levemente entram debaixo das cobertas. As mulheres de pés largos são descuidadas com adornos, mas as mulheres de pés pequenos frequentemente lavam e aplicam uma variedade de fragrâncias perfumadas, encantando todos que vinham em sua presença…
Os pés naturais tinham uma aparência de menos estética em andar… Todo mundo recebia bem os pés pequenos, quanto menor mais precioso… Homens formalmente o desejavam que seu possuidor atingiu um casamento harmonioso…
Devido a sua pequenitude, isso dá origem a uma variedade de prazeres sensuais e sentimentos de amor…
Fino, pequeno, curvado, macio, perfumado, fraco, facilmente inflamável, passivo ao ponto de ser quase inanimado – isso era ser uma mulher com os pés enfaixados. Suas faixas criaram dobras vaginais extraordinárias; isolamento no quarto aumentou o seu desejo sexual; brincar com os atrofiados, aleijados pés aumentava o desejo de todo mundo. Mesmo as imagens de nomes de vários tipos de pés sugerem, em outro lado, a passividade feminina (lótus, lírios, brotos de bambu, castanhas de água) e, por outro lado, independência do sexo masculino, força e mobilidade (barcos de lótus, corvos de pés grandes, pés de macacos). Era inaceitável para uma mulher ter as qualidades masculinas denotadas em pés grandes. Este fato evoca uma afirmação anterior: enfaixamento de pés não formalizou as diferenças entre homens e mulheres – o criou. Um sexo se tornou masculino por virtude de fazer o outro sexo outra coisa, algo diferente, algo completamente polar a si, algo chamado feminino. Em 1915, um ensaio satírico em defesa só enfaixamento de pés, escrito por um homem chinês, enfatizou isso:
Os pés enfaixados é a condição de uma vida de dignidade para o homem, de contemplamento para a mulher. Deixe-me esclarecer isso. Eu sou chinesa bastante comum de minha classe. Eu me debrucei muito sobre textos clássicos em minha juventude e esmaeci meus olhos, apertei meu peito, entortei minhas costas. Minha memória não é forte e em uma civilização antiga, há uma vasta variedade de coisas para aprender antes de poder saber nada. Segundo estudioso, eu corto uma figura pobre. Eu sou tímida, e minha voz me soa falsa em reuniões de homens. Mas, para minha esposa com pés enfaixados, confinada para a vida em sua casa, exceto quando eu a suporto em meus braços para seu palaquim, meu passo é heroico, minha voz é como um leão que ruge, minha sabedoria é dos sábios. Para ela, eu sou o mundo; eu sou a vida em si.
Homens chineses, é claro, paravam altos e fortes a imagem dos pés pequenos de mulheres.
A tão chamada arte dos pés enfaixados foi um processo de tomar o pé humano, usando-o como se fosse matéria insensível, moldando-o em uma forma desumana. Enfaixamento dos pés era a “arte” de fazer matéria viva insensível, inanimada. Nós estamos obviamente não lidando aqui com arte alguma, mas com fetichismo, com psicose sexual. Esse fetiche se tornou o conteúdo principal em experiência sexual para toda uma cultura de 1000 anos. A manipulação era escrita elaborando várias técnicas para segurar e esfregar o Golden Lotus. Cheirar os pés, mastiga-los, lambe-los, chupa-los, todas eram experiências sexualmente carregadas. Uma mulher com pés pequenos era supostamente mais fácil de manobrar ao redor da cama e isso não era uma vantagem pequena, Roubo de sapatos era comum. As mulheres eram forçadas a costurar seus sapatos diretamente nas faixas. Sapatos roubados poderiam ser devolvidos banhados por sêmen. Prostitutas iriam mostrar seus pés descalços por um preço alto (não havia muitas prostitutas na China). Jogos de bebida usando copos eram colocados nos pés de prostitutas e cortesãs eram os passatempos favoritos. Prostitutas de pés pequenos tinham nomes especiais como Lua Imortal, Tesouro Vermelho, Pérola Dourada. Não menos diversas foram os eufemismos para pés, sapatos, e faixas. Alguns homens iam para prostitutas para lavar seus pés pequenos e comer sua sujeira ou beber chá feito da água de lavar os pés. Outros queriam seus pênis sendo tocados pelos pés. Superstição também teve seu lugar – havia uma crença nos poderes curativos da água em que os pés pequenos eram lavados.
Por último, o enfaixamento de pés era o solo em qual o sadismo poderia crescer e não ser reparada – em que crueldade simples poderia transcender, sem muito esforço, em atrocidades. Estas são algumas histórias típicas de horror desses tempos:
A madrasta ou a tia no enfaixamento dos pés das crianças costumava ser mais dura que a mãe biológica teria sido. Um homem idoso descreveu o prazer em ver suas filhas chorarem enquanto seus pés estavam sendo enfaixado… Em uma casa, todo mundo tinha que enfaixar os pés. A esposa principal e as concubinas enfaixavam no menor grau, um de manhã e à tarde e uma antes de ir dormir. O marido e a esposa principal realizaram estritamente inspeções nos pés e chicoteava os culpados de terem deixados as faixas mais soltas. Os sapatos de dormir eram tão dolosamente pequenos que mulheres tinham que perguntar ao mestre para os massagear em ordem de receber alívio. Outro homem rico açoitava as concubinas em seus pés pequenos, um após outro, até que o sangue escorresse…
… Cerca de 1931… Mulheres de pés enfaixados incapazes de abelhar foram feitas cativas. Os bandidos, irritados devido a fraqueza de seus cativos tinham de caminhar e a inabilidade de os manter em arquivo, forçava mulheres a remover as faixas e meias e correr descalças. Elas cheiravam em dor, pois eram incapazes de mover, apesar dos espancamentos. Cada um dos bandidos segurava uma mulher e a forçava a dançar sobre um amplo campo coberto de pedras afiadas. O tratamento mais severo era dado as prostitutas. Pregos foram conduzidos pelas suas mãos e pés; elas choravam alto por vários dias, antes de expirar. Uma forma de tortura era amarrar a mulher para que suas pernas balançassem no ar e colocasse tijolos ao redor de cada dedo, aumentando o peso até os dedos se esticassem e, eventualmente, caíssem.

FIM DO ENFAIXAMENTO DE PÉS

Alguém pergunta as mesmas questões de novo e de novo, ao longo de anos, no curso de uma vida. As questões têm a ver com pessoas e o que elas fazem – como e porquê. Como poderiam os alemães terem assassinados 6.000.000 judeus, usando sua pele como luminárias, tomado o ouro de seus dentes? Como poderiam as pessoas brancas terem comprados e vendido pessoas negras, os enforcados e os castrados? Como poderiam os “americanos” terem abatido nações indígenas, roubados suas terras, espalhado fome e doenças? Como pode o genocídio na Indochina continuar, dia após dia, ano após ano? Como isso é possível? Porque isso acontece?
Como mulher, se é forçado a fazer uma série de perguntas difíceis: Porque em toda a parte, a opressão das mulheres do começo ao fim marcou história? Como pode os Inquisidores torturarem e queimarem mulheres como bruxas? Como homens poderiam idealizar pés enfaixados de mulheres aleijadas? Como e porquê?
O enfaixamento de pés existiu por 1.000 anos. Em que termo, usando que medida, pode-se calcular a enormidade do crime, as dimensões da transgressão, a quantidade da crueldade e dor causada em 1.000 anos de história das mulheres? Em que termo, usando que vocabulário, alguém penetrou o significado para a realidade de 1.000 anos de história das mulheres?
Aqui uma raça não guerreava com outra para adquirir comida, ou terra, ou poder civil; uma nação não lutava com outra no interesse de sobrevivência, real ou imaginários; um grupo de pessoas em um passo de febre de histeria não destruía o outro. Nenhuma das explicações ou justificações tradicionais para a brutalidade entre os povos se aplicam a esta situação. Ao contrário, aqui um sexo é mutilado (escravizado) pelo outro no interesse da arte do sexo, harmonia masculina-feminina, papeis definidos, beleza.
Considere a magnitude do crime.
Milhões de mulheres, por mais de 1.000 anos, foram brutalmente mutilada, aleijadas, em nome da erótica.
Milhões de seres humanos, por mais de 1.000 anos, foram brutalmente mutilados, aleijados, em nome da beleza.
Milhões de homens, por mais de 1.000 anos, revelou-se em fazer amor devotado ao culto dos pés enfaixados.
Milhões de homens, durante um período de 1.000 anos, adoravam e cultuavam os pés enfaixados.
Milhões de mães, durante um período de 1.000 anos, brutalmente mutiladas, mutilavam suas filhas pelo bem de um casamento seguro.
Milhões de mães, durante um período de 1.000 anos, brutalmente mutiladas, mutilavam suas filhas em nos da beleza.
Mas nesse período de mil anos é apenas a ponta do iceberg: um extremo e visível expressão do atitudes românticas, processos e valores organicamente enraizados em todas as culturas, aqui e agora. Isso demonstra o amor do homem pela mulher, sua adoração sexual por ela, sua definição humana, seu deleite e prazer nela, exigem sua negação: aleijamento físico e lobotomia psicológica. Essa é a natureza do amor romântico, que é o amor baseado em definições de funções polares, manifesta nas histórias das mulheres, bem como na ficção – ele se glorifica na agonia dela, ele adora a deformidade dela, ele aniquila a liberdade dela, ele a tem como objeto sexual, mesmo se ele destruir os ossos e em seus pés para isso. Brutalidade, sadismo, e opressão emergem como o núcleo substantivo do ethos romântico. O ethos é a trama e a urdidura da cultura como a conhecemos.
Mulheres devem ser belas. Todas os repositórios de sabedoria cultural de Rei Salomão e Rei Hefner concordam: mulheres devem ser belas. É a reverência da beleza feminina que informa o ethos romântico, lhe confere energia e justificação. Beleza é transformada nesse ideal dourado, Beleza – arrebatadora e abstrata. Mulheres devem ser belas e mulheres é beleza.
Noções de beleza sempre incorporam toda a estrutura social, são cristalizações de seus valores. A sociedade com a bem definida aristocracia terá padrões aristocráticos de beleza. Na “democracia” ocidentais, noções de beleza são “democráticas”: mesmo se uma mulher não nasce bonita, ela pode fazer ela ser atraente.
O argumento não é simplesmente que algumas mulheres não são belas, então não é justo julgar mulheres em base de beleza física; ou que homens deveriam olhar o caráter em mulheres; ou que nosso padrão de beleza é muito paroquial em e fora de si mesmos; ou ainda que julgar mulheres segundo a conformidade com o padrão de beleza serve para faze-las em produtos, bens móveis, diferindo da vaca favorita do fazendeiro apenas em termos de forma literal. A questão em pauta é diferente e crucial. Padrões de beleza descrevem em termos precisos o relacionamento que um indivíduo terá com seu próprio corpo. Eles prescrevem sua mobilidade, espontaneidade, postura, marcha, os usos que ela pode colocar seu corpo. Eles definem precisamente as dimensões de sua liberdade física. E, é claro, o relacionamento entre liberdade física e desenvolvimento psicológico, possibilidade intelectual e potencial criativo é um passo umbilical.
Em nossa cultura, nenhuma parte do corpo da mulher é deixado intocado, inalterado. Nenhuma característica ou extremidade é poupado de arte, ou dor, de melhoria. Cabelo é tingido, lacado, alisando, passado permanente; sobrancelhas são arrancadas, delineadas, tingidas; olhos são alinhados, passado sombra; cílios são enrolados, ou falsos – de cabeça aos pés, cada característica do rosto da mulher, cada seção do corpo dela está sujeito a modificação, alteração. Essa alteração é um processo contínuo e repetitivo. É vital para a economia, a principal substância de diferenciação de papeis masculino-feminino, o mais imediato físico e psicológico realidade de ser uma mulher. A partir da idade de 11 ou 12 anos até ela morrer, a mulher vai gastar grande parte de seu tempo, dinheiro, energia em enfaixar, arrancar, pintar, e desodorizar ela mesma. É comum e erroneamente dito que travestis masculinos através do uso de maquiagem e figurino caricatural, eles se tornariam mulheres, mas qualquer real conhecimento do ethos romântico deixa claro que esses homens têm penetrado na essência da experiência de ser mulher, uma construção romantizada.
A tecnologia da beleza, e a mensagem que carrega, é dada de mãe a filha. Mãe ensina a filha a aplicar batom, a raspar abaixo dos braços, a enfaixar os seios, a usar cinta e sapatos de salto alto. Mãe ensina filha concomitantemente seu papel, seu comportamento adequado, seu lugar. Mãe ensina filha, necessariamente, a psicologia que define a feminilidade: a mulher deve ser bela, em ordem de agrada a Ele. O que nós chamamos de ethos romântico opera vividamente no século 20, Amerika e Europa como foi no século 10 na China.
Esta transferência cultural da tecnologia, papeis e psicologia virtual afeta relacionamentos emotivos entre mães e filhas. Isso contribui substancialmente para a dinâmica ambivalente de amor-ódio de relacionamentos. O que deve as filhas/crianças chinesas sentirem em relação a mãe que enfaixou seus pés? O que uma filha/criança sente em relação a mãe que a força a fazer coisas dolorosas a seu próprio corpo? A mãe assume o papel da executora: ela usa sedução, comando, todas as maneiras de força para coagir a filha a se conformar as demandas da cultura. É por causa desse papel, que se torna seu papel dominante no relacionamento mãe-filha que tensiona e dificulta o relacionamento mãe-filha, de modo que as dificuldades entre mães e filhas são muitas vezes insolúveis. A filha que rejeita as normas culturais impostas pela mãe é forçada a basicamente rejeitar a própria mãe, o reconhecimento do ódio e do ressentimento que ela sentia em relação a mãe, uma alienação da mãe e da sociedade tão extrema que sua própria feminilidade é negada por ambos. A filha que internaliza esses valores e endossa esses mesmos processos esta fadada a repetir os ensinamentos que foram ensinadas a ela – sua raiva e ressentimento permanecem subterrâneos, canalizados contra sua própria descendência, assim como sua mãe.
Dor é parte essencial do processo de crescimento, e isso não é acidental. Tirar as sobrancelhas, raspar abaixo dos braços, usar cinta, aprender a andar em sapatos de salto alto, ter o nariz consertado, alisando ou enrolando o cabelo – essas coisas machucam. A dor, é claro, ensina uma lição importante: nenhum preço é tão alto, nenhum processo é tão repulsivo, nenhuma operação é tão dolorosa para as mulheres que querem ser belas. A tolerância da dor e a romantização dessa tolerância começa aqui, na pré adolescência, na socialização, e serve para preparar mulheres para vidas de gerar crianças, de renúncia de si mesma, de agradamento de marido. A experiência adolescente do “dor em ser mulher” casta a psique feminina em um molde masoquista e força a adolescente a conformar a uma autoimagem que se baseia em mutilação do corpo, dor felizmente sentida, e restrição da mobilidade física. Ele cria personalidade masoquistas geralmente encontradas em mulheres adultas: subservientes, materialistas (uma vez que todo o valor é localizado no corpo e em sua ornamentação), intelectualmente restrita, empobrecida criativamente. Obriga mulheres a serem um seco menos realizado, tão subdesenvolvido como uma qualquer nação atrasada. Realmente, os efeitos dessa relação prescrita entre mulheres e seus corpos são tão extremos, tão profundos, tão extensos, que praticamente qualquer área de possibilidade humana é deixado intocado por ele.
Homens, é claro, gostam de mulheres que “cuidam de si mesmas”. A resposta masculina para as mulheres é inventada e atada é um fetiche aprendido de sociedade em suas dimensões. Basta referir-se a idealização masculina do enfaixamento de pés e dizem que a mesma dinâmica se opera aqui. Romance é baseado da diferenciação dos papeis, superioridade é baseada em uma determinação cultural que rigidamente reforça inferioridade, vergonha e culpa e medo as mulheres e o sexo em si mesmo: todos necessitam da perpetuação desses imperativos de crescimento opressivos.
O significado dessa análise do ethos romântico certamente é clara. O primeiro passo nesse processo de libertação (mulheres de sua opressão, homens da falta de liberdade de seu fetichismo) é a redefinição radical do relacionamento entre mulheres e seus corpos. O corpo precisa ser livre, liberto, literalmente: de pintura e cintas e todas as variedades de porcaria. Mulheres devem parar de mutilar seus corpos e começar a viver neles. Talvez a noção de beleza que vai, então, organicamente emergir vai ser realmente democrática e demonstrar o respeito pela vida humana em sua infinita e mais honrável variedade.

CAPÍTULO 7
Genocídio: As bruxas
Nunca tenha ainda sido conhecido que uma pessoa inocente foi punida por suspeita de bruxaria, e não há dúvida que Deus nunca permitiria uma coisa dessas acontecendo.
Malleus Maleficarum
Seria difícil ter uma ideia de quão escuro foi a Idade das Treva realmente foram. “Trevas” mal serve para descrever a escuridão social e intelectual nesses séculos. O aprendizado do mundo clássico estava em um estado de eclipse. A riqueza do mesmo mundo caiu nas mãos da Igreja Católica e monarcas variados, e a única democracia das massas de servos sem-terra era a democrática distribuição de pobreza. Doença era ainda mais cruel que o Senhor das Terras. A Igreja medieval não acreditava que a limpeza era próxima a piedade. Pelo contrário, entre as tentações da carne e do Reino dos Céus, uma camada de sujeira, piolhos e vermes eram supostamente para proteger e garantir a virtude. Uma vez que a carne era por definição pecaminosa, não era para ser descoberto, lavado ou tratado, porque essas doenças eram punições de Deus em primeiro lugar – daí a hostilidade da Igreja pela prática da medicina e pela busca do conhecimento médico. Incitado por essa predileção medieval pelo sujo e a vergonha, epidemias sucessivas de lepra, convulsões epilépticas e a praga dizimou a população da Europa regularmente. A Peste Negra, acredita-se, que matou 25% de toda a população da Europa, 2 terços de metade da população da França morreram; em algumas cidades, todas as pessoas vivas morreram; em Londres é estimado que uma em cada dez pessoas sobreviveu:
Aos domingos, após a missa, os doentes entravam em contagem, chorando por ajuda e palavras eram tudo que tinham: Você pecou, e Deus esta afligindo você. Agradeça a Ele: você vai sofrer muito menos tormento na vida futura. Suportar, sofrer, morrer. Não tinha a Igreja suas orações aos mortos.
Fome e miséria, as constantes companheiras do servo, podem muito bem terem induzido tipos de alucinação e histeria que devido a profunda ignorância, foram traduzidas como possessão demoníaca. Doenças, caos social, insurreições camponesas, surtos de dançamania (tarantismo) com a sua flagelação em massa – a Igreja teve que explicar esses males óbvios. Que tipo de Pastor era esse cujo rebanho era tão cruelmente e regularmente atacado? Certamente, o inferno e a eterna condenação que eram vividas na imaginação cristã foram modelados na experiência diária, na vida vivida na Terra.
A noção cristã da natureza e do Diabo passou por tantas transformações como a cobra tem peles. Em sua evolução, a seleção natural desempenhou um papel determinante na Igreja que criava a concepção dessas divindades mais adequadas a sua marca particular de teologia dualista. É uma constante cultural que os deuses de uma religião se tornam em demônios no próximo, e a Igreja, intolerante de desvios nessa e em outras áreas, vilipendiando os deuses dessas religiões pagãs que ameaçavam a supremacia católica na Europa até, pelo menos, o século 15. As religiões pagãs não eram monoteístas e seus panteões eram mal conservadores em número. A Igreja tinha uma enorme quantidade de divindades para expiar e teria feito rapidamente se não tivessem os antigos deuses, seus seguidores fiéis que se agarravam a práticas antigas, que tinham poder local, que tinha que ser pacificada. Assim, a Igreja fez uma espécie de roleta e enviou alguns deuses para o céu (canonizando-os) e outros para o inferno (condenando-os). Especialmente no sul da Europa, as divindades locais, anteriormente localizados no Olimpo, foram autorizados para continuar suas vocações tradicionais de cuidar dos doentes e proteger os viajantes. A Igreja, muitas vezes transformou os nomes de deuses – então, para não ficarem constrangidos, sem dúvida. Apolo, por exemplo, se tornou São Apolinário; Cupido se tornou St. Valentine. Os deuses pagãos também foram autorizados a manter seus lugares favoritos – santuários, árvores, poços, cemitérios, agora recém decorados com um cruz.
Mas no norte da Europa, os antigos deuses não foram tratados tão bem. As pessoas do norte da Europa eram temperalmente e culturalmente bem diferentes dos cristãos latinos, e suas religiões eram centradas ao redor do totemismo dos animais e ritos de fertilidade. Os “pagãos” aderiram a um animismo primitivo. Eles adoravam a natureza (arqui-inimigo da Igreja), que se manifestava em espíritos que habitavam pedras, lagos e árvores. Na fase da caça paleolítica, eles estavam preocupados com o controle mágico dos animais. Mais tarde, na fase agrícola neolítica, as práticas de fertilidade para garantir o abastecimento de alimentos predominaram.
Antropólogos acreditam agora que a primeira representação do homem de qualquer divindade antropomórfica é a de uma figura com chifres que usa uma cabeça de veado e está, aparentemente, dançando. Essa figura pode ser encontrada em uma caverna em Ariege. Religiões iniciais ativamente adoraram animais, e em particular animais que simbolizavam fertilidade masculina – o touro, a cabra ou o veado. Dançando em êxtase, banquetes, sacrifício do deus ou seu representante (humano ou animal) faziam parte dos rituais. O mágico-padre-xamã se tornou a encarnação terrena do deus animal e aparentemente vestido nas peles de animais sagrados (até mesmo o Faraó do Egito tinha uma cauda do animal preso em seu cinto). Lá estava ele, repleto de chifres e casco – as divindades primitivas, atributos dele ecoando nas divindades posteriores Osíris, Isis, Hathor, Pan e Janus. Seu culto foi assimilado ao culto fálico dos deuses nórdicos dos guerreiros do trovão (a influência dos quais podem ser vistas em práticas druídicas). Estes ritos pagãos e divindades mantiveram sua divindade na psique da massa, apesar de todas as tentativas da Igreja para os colocarem na lista negra. Alguns reis da Inglaterra foram convertidos por missionários, apenas para reverter a antiga fé quando os missionários deixaram. Outros mantiveram dois altares, um devotado a Cristo e outro para o deus chifrudo. Os camponeses nunca jogarem política – eles se agarraram às crenças da fertilidade mágica. Até o século 10, a Igreja protestou esta intencional “devoção ao diabo”, mas não podia fazer nada além de proclamações de emissão, impor penitências e jejuns e, é claro, continuar a luta incessante contra a natureza e a carne.
Isso foi um negócio sério, para o fim do mundo se acreditava ser iminente. Para os bons cristãos, preparações para a partida dessa vida terrena para a próxima, incluía renúncia de todas as atividades hedonistas (comer, dançar, fuder, etc). São Simão Estilista, em sua tentativa de evitar o crume do ser humano, fugiu para o deserto, onde ele ergueu um pilar sobre o qual ele mortificou sua carne para a maioria em seus 72 anos. Ele foi tentado por visões de mulheres lascivas. Realmente, requereu fome, orações incessantes, e flagelação para ser visitado por mulheres lascivas naqueles dias e ainda seguir a vida cristã perfeita.
O descomedido de imperativos ascéticos da Igreja convidou o deboche recíproco. A nobreza, quando não por massacrar, imposta ao mais curioso dos costumes, a jus primae noctis, que legitimou o estupro de mulheres camponesas recém-casadas. As cruzadas trouxeram especiarias e sífilis do Oriente – resumindo seu conhecimento da cultura árabe. O clero era tão abertamente corrupto e sensual que sucessivos papas eram forçados a reconhecer isso. “Por 1102, o conselho da igreja devia indicar especificamente que os padres devem ser degradados por sodomia e anametizado por ‘sodomia obstinada’”. Bispos e cardeais eram conhecidos por fuder por aí: “Um exemplo típico é o Bispo de Toul… cuja concubina favorita era sua própria filha com uma freira de Epinhal”. Os mosteiros e claustros eram desenfreados com homossexualidade, mas as freiras e os monges se reuniam ocasionalmente para fuder heterossexualmente.
Até o século 12 havia basicamente três tipos de relação com a Igreja. Havia os ascetas que fugiram das cidades para vaguear como animais no deserto e emulado São Simão, que fez uma pocilga como sua casa quando não esta no pilar. Os ascetas mortificado a carne enquanto aguardam destruição cataclísmica e ressurreição eterna. Havia nobreza, o clero, e os soldados, que se deleitavam em excessos de toda a espécie, e os servos que reproduziam, porque era sua única saída, e porque os nobres encorajavam o aumento do número de inquilinos. O último grupo, crucial nesse período, foram os hereges. Nos vários grupos do século 12, vendo as abominações do cristianismo com crescente horror, começou a expressar abertamente e mesmo em voz alta seu cetismo. Essas seitas desempenham um papel dominante na formação da ideia da Igreja do Diabo.
Os valdenses, maniqueístas e cátaros foram as principais seitas heréticas. É dito que “os valdenses foram queimados pelas práticas para as quais os franciscanos mais tarde foram canonizados”. O seu crime foi expor e debochar o clero como fraudes. Por sua devoção, eles sofreram o destino de todos os hereges, que era queimar. Mais influente e mais perigoso foram os maniqueístas, que traçaram suas origens aos persas Mani que foram crucificados em 276 a. C. Os maniqueístas adoravam um Deus, que incorporava tanto o bem quanto o mal, a antiga ideia do Zoroastro. Os cátaros, que eram igualmente criticados pelos cristãos, também adoravam esse princípio dual:
… o chefe com excelente qualidade dos cátaros foi sua piedade e caridade. Eles foram divididos em duas seções: os fiéis leigos comuns e os Perfecti, que acreditavam em completa abstinência e até mesmo o fim lógico de todo os ascetismos – o Endura – o repúdio apaixonado de humanidade física que os levou a fome e, até mesmo, o suicídio em massa. Eles adotaram maior parte dos ensinamentos cristãos e o dogma do Novo Testamento, misturado com o ritual gnóstico, usando o ascetismo como um fim às visões e outra consciência. Eles eram tão leais a suas crenças que John de Toulouse foi capaz de pleitear perante seus juízes em 1230… “Senhores: me escutem. Eu não sou um herege; pois tenho uma esposa e me deito com ela, e tenho filhos; e eu como carne e me deito e juro, e eu sou um cristão fiel”. Muitos deles parecem, de fato, ter vivido com a devoção estéril dos santos. Eles estavam em conformidade acusados por orgias sexuais e sacrilégio, e queimados, e açoitados, e atormentados. No entanto, a heresia floresceu, e os cátaros foram capazes de realizar conferências em termos de igualdade com os bispos ortodoxos.
A Santa Inquisição, em sua infância, exterminados os Cátaros, tentara, exterminar os judeus, e depois foram para exterminar os Cavaleiros Templários, a organização cristã de cavalaria e de conquista que se tornou muito poderosa e rica. Tinha se tornado independente de clero e de reis, e teve, assim, provocado a ira de ambos. Com essas experiências sub a sua cintura em expansão, a Inquisição só século 15 virou-se para a perseguição dos mais odiosos de todos os hereges, as bruxas, isto é, para todas aqueles que ainda se agarravam às velhas crenças do culto da Europa pagã.
Os maniqueístas e os Cátaros tinham, em ordem de contabilizar a existência do bom e do mal (a mais espinhosa das questões teológicas, endeusaram o bom e o mal. Os católicos, não capazes de aceitar essa solução, desenvolveram uma teologia complexa quanto a relação entre Deus e Diabo, agora chamado de Satã, que repousava na ideia estranha que Satã era limitado em formas específicas, mas muito admirável em todas as suas maquinações, maldições e condenações “com a permissão de Deus” e o testemunho da majestade divina de Deus. Aqui nós temos versão católica do pensamento em dobro. Através dos processos de lógica do famoso Aristóteles, adaptado por São Tomás de Aquino, que foi a base da teologia católica, agora se tornou claro que não acreditavam na existência literal de Satã, que era o equivalente ao ateísmo. O príncipe do mal, articulado pelos maniqueístas e os cátaros, foi absorvido pelo catolicismo, junto com a figura chifruda dos cultos pagãos, para produzir os chifres, as garras, o enxofre, o escuro, o fogo e o Satã sulfúrico dos iconógrafos medievais cristãos.
Mais tarde, Calvino e Lutero também fizeram suas contribuições. Lutero tinha maior contato pessoas com Satã que qualquer homem teve antes ou depois. Ele proclamou Satã o “Príncipe” deste reino terrestre e considerou todas as experiências terrenas sob sua dominação. Lutero e Calvino concordaram que as boas obras não contavam mais – apenas a graça divina para o eleito era suficiente para assegurar a entrada no Reino de Deus. Assim, a Reforma Protestante eliminou as menores medidas de esperança que o Catolicismo oferecia. O próprio Calvino foi um caçador de bruxas voraz e queimador.
Embora os protestantes contribuírem sem modéstia e com grande entusiasmo para o terror das bruxas, nós encontramos as origens das reais perseguições organizadas, não inesperadamente, na Bula de Inocêncio VIII, emitido em 9 de dezembro de 1484. O Papa nomeou Heinrich Kramer e James Sprenger como Inquisidores e pediu a eles para definirem bruxaria, descrito no modus operandi das bruxas, e padronizou os procedimentos de julgamento e condenação. A Bula papal revertida na posição prévia da Igreja, que foi formulado por um sínodo em 785 a. d.:
… se alguém, enganado pelo diabo, seguindo o costume das nações, acredita que algum homem ou mulher, é uma striga que como homens e por alguma razão queima ela ou a dá carne para comer, ou come-a, ele é punido com a morte.
A Igreja tinha em conformidade durante 7 séculos considerado a crença em bruxaria, uma crença pagã e a queima das supostas bruxas era um crime capital. Papa Inocêncio, entretanto, garantia a infabilidade papal e demonstrava verdadeira sensibilidade política (que levava a consolidação do poder), descrito em extenso sua preocupação:
Ele tem, de fato, vindo ultimamente para Nossos ouvidos, não sem afligir a Nós com amarga tristeza, que em algumas partes da Alemanha do norte, assim como em algumas províncias, distritos, territórios, e dioceses de Maiz, Cologne, Treves, Saltburg, e Bremen, muitas pessoas de ambos os sexos, sem se importar com sua própria salvação e se afastar da fé católica, terem se entregado aos demônios, íncubos masculino e súcubos feminino, e por seus encantamentos, feitiços, conjurações e outros encantos malditos e ofícios, ofensas enorme e horríveis, terem matado bebês ainda no ventre da mãe, assim como a descendência do gado, já criticado o produto da terra, as uvas do vinho, as frutas das árvores, ou melhor, homens e mulheres, bestas animais, animais de rebanho, assim como os animais de outros tipos, vinhedos, pomares, prados, pastagens, milho, trigo, e todos os outros cereais; esses miseráveis ainda afligem e atormentam homens e mulheres, bestas de encosto, animais de rebanho, assim como os animais de outras espécies, com terríveis e lastimáveis dores e doenças dolorosas, ambas internas e externas; eles impedem homens de realizarem atos sexuais e mulheres de conceber, de onde os maridos não podem saber de suas esposas, nem suas esposas de seus maridos; para além disso, eles blasfemando renunciaram que a fé que é deles pelo Sacramento do Batismo, e por instigação do Inimigo da Humanidade, eles não podem encolher por cometer e perpetuar as abominações mais vis e os excessos mais sujos ao perigo mortal de suas próprias almas, em que eles ultrajam a Majestade Divina e são a causa de escândalo e perigo para muitos.
Para lidar com a crescente onda de bruxaria e em conformidade com as ordens do Papa, Sprenger e Kramer colaboraram com o Malleus Maleficarum. Esse documento, um monumento da lógica aristotélica e metodologia acadêmica (citando e colando notas de rodapé para as “autoridades”, catalogaram as principais preocupações do século 15 da teologia católica:
Pergunta I: Se a crença que há seres como as bruxas é tão essencial a parte da fé católica que a obstinância em manter opiniões opostas que se manifestam para saborear a heresia (Resposta: Sim).
Pergunta III: Se as crianças podem ser geradas por íncubos e súcubos. (Resposta: Sim).
Pergunta VIII: Se bruxas podem estupidificar o poder da geração ou obstruir o ato venéreo. (Resposta: Sim).
Pergunta IX: Se as bruxas podem trabalhar alguma ilusão prestigiadora para que o órgão masculino pareça ser totalmente removido e separado do corpo (Resposta: Sim).
Pergunta XL: Que as bruxas que são parteiras em várias formas de matar crianças concebidas no útero e procuram aborto; ou se elas não fazem isso, oferecendo crianças recém nascidas para demônios (Resposta: Sim).
O Malleus também descreve o ritual e o conteúdo da bruxaria em si, embora na tradição do paternalismo indígena à Igreja, Sprenger e Kramer são cuidadosos para não formular encantos ou outras informações perigosas. Eles escrevem “dos vários métodos pelos quais os demônios através de bruxas seduzem e atraem os inocentes para aumentar os ofícios horríveis e companhia”; “da maneira pela qual um pacto formal com o mal é feito”; “como eles são transportados de lugar para lugar”; “aqui segue o caminho onde bruxas copulam com demônios conhecidos como íncubos”, etc. Eles documentam como bruxas ferem o gado, causam tempestades de granizo e tempestades, doenças em pessoas e animais, enfeitiçam os homens, se transformam em animais, transformam animais em pessoas, cometem atos de canibalismo e assassinato. A principal preocupação do Malleus é com os eventos naturais, a natureza, a real dinâmica do mundo que recusou a doutrina católica – o Malleus, com trágica teimosia, explica muitos aspectos da biologia, sexologia, medicina e tempo em termos demoníacos.
Antes de abordar o lugar de mulheres nesta peça cristã de história ocidental, a importância do Malleus em si precisa ser compreendida. Na Idade das Trevas, poucas pessoas liam e livros eram difíceis de encontrar. No entanto, o Malleus foi impresso em inúmeras edições. Foi encontrado em cada tribunal. Havia sido lido por todo juiz, cada um dos quais saberia capítulo e versículo. O Malleus tinha maior circulação que a Bíblia. Era teologia, era a lei. Para desconsiderar, para desafiar sua autoridade (“poços aparentemente inesgotável de sabedoria”, escreveu Montague Summers em 1946, o ano em que eu nasci) foi cometer heresia, um crime capital.
Embora a informação estatística sobre as perseguições de bruxas seja bem incompleto, há registros existentes para determinadas cidades e áreas que são precisas:
Em quase todas as províncias da Alemanha, a persecução se alastrou com intensidade crescente. Seiscentos foram ditos que foram queimados por um único bispo em Bamberg, onde a prisão para bruxas especial foi mantida totalmente equipada. Novecentos foram destruídos em um único ano no bispado de Wurzburg e em Nuremberg e em outras grandes cidades, houve uma ou duas centenas de queimadas por ano. Assim, havia na França e na Suíça. Mil pessoas foram mortas em um ano no distrito de Como. Remingius, um dos inquisidores, que foi autor de Daemonolavtia, e juiz em Nancy, se gabava de ter pessoalmente causado a queima de novecentas pessoas no decorrer de quinze anos. Delrio diz que quinhentas foram executados em Genbra em três terríveis meses em 1515. A Inquisição de Toulouse destruiu quatrocentas pessoas em uma única execução, e havia cinquenta em Douai em um único ano. Em Paris, execuções eram contínuas. Em Pyrenees, um país destruidor, a forma popular era que loup-garou e De L’Ancre em Labout queimou duzentos.
É estimado que ao menos 1.000 foram executados na Inglaterra, e na Escócia, País de Gales, e Irlanda foram ainda mais ferozes em suas limpezas. É difícil chegar a um valor para o conjunto do Continente e as Ilhas Britânicas, mas a estimativa mais responsável estima que sejam 9 milhões. Pode muito bem, algumas autoridades confirmam, ter sido muito mais. Nove milhões parece quase moderado quando se realiza que Os Abençoados Reichhelm de Schomgan no fim do século 13 computou o número do Diabo – conduzidos para serem 1.758.064.176. Um conservador, Jean Weir, médico cirúrgico de Duke de Clever, estimou um número ser apenas 7.409.127. A proporção de mulheres para homens executados foi por diversas vezes estimado a ser 20 a 1 e 100 a 1. Bruxaria era um crime de mulher.
Homens são, não surpreendentemente, mais prováveis de serem encantados. Sujeitos de maus desígnios de mulheres, eles foram vítimas aterrorizadas. Esses homens que foram condenados por bruxaria, contumazmente eram família de mulheres bruxas condenadas ou estavam em posição de poder civil ou tinham ambições políticas que conflitem com aqueles da Igreja, um monarca ou um dignitário local. Homens estavam protegidos de se tornarem bruxas, não apenas por virtude do intelecto superior e fé, mas porque Jesus Cristo, divindade fálica, morreu “para preservar o sexo masculino de tão grande crime: desde que Ele estava disposto a nascer e a morrer por nós, então Ele concedeu aos homens esse privilégio”. Cristo morreu literalmente por homens e deixou mulheres a se defenderem sozinhas do Diabo. Sem a intercessão pessoal de Cristo, mulheres permaneceram o que elas sempre foram na cultura judaico-cristã:
Agora a maldade das mulheres é dita em Eclesiástico XXV: Não há cabeça acima da cabeça da serpente: e não há ira acima da ira de uma mulher. Prefiro viver com um leão e um dragão do que manter a casa com uma mulher má. E entre muitos que naquele lugar precedem e seguem sobre a mulher má, ele conclui: Toda a maldade é mas pouco para a maldade de uma mulher. Pelo S. John Crisóstomo diz no texto. Não é bom se casar (São Mateus XIX): O que mais é uma mulher, se não um inimigo à amizade, uma punição inescapável, um mal necessário, uma tentação natural, uma calamidade desejável, um perigo doméstico, um prejuízo delicioso, uma natureza maligna, pintada com belas cores! … Cícero em seu segundo livro de A Retórica diz: Os muitos desejos dos homens os levaram para o pecado, mas um desejo da mulher a leva para todos os pecados; porque a raiz dos vícios de todas as mulheres é a avareza… Quando uma mulher pensa sozinha, ela pensa o mal.
A palavra “mulher” significa “o desejo carnal. E é dito: Eu encontre a mulher mais amarga que a morte, e a boa mulher é sujeita da luxúria”.
Outras características de mulheres são propícias ao pecado e ao companheirismo de Satã:
E a primeira é que, elas são mais crédulas… A segunda razão é, que mulheres são naturalmente mais impressionáveis, e mais prontas para receber a influência de um espirito desencarnado…
A terceira razão é que elas têm línguas escorregadias e são incapazes de esconder de suas companheiras mulheres essas coisas que o mal faz que elas conhecem; e como elas são fracas, elas encontram maneiras mais fáceis e secretas de reivindicarem elas mesmas na bruxaria…
… porque nesses tempos de perfídia é mais comum em mulheres que em homens, como nós aprendemos na experiência atual, se alguém é curioso para saber a razão, nós podemos acrescentar ao que já foi dito o seguinte: uma vez que elas são mais fracas, tanto em mente quanto em corpo, não é surpreendente que elas devem sucumbir mais aos feitiços da bruxaria.
Pois, quanto ao intelecto, ou o entendimento de coisas espirituais, elas parecem ser de natureza distinta daquela dos homens; um fato que é atestado pela lógica de autoridades, apoiada por vários exemplos das Escrituras. Terrence diz: Mulheres são intelectualmente como crianças.
Mulheres são por natureza instrumentos de Satã – elas são por natureza carnais, um defeito estrutural enraizado em sua criação original:
Mas a razão natural é que elas são mais carnais que os homens, como resulta de suas muitas abominações carnais. E deve notar-se que houve um defeito na formação da primeira mulher, uma vez que ela foi formada a partir de uma nervura dobrada, isto é, a nervura de peito, que é dobrado, como se fosse em uma direção contrária à de um homem. E uma vez que através desse defeito, ela é um animal imperfeito, ela sempre engana… E tudo isso é indicado pela etimologia da palavra; para Femina vem de Fe e Minus, uma vez que ela é sempre mais fraca para manter e preservar a fé. E isso no que diz respeito a fé é de sua própria natureza…
… Isto é, assim mesmo entre as mulheres santas, então o que ele deve ser entre outros?
Além disso, “mulheres também tem memórias fracas”, “mulheres vão seguir seus próprios impulsos mesmo se para sua própria destruição”, “quase todos os reinos do mundo têm sido derrubados por mulheres”, “o mundo agora sofre com a málica das mulheres”, “a mulher é bonita de se ver, contaminada ao toque, e mortal para se manter”, “ela é uma mentirosa por natureza”, “sua atitude, postularam e hábito… é a vaidade das vaidades”.
Mulheres são mais vividamente descritas como “mais amargas que a morte”:
E eu encontrei uma mulher mais amarga que a morte, que é uma caçadora de armadilhas, e seu coração é uma rede, e suas mãos são faixas. Aquele que agrada a Deus escapará dela; mas aquele que é pecador será encantado por ela. Mais amarga que a morte, isto é, que o Diabo…
Mais amarga que a morte, de novo, porque isso é natural e destrói apenas o corpo; mas o pecado que surgiu da mulher destrói a alma por priva-lo da graça, e entrega o corpo para o castigo do pecado.
Mais amarga que a morte, de novo, porque a morte corporal é um inimigo aberto e terrível, mas a mulher é um adulador e inimigo secreto.
e também:
E que ela é mais perigosa que a cobra que não fala das caçadoras de armadilhas, mas de demônios. Para homens que são capturados não apenas através dos seus desejos carnais, quando eles veem e ouvem mulheres: como S. Bernardo diz: Seu rosto é um vento ardente, e sua voz é o silvo de serpentes… E quando é dito que seu coração é uma rede, ele fala da malícia inescrutável que reina em seu coração…
Para concluir: Toda bruxaria vem do desejo carnal, que esta em mulheres insaciáveis. Veja o Provérbio XXX: há três coisas que nunca estão satisfeitas, sim, uma quarta coisa que não se diz, é o suficiente; isto é, a boca do útero.
Aqui a definição de mulher, em comum com a definição pornográfica, é a sua carnalidade; a essência de seu caráter, em comum com a definição de conto de fadas, é sua málica e avareza. As palavras fluem quase demasiado facilmente em nossa idade psicanalítica: estamos lidando com um terror existencial das mulheres, da “boca do útero”, decorrente de uma ansiedade primal sobre a potência masculina, ligada a um desejo de autocontrole (fálico); os homens têm profundamente enraizado medos de castração que são expressas como um horror do útero. Esses terrores formam o substrato de um mito de mal feminino, que, por sua vez justifica vários séculos de genocídio.
A evidência fornecida pelo Malleus e as execuções que enegreceram esses séculos, é quase sem limite. Uma preocupação particular era que os demônios roubaram sêmen (vitalidade) de inocentes homens que dormiam – bruxas sedutoras visitavam os homens em seu sono, e fez o terrível roubo. Como Ernest Jones escreveu:
A explicação para essas fantasias não é certamente difícil. Uma visita noturna de um ser belo ou apavorante que primeiro esgota o dorminhoco com abraços apaixonados e retira dele um fluido vital: tudo isso pode apontar apenas para um processo natural e comum, ou seja, emissões noturnas acompanhadas por sonhos de uma forma mais ou menos de natureza erótica. Na mente inconsciente, o sangue é geralmente o equivalente para o sêmen.
Para ser sonhado, muitas vezes terminou em lenta combustão na estaca.
A prova mais evidente da natureza explicitamente sexual das perseguições, no entanto, tinha a ver com um dos crimes mais frequentes das bruxas: elas lançam “encantos” sobre o órgão masculino para que ele desaparecesse completamente. Sprenger e Kramer foram bem longe para provas que bruxas não realmente removem o genital, apenas os fazem invisíveis. Se tal encanto dura menos de 3 anos, um casamento não pode ser anulado; se ele tema duração de 3 anos ou mais, é considerado um fato permanente e anula qualquer casamento. Católicos agora que procuram motivos para o divórcio, talvez devessem considerar usar esse.
Os homens perderam seus órgãos genitais com bastante frequência. Na maioria das vezes, a mulher responsável pela perda era uma amante, que maliciosamente se tornou uma bruxa. Se o homem enfeitiçado poderia identificar a mulher que o havia infligido, ele poderia exigir a reposição de seus órgãos genitais:
Um jovem homem que tinha perdido seu membro e suspeitava de certa mulher, amarrou uma toalha ao redor de seu pescoço, sufocou-a e exigiu que fosse curado. “A bruxa tocou ele com sua mão entre as coxas, dizendo: ‘Agora você tem o seu desejo’”. Seu membro foi imediatamente restaurado.
Muitas vezes, as bruxas, gananciosas por sua virtude de serem mulheres, não estavam satisfeitas com o roubo de um genital:
E qual é, então, a ser pensado dessas bruxas que, dessa forma, às vezes colecionam órgãos masculinos, como muitos como vinte ou trinta membros juntos, e colocam eles em uma cesta de pássaro ou fecha em uma caixa, onde eles se movem como membros vivos e comem aveia e milho, como já foi visto por muitos como uma questão de relatório comum?
Como podemos entender que milhões de pessoas por séculos acreditavam como verdade literal essas alegações aparentemente idiotas? Como podemos começar a compreender que essas crenças funcionavam como base de um sistema de jurisprudência que condenou 9 milhões de pessoas, a maioria mulheres, para ser queimado vivo? O texto literal do Malleus Maleficiaram, com sua frenética e psicótica ódio a mulher e o fato de 9 milhões de mortes, demonstra o poder do mito do feminino mal, revela como é dominante na dinâmica da cultura, mostra o absoluto terror primário que mulheres, seres carnais, tinham sobre homens.
Vemos no texto do Malleus não só o medo da perda de potência ou virilidade, mas dos próprios órgãos genitais – um medo da perda do pau e das bolas. A razão para este medo talvez possa ser localizada na natureza do ato sexual em si: os homens saem drenado de vitalidade, o pinto flácido. A perda de sêmen e o sentimento de fraqueza que é a sua conjunção biológica, tem extraordinário significado para homens. Na tradição hindu, por exemplo, postula que homens devem ou expelir o sêmen e, em seguida, limpa-lo de volta ao pinto, ou não ejacular tudo. Para aqueles homens ocidentais para quem orgasmo é simultâneo com a ejaculação, o sexo deve ser uma morte mais literal, com o misterioso, musculoso, puxado da vagina, o negociante da morte.
Para localizar as origens do mito do mal feminino na castração e potencial medos do sexo masculino não é tanto participar da visão do mundo de Freud, pois é para aceitar e aplicar o método do antropólogo e vincular o homens judaico-cristão com o australiano, africano, ou os primitivos de Trobriand. Para fazer isso é desafiar o egoísmo que informa a nossa atitude histórica em direção a nós mesmos e que nos separa do resto das espécies. Não há nada para indicar que a “civilização”, “cultura”, e/ou o cristianismo te de forma algum moderado o terror masculino primário de castração. Muito pelo contrário, história pode até ser definida como o estudo da expressão concreta desse medo.
Os cristãos na sua variedade coletora continuando a tradição judaica altamente desenvolvida na misoginia, o patriarcado e supressão sexista, alternativamente conhecido como o hype do Jardim do Éden. O mito da criação de Adão e Eva é o mito básico do homem e da mulher, criação, morte e sexo. Há uma outra lenda judaica, ou seja, a de Adão e Lilith, que nunca assumiu aquele lugar porque implica outro, não sexista, valor não-patriarcal. O relato de Gêneses de Adão e Eva no Éden envolve, de acordo com a Hays, três temas: “a transição da vida primitiva para a civilização, a vinda da morte, e a aquisição de conhecimentos”. Como Hays aponta, Adão foi dito por Deus, o Pai que, se ele come da Árvore do Conhecimento, ele vai morrer. A serpente diz a Eva que ele e Adão não vão morrer. A serpente, como se verifica, disse a verdade imediata: Adão e Eva não tombam mortos; ao invés, eles se conhecem carnalmente.
O sexo é, biblicamente falando, a única fonte de civilização, morte e conhecimento. Como punição, Adão deve ir trabalhar e Eva deve conceber filhos. Nós temos aqui o início da família humana e a ética do trabalho, ambos vinculados a culpa e a repressão sexual em virtude de suas origens. Pode-se postular, com toda a garantia de uma manhã de segunda feira, que Adão e Eva sempre foram mortais e carnais e que após comer a fruta proibida, só se tornou consciente de sua condição tinha sido sempre assim. Deus nunca foi muito direto com as pessoas.
Se a moral precisa da história é que a morte é uma punição direta para o conhecimento carnal (o que pode tornar a culpa um corolário epistemológico) ou que a consciência do sexo e da morte são coincidentes, o fato do homem saber e sentir culpa esta enraizada no conteúdo edipiano da legenda. Em um patriarcado, não se desobedece o pai.
O legado de Adão pós-Éden é o conhecimento sexual, a mortalidade, a culpa, o trabalho, e o medo da castração. Adão se tornou o macho humano, o chefe de uma família. Seu pecado foi menor do que a de Eva, aparentemente pode definição novamente. Mesmo no Paraíso, a libertinagem, a infidelidade, a carnalidade, a luxuria, a avareza, a inferioridade intelectual e uma estupidez metafísica destina seu personagem. No entanto, seu pecado foi maior do que de Adão. Deus tinha, na sua sabedoria, observado normalmente, criado ela de uma forma que a deixou sem defesas contra as astutas ciladas da cobra – a cobra se aproximou dela por essa mesma razão. No entanto, ela é responsável pela queda. O pensamento dobrado é claramente bíblico em suas origens.
O legado de Eva era uma maldição dupla: “E à mulher disse: ‘Multiplicarei grandemente a dor e a angústia; em dor, você dará à luz a filhos; teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará’”. Assim, o ciclo menstrual e a agonia tradicional de parto não comprometem a punição total – patriarcado é a outra metade de antiga maldição.
Os cristãos, é claro, como Avis, tentaram mais, vendo uma mulher como a raiz de todo o mal, limitando-a a reprodução mais pecadora para a Igreja a salvar. Não é de se admirar que mulheres permanecem fiéis seguidora dos cultos totêmico mais velhos da Europa Ocidental que homenageou a sexualidade feminina, deificado os órgãos genitais e capacidade reprodutiva e reconheceu a mulher como poder regenerativo da natureza. Os rituais desses cultos, centrando como fizeram na potência sexual, nascimento e fenômenos ligados à fertilidade, tinha sido desenvolvido por mulheres. A magia era a substância do ritual, o conteúdo da crença. A magia das bruxas estava no catálogo imponente de habilidades médicas relativas a reprodução, processos psicológicos, um conhecimento sofisticado de telepatia, auto e hetero sugestão, hipnose e drogas controladoras de humor. Mulheres conheciam a natureza medicinal das ervas e desenvolveram fórmulas para usa-los. As mulheres que eram fieis aos cultos pagãos desenvolveram a ciência da medicina biológica, utilizando a vegetação antes que houvesse qualquer noção da profissão de medicina. Paracelso, o médio mais famoso da Idade Média, afirmou que tudo o que ele sabia graças a “boa mulher”.
Experiências com ervas, as mulheres aprenderam que aqueles que matariam quando administrado em doses elevadas tinham poderes curativos quando administrados em quantidades menores. Infelizmente, é como envenenadoras que as bruxas são lembradas. As bruxas usavam drogas como beladona e acônito, anfetaminas orgânicas e alucinógenos. Elas também foram pioneiras no desenvolvimento dos analgésicos. Elas realizavam abortos, desde toda a ajuda médica para nascimentos, foram consultadas em casos de impotência que eram tratados com ervas e hipnotismo, e foram as primeiras praticantes de eutanásia. Uma vez que a Igreja reforçou a maldição de Eva por ser recusar a permitir que qualquer alívio da dor do parto, ela foi deixada para as bruxas diminuírem a dor e mortalidade da melhor forma possível. Foi especialmente como parteiras que essas mulheres aprenderam que mulheres ofendem a Igreja, pois, como Sprenger e Kramer escreveram, “Ninguém faz mais mal à Fé Católica que parteiras”. A oposição católica ao aborto centrado especificamente sobre a maldição bíblica que fez engravidar um castigo doloroso – não tinha a ver com o “direito à vida” do feto. Também foi dito que as parteiras foram capazes de remover as dores do parto da mulher e transferia essas dores ao marido – claramente em violação da ordem divina e a intenção de ambos.
As origens do conteúdo mágico dos cultos pagãos podem ser rastreadas até as fadas, que eram verdadeiras, pessoas do neolítico, de menor estatura que os nativos do norte da Europa ou da Inglaterra. Eles eram um novo pastoril que não tinham conhecimento da agricultura. Eles fugiram antes de mais forte, tecnologicamente mais avançados assassinos e missionários que tinham desprezo pela sua cultura. Eles montaram comunidades nas ilhas e escondeu suas casas em montes meio escondidos no chão. As fadas desenvolveram essas habilidades mágicas para os quais as bruxas, séculos mais tarde, foram queimadas por.
A organização sócio religiosa da cultura das fadas era matriarcal e provavelmente poliândrico. A cultura das fadas era ainda inexistente na Inglaterra até o século 17, quando até mesmos as crenças pagãs das primeiras bruxas tinham degenerado em paródia cristã que nós associamos com o Satanismo. Os cristãos reconheceram justamente as fadas como antigos, feiticeiros originais, mas erradamente, viram toda a sua cultura como uma expressão do demoníaco. Não havia comunicação entre as fadas e as mulheres pagãs, e qualquer evidência de que uma mulher tinha visitado as fadas era considerado certo a prova de que ela era uma bruxa.
Havia, então, três separados, embora inter-relacionados, fenômenos: a corrida de fadas com sua organização social matriarcal, o seu conhecimento de magia esotérica e da medicina; os cultos de fertilidade orientada a mulheres, também praticantes de magia esotérica e da medicina; e, mais tarde, os cultos de bruxaria diluíram, degeneraram em paródias do Cristianismo. Há uma especial confusão quando se tenta distinguir entre os dois últimos fenômenos. Muitas das mulheres condenadas pela Inquisição eram verdadeiras devotas da Antiga Religião. Muitos ficaram confusos com a militância cristã e agressão, para não mencionar a tortura e ameaça de queima, e viu-se como diabólica, bruxas condenadas.
Uma compreensão de que a Antiga Religião realmente era, como funcionava, é crucial se quisermos compreender a natureza precisa da caça as bruxas, a quantidade e o tipo de distorção que o mito do mal feminino tornou possível, que as mulheres eram que estavam sendo queimadas, e o que elas realmente tinham feito. A informação disponível vem principalmente das confissões de bruxas acusadas, gravadas e distorcidas pelos inquisidores, e do trabalho de antropólogos como Margaret Murray e C. L’Estrange Ewen. O cenário dos cultos de bruxaria é reunido a partir dessas fontes, mas muitas peças estão faltando. Um monte de conhecimento desaparece com 9 milhões de pessoas.
A religião foi organizada com integridade geográfica. Comunidade tinham suas próprias organizações, principalmente estruturado em conven, com os cidadãos locais como administradores. Haviam reuniões semanais que tomaram conta dos negócios – eles foram chamados de esbats. Em seguida, havia reuniões maiores, chamados de sabbat, onde muitos covens se reuniam para as festividades totêmicas. Pode ter existido uma organização continental real com uma cabeça toda poderosa, mas as evidências sobre este são ambíguas. Era uma religião proselitista, em que os não-membros foram abordados por autoridades locais e pediu para entrar. Condições da filiação em um coven foram o consente livre do indivíduo, renúncia de todas as outras crenças e lealdades (em especial a renúncia de qualquer lealdade a nova Fé Católica), e uma declaração de fidelidade ao Deus Chuifrudo. Afiliação foi contratual, ou seja, um membro assinou um contrato real que limitou suas obrigações para com o culto a um determinado número de anos, no final do qual ela estava livre para finalizar a lealdade. Na maioria das vezes o Diabo “prometeu a ela dinheiro e que ela iria viver galantemente e ter o prazer do mundo…” As dívidas dos neófitos provavelmente foram pagas e que, sem dúvida, também aprendeu os segredos da medicina, drogas, telepatia e saneamento simples, que teria melhorado consideravelmente todos os aspectos da sua existência terrena. Foi somente de acordo com a Igreja que perdeu sua alma como parte da barganha. E, escusado dizer que, era a Igreja, e não o Diabo que tirou a vida dela.
Uma vez que o neófito tomou a decisão para o deus chifrudo, ela passou por uma iniciação formal, muitas vezes realizado no sabbat. A cerimônia foi simples. A iniciada declarou que ela foi se juntar ao coven por sua própria vontade e jurou devoção ao Mestre do coven que representava o deus chifrudo. Ela foi, então, marcada com algum tipo de tatuagem que foi chamado de marca das bruxas. O infligir da tatuagem foi doloroso e o processo de cicatrização foi longa. Quando curado, a cicatriza era vermelho ou azul é indelével. Um método particularmente favorecido pelos caçadores de bruxas, quando a caça era levar uma mulher suspeita, raspar seus pelos púbicos e outros (incluindo o cabelo, as sobrancelhas, etc) e, ao encontrar aquela cicatriz, julgá-la culpada de bruxaria. Além disso, a existência de qualquer mamilo extranumerário, comum em todos os mamíferos era prova de culpa.
A iniciada era frequentemente dada um novo nome, especialmente se ela tinha um nome de batismo como Maria ou Graça. As crianças, quando atingiram a puberdade, foram iniciadas no conciliábulo – pais, naturalmente, queriam que seus filhos compartilhassem da religião da família. A Inquisição foi tão cruel com as crianças como foi com adultos. Há histórias de crianças que estão sendo chicoteados como suas mães estavam sendo queimadas – prevenção, que foi chamado.
A cerimônia religiosa, que foi o principal contente do sabbat, incluindo dançar, comer e fuder. Os adoradores prestaram homenagem ao deus chifrudo por beijar o seu representante, o mestre do clã, em qualquer lugar que ele indicava. O beijo geralmente era na bunda do mestre – designado, alguns dizem, para provocar a antisodomia dos cristãos. Esse beijo ritual possivelmente foi colocado em uma máscara que a figura trajava – máscaras, chifres, usar pele de animais, e provavelmente falo artificial – estavam em baixo de sua cauda. O disfarce evoca a antiga duas caras Janus.
As bruxas dançavam danças anelares em direção oposta ao caminho do sol, um antigo ritual simbólico. Os Luteranos e os Puritanos proibiram danças porque evocavam para eles o espetáculo da adoração pagã.
Após a dança, as bruxas comiam. Muitas vezes elas traziam sua própria comida, em vez da tradição de piquenique, e às vezes o líder do conven providenciava uma ceia. Os cristãos alegaram que as bruxas eram canibais e que o seu jantar foi uma orgia de carne humana, cozida e decorada como só o Diabo sabia como. Na verdade, a ceia comum a todos os sabbats era uma refeição simples de alimentos pedestres.
Toda a noção de canibalismo e sacrifício tem sido teimosamente, persistentemente, e propositalmente mal entendido. Não há evidência de que qualquer criança que vive foi morta para ser comido, ou que qualquer criança que vive foi sacrificada. Há evidências de que as crianças às vezes mortas foram ritualmente comidas ou usadas em rituais. Canibalismo, e seu substituto não tão simbólico, o sacrifício de animais, era uma parte vital do ritual de todas as religiões iniciais, incluindo a judaica. As bruxas participaram desta tradição modestamente: geralmente sacrificando uma cabra ou uma galinha. Foram os cristãos que desenvolveram e estenderam o sistema do Velho Mundo de sacrifício e canibalismo para fins quase surreais: Cristo, o cordeiro de sacrifício, que morreu uma morte agonizante na cruz para garantir o perdão dos pecados dos homens e cujos seguidores simbolicamente, ainda hoje, comem sua carne e bebem o seu sangue – o que é a Eucaristia se não canibalismo fossilizado?
A atividade final do sabbat era uma orgia fálica – nações, sexo comum, auxiliado por drogas. O sexo do sabbat distingue-se por descrições de dor. Diz-se que a relação sexual foi dolorosa, de que o falo do líder coven mascarado estava frio e de grandes dimensões, que nenhuma mulher jamais conceberia. Parece que a figura de chifres utilizava um falo artificial e poderia servir a todos os celebrantes. A Antiga Religião, em oposição à religião cristã, comemorava a sexualidade, a fertilidade, a natureza e lugar da mulher na mesma, e sexo comunal era um rito lógico e mais sagrado.
A adoração de animais também é indígena para sistemas religiosos para sistemas religiosos baseados na natureza. Pessoas primitivas existem entre os animais, pouco distintos deles. Através do ritual religioso, as pessoas se diferenciaram a partir de animas e deu honra a eles – eles eram alimento, sustento. Havia um respeito pelo mundo natural – pessoas eram caçadoras e caçados simultaneamente. Sua perspectiva era aguda. Eles adoravam o espirito e o poder que eles viam ser manifestados no mundo dos carnívoros que eles eram parte integrante. Quando o homem começou a ser “civilizado”, para separar-se da natureza, a colocar-se acima e além da mulher (ele se tornou mente, ela se tornou carnalidade) e outros animais, ele começou a buscar o poder sobre a natureza, controle mágico. Os cultos das bruxas ainda tinham um forte senso de pessoas como parte da natureza, e os animais mantinham primordialmente o lugar, tanto o ritual e como a consciência para as bruxas. Os cristãos, que tinham um ódio profundo e compulsivo para o mundo natural, pensaram que as bruxas, por malícia um desejo de poder (projeção pura, sem dúvida), tinham mobilizado a natureza e os animais em um exército robótico anticristã. Os caçadores de bruxas estavam convencidos de que sapos, ratos, cães, gatos, ratazanas, etc, recebiam ordens de bruxas, carregava maldições de uma fazenda para outra, causou morte, histeria e doenças. Eles achavam que a natureza era um enorme rastreamento conspiratório contra eles, e que a conspiração foi organizada e controlada por mulheres más. Eles podem de fato ser creditado com pioneira a política da paranoia total – eles desenvolveram um modelo clássico para que a patologia particular que tem como consequência lógica, o genocídio. Seus métodos de lidar com a ameaça bruxa foram desenvolvidos empiricamente – eles tinham grande respeito pelo que faziam. Por exemplo, quando se suspeita de uma mulher de feitiçaria, eles iram tranca-la em um quarto vazio por vários dias ou semanas e se qualquer criatura viva, qualquer inseto ou aranha, entrou naquela sala, aquela criatura foi identificada com a mulher familiar, e ela foi provada culpada de bruxaria. Naturalmente, dado o fato de que os erros estão em toda parte, especialmente na madeira, este teste de culpa sempre funcionou.
Os gatos foram particularmente associados com as bruxas. Essa associação é baseada no antigo significado totêmico do gato:
É bem conhecido que, os gatos egípcios eram sagrados. Eles foram considerados como encarnações de Isis e houve também uma divindade gato… Através de Osiris (Ra) foram associados com o sol; os raios do “gato solar”, que foi retratado como matar as “serpentes das trevas” em cada amanhecer, foram acreditados para produzir fecundidade na natureza, e assim os gatos também foram associados com Hathor, uma deusa com cabeça de vaca, e, portanto, com culturas e chuva…
Ainda mais forte, no entanto, foi a associação de gato com a lua, e, portanto, ela era uma deusa virgem – ume encarnação da mãe virgem. Em sua personagem como uma deusa da lua, ela era inviolável e auto renovável… o círculo que se forma em uma posição enrolada é visto como o símbolo para a eternidade, uma recriação sem fim.
Os cristãos não só converteram o deus chifrudo em Satã, mas também o gato sagrado em encarnação demoníaca. As bruxas, em aceitação familiares e particularidade em seus sentimentos especiais por gatos, apenas participou da na antiga tradição que tinha como amor substância e respeito pelo mundo natural.
Acreditava-se também que a bruxa poderiam transformar-se em um gato ou em outro animal. Esta noção, chamada de licantropia, é dupla:
… ou a crença de que uma bruxa ou um diabo em forma de pessoa temporariamente assume uma forma animal, a devastar ou destruir; ou, para que criar um animal “duplo” em que, deixando o corpo humano sem vida em casa, ele ou ela podem passear, aterrorizar, ou ripar a humanidade.
As origens da crença em licantropia podem ser atribuídas a rituais de grupo em que celebrantes, fantasiados como animais, recriavam movimentos de animais, sons, mesmo a caça e padrões. Como ritual de grupo, essas celebrações seriam pré-históricas. As próprias bruxas, através do uso da beladona, acônito e outras drogas, sentem que eles se tornaram animais. O efeito da crença em licantropia na população em geral era elétrico: um cão vadio, um gato selvagem, um rato, um sapo – todos eram bruxas, agentes de Satanás, trazendo a eles seca, doença e morte. Qualquer animal no ambiente era perigoso, demoníaco. A lenda do lobisomem (popularizado na fábula Red Riding Hood) causou terror. No Labout, duas centenas de pessoas foram queimadas como lobisomens. Havia inúmeras histórias de agricultores atirando em animais que foram os assolar no meio da noite, apenas para descobrir na manhã seguinte que a matrona respeitável da cidade havia sido ferida exatamente da mesma forma.
Bruxas, é claro, também podiam voar em vassouras, e muitas vezes o fez. Antes de ir para o sabbat, eles ungiam seus corpos com uma mistura de beladona e acônito, o que causava delírio, alucinação, e dava a sensação de voar. A vassoura era um símbolo quase arquetípico da feminilidade, como o forcado era da masculinidade. Levitação foi considerado um fato raro, mas verdadeiro:
Quanto à sua história, é uma das primeiras condenações, comum a quase todos os povos, que não só os seres sobrenaturais, anjos ou demônios, voar ou flutuar no ar à vontade, mas tão pode aqueles humanos que invocam sua assistência. Levitação entre os santos era, e pelos devotos é, aceito como um fato objetivo. O exemplo mais famoso é o de São José de Cupertino, cujos voos êxtase (e ele empoleirada nas árvores) causou constrangimento no século 17. No entanto, a aparência do voo, em transe celestial, oi reivindicado por toda a história da Igreja, e não apenas para tais figuras notáveis como São Francisco, Santo Inácio de Loyola, ou Santa Teresa… Na Idade Média, foi considerado como uma maravlha, mas firmemente estabelecida uma… não é, portanto, de todo notável que acreditava-se que bruxas voavam… Embora a Igreja proibiu expressamente, durante o reinado de Carlos Magno, qualquer crença de que as bruxas voavam.
Com a típica consistência, então, a Igreja disse que os santos podiam voar, mas as bruxas não podiam. Sobre o que ligava as bruxas, eles confiaram em sua experiência, que elas sabiam voar. Aqui eles alinharam-se com os santos cristãos, iogues, místicos de todas as tradições, na realização de um fenômeno tão antigo que parece estender quase até as origens do impulso religioso nas pessoas.
Nós sabemos agora que a maioria do que pode ser conhecido sobre as bruxas: quem eram, o que elas acreditavam, o que elas fizeram, a visão delas da Igreja. Nós vimos as dimensões históricas de mito do mal feminino que resultou no abate de 9 milhões de pessoas, quase todas mulheres, por 300 anos. A evidência real de que o abate, a lembrança dele, foi suprimida durante séculos para que o mito da mulher como a Criminosa Original, a boca aberta, ventre insaciável, poderia suportar. Aniquilada com 9 milhões foi a cultura inteira centrada na mulher, centrada na natureza – todos do seu conhecimento de foi, todo o seu conhecimento foi destruído. Os historiadores (brancos, homens, e totalmente sem credibilidade para as mulheres, índios, negros e outros povos oprimidos como eles começam a procurar as cinzas de seu próprio passado) encontrou o massacre das bruxas demasiado insignificante para incluir nas crônicas desses séculos, exceto como nota de rodapé, também sem importância para ser visto como a substância desses séculos – eles não reconheceram os séculos de genocídio, eles não registraram a angústia dessas mortes.
Nosso estudo de pornografia, o nosso jeito de viver a vida, nos diz que o mito do mal feminino vivida tão resolutamente pelos cristãos da Idade das Trevas, está vivo e bem, aqui e agora. Nosso estudo da pornografia, o nosso jeito de viver a vida, nos diz que, embora as bruxas estejam mortas, queimadas vivas na fogueira, a crença no mal feminino não é, o ódio da carnalidade feminina não é. A Igreja não mudou suas instalações; a cultura não refutou essas instalações. Cabe a nós, as herdeiras desse mito, para destruí-lo e as instituições baseada nele.

Parte Quatro
ANDROGINIA
Quando a energia sexual das pessoas é libertada, eles vão quebrar as correntes.
A luta para quebrar a forma é primordial. Porque, ao contrário, nós somos contaminamos em formas que nos negam as possibilidades de realizar a forma (a técnica) para fugir do fogo em que nós somos consumidos.
A jornada para o amor não é romântica.
Julian Beck, The Life of the Theatre
Nós queremos destruir o sexismo, isto é, as definições polares de masculino e feminino, de homem e mulher. Nós queremos destruir o poder patriarcal em sua fonte, a família; em sua mais hedionda forma, o Estado-nação. Nós queremos destruir a estrutura da cultura como a conhecemos, sua arte, suas igrejas, suas leis: todas as imagens, instituições e conjecturas estruturais mentais que definem mulheres como tubos de buceta molhadas, fendas quentes.
A mitologia andrógina nos providencia um modelo que não usa definições polares, onde as definições não são, implícitas ou explicitas, masculino = bom, feminino = mal, homem = humano, mulher = outro. Mitos da androginia são modelos mitológicos de multissexual. Eles vão mais além da bissexualidade como nós conhecemos em cenários que sugerem para construção da comunidade, devido a realização em sua maior expressão de possibilidade sexual humana e criatividade.
Androginia como um conceito tem nenhuma noção de repressão sexual incorporada a ela. Onde mulher é carnalidade, e carnalidade é mal, é lógico (razão granizo!) que mulheres devem ser açoitadas, chicoteadas, punidas, purgadas; que fuder é vergonhoso, proibido, temido, culpado. Androginia como base de identidade sexual e vida comunitária não fornece esses imperativos. Liberdade sexual e liberdade para as mulheres biológicas, ou todas as pessoas “femininas”, não são separáveis. Que eles são diferentes, e que liberdade sexual tem prioritariamente sido o pior de todos os hypes sexistas. Androginia pode mostrar a forma para ambos. Pode ser o único caminho para a liberdade para as mulheres, homens, e para a maioria emergente, o resto de nós.

CAPÍTULO 8
Androginia: O modelo mitológico
É uma questão de encontrar o modelo certo. Nós nascemos em um mundo em que as possibilidades sexuais são estritamente circunscritas: Cinderela, Branca de neve, Bela adormecida; O, Claire; amor romântico e casamento; Adão e Eva, a Virgem Maria. Esses modelos são mensagens substantivas dessa cultura – elas definem os arranjos psicológicos e padrões de interação social que, em nossa personalidade adulta, nós vivemos a fora. Nós funcionamos dentro de um cenário sócio religioso de certo e errado, bom e mal, lícito e ilícito, legal e ilegal, tudo saturado de vergonha e culpa. Nós somos programados pela cultura tão certamente como ratos são programados a fazer o árduo caminho através do labirinto do cientista, e que a programação opera em todos os níveis de escolha e ação. Por exemplo, nós vimos como o ethos romântico é relacionado a forma como mulheres se vestem e cosmetizam seus corpos e como esse comportamento regula mobilidade física literal das mulheres. Pegue qualquer aspecto de comportamento e pode-se encontrar a fonte da resposta programada na estrutura cultural. As preocupações obsessivas do homem ocidental com a liberdade metafísica e política é quase risível nesse contexto.
Psicólogos profundos consideram homem o centro do mundo – sua psique é o universo primário que governa, muito diretamente, o universo secundário, distinto desse, por natureza; filósofos consideram homem, na parte fragmentada, altamente superestimada chamado intelecto, o centro do mundo natural, na verdade é seu único membro significativo, artistas consideram homem, isolado em sua função criativa, o centro do processo criativo, da tela, do poema, um engenheiro da cultura; políticos consideram homens, representados por sua organização sociopolítica e seus exércitos, o centro de qualquer poder planetário que possa ser relevante e significativos; religiosos consideram Deus um homem substituto, criado precisamente da imagem do homem, apenas assim para ser o pai da família humana. A noção do homem como parte do mundo natural, integrada nele, de forma distinta (não mais) como a tarântula, em função tão importante (não mais) como o mel de abelha ou árvore, em um eclipse, e que o eclipse se estende não por uma década, ou por um século, mas por toda a história escrita. A arrogância que informa a relação do homem com a natureza (simplesmente, ele é superior a isso) é precisamente a mesma arrogância que informa seu relacionamento com mulheres (simplesmente, ele é superior a ela). Aqui nós vemos a equação completa: mulheres = carnais = natureza. A separação do homem da natureza, homens colocando a si mesmo sobre e acima deste, esta diretamente responsável para situação atual ecológica que pode levar a extinção várias formas de vida, incluindo a vida humana. Homem tem tratado a natureza da mesma forma que ele tem tratado mulher: com estupro, pilhagem, violência. O mundo fenomenológico é caracterizado por sua diversidade, a complexidade e a reciprocidade em suas interações, a única chance do homem de sobreviver no mundo consiste em encontrar o relacionamento adequado com ele.
Em termos de relação inter-humana, o problema é similar. Como indivíduos, nós experenciamos nós mesmo como centro de qualquer mundo social que habitamos. Nós pensamos que nós somos livres e recusamos a ver que nós somos funções de nossa cultura particular. Essa cultura já não nos reflete organicamente, não é a nossa soma total, não é a fenomenologia coletiva de nossas possibilidades criativas – nos possui e nos governa, nos reduzem obstrui a fluidez de energia e atividade sexual e criativa, penetra até em o que Freud chama de id, nos causa pesadelos formado por nosso desejo natural. Em ordem de atingir a balança adequada em interação inter-humana, nós devemos encontrar formas de mudar a nós da cultura que nos define como agentes em naturalmente seres definidos. Nós devemos encontrar formas de destruir persona culturais impostas em nossas psiques e nós devemos descobrir formas de relacionamento, comportamento, seres sexuais e interações, que são compatíveis com nossas possibilidades inerentes e naturais. Nós devemos nos afastar das definições perversas, bidimensional que decorrem da repressão sexual, que é a fonte da opressão social, e avançar em direções criativas, cheia de modos, multidimensional da expressão sexual.
Essencialmente o argumento é esse: nós olhamos o mundo que nós habitamos e nós vemos desastres em todo lugar; polícias, prisões e hospitais mentais transbordando de pessoas; alienação de trabalhadores de seus trabalhos, mulheres e homens entre si, crianças da comunidade adulta, governos desdenhosos de seu povo, pessoas cheias de intenso auto ódio; violência de rua, assalto, estupro, assassinos contratados, assassinos psicóticos; aquisição enlouquecido, poder e riqueza concentrados; a fome, desejo, inanição, campos cheios de refugiados. Esses fenômenos marcam a distância entre homens civilizados e homens naturais, homens tribais, cujos padrões sociais e sexuais funcionam em formais mais integradas e balanceadas. Nós sabemos como é agora, e nós queremos saber como era antes. Enquanto nós não podemos reconstruir o momento que humanos emergem em evolução em reconhecível humanidade, ou analisam essa pessoa a ver que experiência foi essa, enquanto nós não buscamos simular rituais e formas sociais de pessoas tribais, ou penetrar em e depois imitar a dinâmica no relacionamento das pessoas primitiva tinham com o resto do mundo, enquanto nós não podemos nem saber o que aconteceu antes com o resto do mundo natural, enquanto nós não podemos saber muito o que aconteceu antes das pessoas fazerem cerâmica e construir cidades, enquanto nós não podemos (e talvez não iríamos) obliterar o conhecimento que nós temos (de viagem espacial e vacinas contra poliomielite, cimento e Hiroshima), nós ainda podemos encontrar existentes na cultura, ecos do tempo distante quando pessoas foram mais unidade, figurativa e literalmente. Esses ecos refletem um período do desenvolvimento humano quando pessoas funcionavam como parte do mundo natural, não contra ele; quando homens e mulheres, machos e fêmeas, eram o que quer que fossem, não opostos polares, separados por vestidos e papeis em castas, pedaços fragmentados de algum mundo a-não-ser-imaginado.
Nos anos recentes, os psicólogos em particular têm se voltado para os povos primitivos e situações tribais em um esforço para penetrar a dinâmica básica do masculino e feminino. O esforço mais notável foi feito por Jung, e é necessário afirmar que, admirável como outros de seus trabalhos por vezes são, Jung e seus seguidores tem carregado a bagagem do dualismo patriarcal e sexual com eles em sua busca. Jung descreve o masculino e o feminino nos termos absolutos nativas da cultura, como arquétipos prévios da psique. Masculino é definido como autoridade, a lógica, a ordem, o que é Saturno e encarna os valores de consoantes do patriarcado; feminino é definido como emocional, receptivo, anárquico, câncer. Matriarcado precede o patriarcado, porque os valores patriarcais (particularmente a necessidade de organização complexa) informa que as sociedades avançadas, enquanto que os valores femininos informam mais sociedades tribais primitivas. Tanto quanto os homens e mulheres individuais estão em causa, a psique masculina tem um componente feminino (o subconsciente), que é anárquico, emocional, sensível, lunar, e a personalidade feminina tem um componente masculino (o consciente, ou mente) que pode ser definida como uma capacidade de pensamento lógico. Claro, as mulheres biológicas são governadas, ao que parece, pelo subconsciente; homens são governados, não surpreendentemente pelo consciente, mente, intelecto. Pode-se imaginar um tempo e lugar onde o intelecto não é valorizado acima do anárquico, emocional, sensível – solidão: mas isso seria tipo o mais gratuito das fantasias. Jung nunca questionou a arbitrariedade culturas dessas categorias, nunca olhou para eles para ver as suas implicações políticas, nunca soube que eles eram sexistas, que ele funcionava como um instrumento de opressão estrutural.
No livro Mistérios da mulher: Antigos e Modernos, M. Esther Harding, uma aluna ao longo da vida de Jung e uma patrona de C. G. Jung Institute, aplica a ontologia junguiana com um estudo da mitologia. Tomando a lua, Luna, como o patrono das mulheres (ignorando qualquer imagem masculina associada com a lua, e estas imagens é substancial; ignorando qualquer imaginário feminino conectado com o sol, e essa imagem é substancial), Harding, em última análise identifica o sexo feminino com o demoníaco, como fez a Igreja Católica:
Mas se ela vai parar o tempo suficiente para olhar para dentro, ela também pode tornar-se consciente dos impulsos e pensamentos que não estão de acordo com as suas atitudes consciente, mas são o resultado direto do bruto e ser feminino selvagem dentro dela. Para a maior parte, no entanto, uma mulher não vai olhar para estes segredos obscuros de sua própria natureza. É muito doloroso, mina o caráter consciente, que ela construiu para si mesma; ela prefere pensar que ela é realmente é como ela parece ser. E, de fato, é a sua tarefa para ficar entre o Eros que esta dentro dela, e o mundo de fora, e através de sua própria adaptação feminina ao mundo para o fazer humano, por assim dizer, o poder demoníaco do princípio feminino não-humano.
Eros, o subconsciente, o fluxo de energia sexual humano – descrito como os queimadores de bruxas descreveu, “o poder demoníaco do princípio feminino não-humano”. Harding é absolutamente representativo do ponto de vista de Jung.
É uma consequência natural dessa postura dualista que macho e fêmea são colocados uns contra os outros e que o conflito é o modo de dinâmica de relacionamento aberto a homens e mulheres, machos e fêmeas, quando eles se encontram:
Estas discrepâncias em suas atitudes são dependentes do fato de que a constituição psíquica de homens e mulheres é essencialmente distinta; eles são opostos, espelhos um do outro… Assim que a natureza e os valores essenciais são diametralmente opostos.
Estes conjuntos masculino e femininos são definidos como arquétipos, incorporado em uma inconsciente e coletiva estrutura dada a realidade. Eles são opostos polares; seu modo de interação é conflito. Eles não podem entender um ao outro, porque eles são absolutamente diferentes: e, claro, é sempre mais fácil de fazer violência para algo diferente, algo cuja “natureza e valores” são outros. (As mulheres nunca entenderam quem elas são, por definição, Outros, não-homens, portanto, não-humanos. Mas os homens experimentam as mulheres como sendo totalmente oposta, o outro. Quão fácil a violência é). Há, pois Jung era um homem bom e junguianos são pessoas boas, um final feliz: embora essas duas forças, masculino e femininos, são opostas, são complementares, duas metades do mesmo todo. Um não é superior, um não é inferior. Um não é bom, um não é mal. Mas esta revolução é inadequada porque a cultura, em sua ficção e sua história, demonstra que um (masculino, a lógica, a ordem, o ego, o pai) é bom e superior, e o outro (adivinhe qual) é ruim e inferior. É o chamado princípio feminino de Eros que toda a parafernália do patriarcado conspira para suprimir através da opressão psicológica, fisiológica e econômica daqueles que são mulheres biologicamente. A ontologia de Jung serve as pessoas e instituições que subscrevem o mito do mal feminino.
A identificação do feminino com Eros ou energia erótica (carnalidade por qualquer outro nome), vem de um mal-entendido fundamental da natureza da sexualidade humana. A informação essencial que levaria às noções não-sexista, não-repressiva da sexualidade pode ser encontrada nos mitos da androginia, mitos que descrevem a criação do primeiro ser humano como homem e mulher em uma forma. Em outras palavras, Jung escolheu o modelo errado, os mitos errados, sobre a qual constructo uma psicologia do sexo masculino e feminino. Ele usou mitos infundidos com valores patriarcais, mitos que ganhou circulação em culturas de domínio masculino. As descobertas antropológicas que alimentaram a formação de suas teorias que revelam pedaços relativamente recentes da história humana. Com poucas exceções, toda a informação antropológica tem lidado com o passado próximo. Mas os mitos que são a base de e legitimar nossa cultura são perversões brutas de mitos de criação originais que moldadas psique dos mais cedo, possivelmente, menos pessoas autoconscientes e mais conscientes. Os mitos originais todas dizem a respeito a um andrógino – uma divindade andrógina, uma pessoa andrógina. As corrupções destes mitos de um andrógino, sem exceção defender noções patriarcais de polaridade sexual, dualidade de masculino e feminino, como oposta e antagônica. O mito do andrógino primal sobrevive como parte de uma verdadeira cultura subterrânea: embora seja ignorado, desprezado por uma cultura que postula outros valores, e embora aqueles que relacionam seus estilos de vida diretamente a isso, tem sido ostracizado e perseguido.
Com toda essa conversa de mito e mitologia, o que é mito e porque tem tanta importância? A melhor definição continua sendo a de Eliade que escreveu em Mitos, Sonhos e Mistérios:
O que é exatamente um mito? Na linguagem corrente durante o século 19, um “mito” significava qualquer coisa que se opunha à “realidade”: a criação de Adão, ou o homem invisível, não menos do que a história do mundo, como descrito pelos Zulus, ou a Teogonia de Hesíodo – estes eram todos “mitos”. Como muitos outros clichês do Iluminismo e do Positivismo, este também de origem e estrutura cristã; para, de acordo com o cristianismo primitivo, tudo o que não pode ser justificada por referência a um ou outro dos dois Testamentos eram falsos; eram “fábulas”. Mas as pesquisas dos etnólogos têm nos obrigado a ir atrás desta herança semântica das polêmicas cristãs contra o mundo pagão. Estamos finalmente começando a conhecer e compreender o valor do mito, uma vez que foi elaborado em sociedades “primitivas” e arcaicos – ou seja, entre os grupos da humanidade, onde o mito passa a ser o próprio fundamento da vida social e cultura. Agora um fato nos atinge de imediato: em tais sociedades, o mito é pensado para expressar a verdade absoluta, porque ela narra uma história sagrada; isto é, uma revelação transumana que tomou lugar na madrugada do Grande Tempo…. Ser real e sagrado, o mito se torna exemplar, e consequentemente, repetível, pois serve como um modelo, e pelo mesmo motivo, uma justificação, para todas as ações humanas. Em outras palavras, um mito é uma verdadeira história do que aconteceu no começo do Tempo, e uma que fornece o padrão para o comportamento humano. Itálico adicionado.
Gostaria de estender a definição de Eliade em apenas um aspecto. Não é só nas sociedades primitivas e arcaicas que os mitos prestam este modelo para o comportamento – é em todas as sociedades humanas. A distância entre o mito e a organização social é talvez maior, ou mais emaranhada, nas sociedades tecnologicamente avançadas, mas mito ainda opera como a subestrutura do coletivo. A história de Adão e Eva irá afetar a forma dos assentamentos na Lua e Marte, e a versão cristã do mito primitivo de um sacrifício fértil divino satura os meios de comunicação mais avançados tecnologicamente.
Quais são os mitos da androginia, e como podemos localiza-los por trás dos mitos da polaridade com as quais estamos familiarizados? Vamos começar com as noções chinesas de yin e yang.
Yin e yang são comumente associados com sexo feminino e masculino. A ontologia chinesa, tão atraente na medida em que parece dar descrição geral, harmoniosa, livre de valores de fenômenos, descreve movimento cósmico como cíclico, manifestação completamente entrelaçada de yang (masculino, agressivo, luz, primavera, verão) e yin (feminino, passivo, escuro, outono, inverno). As identificações sexuais reduzem os conceitos muitas vezes para polaridades conceituais: eles são usados para corrigir as naturezas próprias de homens e mulheres, bem como as forças do sexo masculino e feminino. Essas definições, como as junguianas que se baseiam neles, são aparentemente modificados pelas afirmações de que (1) todas as pessoas são compostas de dois yin e yang, embora no homem yang predomine corretamente e na mulher yin predomine adequadamente; (2) essas forças masculinas e femininas são duas partes de um todo, igualmente vitais, mutuamente indispensáveis. Infelizmente, como se olha para a vida do dia-a-dia, que a encarnação biológica do yin, mulher, encontra-se, como sempre, a metade escura do universo.
As conotações sexuais de yin e yang, no entanto, estão afixadas sobre os conceitos originais. Eles já refletem na cultura patriarcal e misógina. Richard Wilhelm, em um ensaio sobre um texto chinês antigo chamado O Segredo da Flor Dourada, dá os significados não corrompidos só yin e yang:
Fora do Tao, e o Tai-chi “o grande polo do cume, o supremo final” há o desenvolvimento dos princípios da realidade, um polo sendo a luz (yabg) e o outro sendo o escuro, ou a sombra (yin). Entre os estudiosos europeus, alguns viraram primeiro referências sexuais para uma explicação, mas os personagens se referem a fenômenos na natureza. Yin é sombra, portanto, o lado norte de uma montanha e do lado sul do rio… Yang, em sua forma original, indica flâmulas voando e, o que corresponde ao caráter do yin, é o lado sul de uma montanha e no lado norte do rio… Começando apenas com o significado de “claro” e “escuro”, o principio foi depois expandido para todos os opostos polares, incluindo a sexual. No entanto, uma vez que tanto o yin e o yang têm a sua origem comum em uma indivisível Um e são ativos apenas no reino dos fenômenos, onde yang aparece como o princípio e as condições ativas, e yin como o princípio passivo, derivado e condicionado, é bem claro que um dualismo metafísico não é a base para essas ideias.
Luz e escuridão são evidentes em um sentido fenomenológico – há dia e lentamente se transforma em noite que muda lentamente em dia. Quando os homens começaram a conceituar sobre a natureza do universo, os fenômenos de luz e escuridão eram um ponto de partida óbvio. Minha própria experiência é que o dia e a noite são mais parecidos do que diferentes – em cada caso, eles não poderiam ser opostos. O homem, na conceituação, reduziu o fenômeno a dois, quando os fenômenos são mais complexos e sutis que o intelecto pode imaginar.
Ainda assim, como é que o feminino, a sexualidade feminina, que está incorporada no yin? Mesmo o patriarcado e a misoginia começaram em algum lugar. Aqui eu apenas posso supor. Nós sabemos que ao mesmo tempo os homens eram caçadores e mulheres eram plantadoras. Ambas as formas de trabalho eram essenciais e árduas. Ambas exigiam força física incrível e considerável conhecimento e habilidade. Porque os homens caçam e as mulheres plantam? Claramente, mulheres plantavam porque estavam frequentemente grávidas e, embora a gravidez não as tornava fracas e passivas, significava que elas não poderiam correr, ficar sem comida por longos períodos de tempo, sobreviver com os termos que a caça exigia. É provável que muito cedo na história humana, mulheres também eram caçadoras, e que era crucial para a sobrevivência das espécies que desenvolvessem em plantadoras – primeiro para suplementar a oferta de alimentos, segundo para reduzir a mortalidade infantil e das mulheres. Nós vemos que a primeira divisão de trabalho se baseava no sexo biológico originado em um imperativo fundamental de sobrevivência. Nos primórdios dos tempos, sem contracepção e nenhuma noção do lugar do homem no processo de impregnação, as mulheres foram investidas com um poder mágico supremo, aquele que gerou espanto e terror aos homens. Como eles desenvolveram habilidades no plantio, que encarnam ainda mais explicitamente a fertilidade, procriação e, é claro, morte. A quantidade avassaladora de mulheres Mana, juntamente com a elevada taxa de mortalidade, que foi junto com o parto, poderia muito bem ter levado a práticas de proteção, segregação, e, lentamente, aumentando a restrição social. Com a gravidez como o inevitável da vida de uma mulher, os homens começaram a organizar a vida social de uma forma que excluía a mulher, limitando-a para a vida fora de sua função reprodutiva. Como os homens começaram a conhecer o poder, esse poder diretamente relacionada com a exclusão das mulheres da vida da comunidade, o mito do mal feminino desenvolvido e fornecendo justificações para as leis, rituais e outras práticas que relegaram as mulheres a peças de prosperidade. Como corolário, os homens desenvolveram o gosto por subjugar os outros e acumular poder e riqueza que os caracteriza até hoje.
Voltando ao yin e yang, o que é crucial é a percepção de que esses conceitos originalmente não são ligados ao sexo. Em termos mais concretos, o Original Grande (primeiro ser) das crônicas chinesas é a santa mulher T’ai Yuan, que era andrógina, uma manifestação combinada de yin e yang. Primazia é dada ao princípio feminino aqui (o gênero do substantivo é feminino) por causa da função geradora da mulher.
Entre os budistas tibetanos, os chamados polaridades masculino-feminino são chamados de yabyum; entre os hindus indianos, eles são chamados de Shiva e Shakti. Nas seitas tântricas de ambas as tradições, encontra-se um culto religioso vivendo ligado ao mito de um andrógino primordial, para a união de homem e mulher. Encontra-se também, não surpreendentemente, que os cultos tântricos são condenados pela cultura parente com o qual se identificam. O rito religioso culminando dos tântrico é uma foda sacramental, o ritual de união do homem e da mulher que alcança, mesmo que apenas simbolicamente, a energia andrógina original.
Este é o fato marcante quando se olha para yabyum e Shiva-Shakti:
Os hindus atribuíram o símbolo masculino aparato ao passivo, o feminino para o polo ativo; os budistas fizeram o oposto; os hindus atribuíram o princípio do conhecimento para o polo masculino e o princípio da dinâmica para o ativo polo feminino; os budistas Vajrayana fizeram de outro modo.
A explicação para essa grande diferença, este anexo em um caso do feminino ao passivo e no outro o feminino à ativa, é que esses anexos foram feitos de forma arbitrária. Duas convicções vitais à ontologia sexista são prejudicadas: que em todos os lugares do feminino é sinônimo do passivo, receptivo, etc, e por isso deve ser verdade; que a definição do feminino como passivo, receptivo, etc, vem de um fato visível, incontestável de passividade feminina, receptividade, etc.
Na mitologia hindu, em oposição a mitologia judaica, o mundo fenomenológico não é criado por Deus como algo distinto dele. É a divindade em manifestação. Como Campell descreve: “… a imagem do antepassado andrógino é desenvolvida em termo de uma leitura essencialmente psicológica do problema da criação”. Em uma descrição do que ser andrógino, encontramos: “Ele era tão grande quanto um homem e uma mulher se abraçando. Este eu, em seguida, dividiu-se em duas partes; e com isso houve um mestre e uma amante. Portanto, este corpo, por si só, como o sábio Yajnavalkya declara, é como metade de uma ervilha”.
No Egito, uma das primeiras formas de deidade lua era Isis-Net, uma andrógina. Então é Awonawilona, deus principal do Pueblo Zuni. O deus grego Eros também era andrógino.
Platão, repetindo uma versão corrompida de um mito muito mais velho, descreve em Simpósio 3 tipos de seres humanos originais: homem/homem, homem/mulher, mulher/mulher. Estes seres humanos originais eram tão poderosos que os deuses temiam e assim por Zeus, cuja ascendência andrógina própria não o impediu de tornar o Kid Macho, metade dele.
A Aranda da Austrália conhece um ser sobrenatural chamado Numbakulla, “Eterna” que fez andróginos como os primeiros seres, então os separou, em seguida os amarrou de volta, junto com o cânhamo para fazer casais. É essencialmente esta história que se repete em todo o mundo primitivo.
Certas tribos africanas e tribos melanesianas tem imagens ancestrais de um ser com seios, pênis e barba. Estátuas hindus que mostram Shiva e Shakti unidos participando na mesma tradição devocional – Nós percebemos que eles estão unidos em uma relação sexual, mas também é possível que eles representem um corpo andrógino literal.
Há ainda as práticas religiosas de devoção que harken volta para a mitologia do andrógino primário – Tantra, por exemplo, tanto em manifestações tibetanas quanto em manifestações indígenas, participa claramente nessa tradição. Possivelmente, o rito de subincisão, praticado na Austrália, é igualmente enraizada no mito andrógino. Subincisão é o ritual do corte aberto da parte inferior do pênis de modo a formar uma fenda permanente na uretra. A abertura é chamada de “ventre penial”. Campbell observa que “a subincisão produz artificialmente uma hipospadia semelhante a de uma certa classe de hermafroditas”. A viagem de volta é a androginia, onde é manifesto, é sacral, forte, atraente. É interessante aqui para especular sobre o tabu do incesto. A articulação freudiana do que o complexo de Édipo é e meios serve os imperativos de uma cultura patriarcal, da moral judaico-cristã, e continua a ser, em grande parte incontestado. Mas as primeiras configurações de mãe e filho devocionais são as de uma mãe/deusa e seu filho/amante. O filho é amante da mãe e é ritualmente sacrificado em um tempo predeterminado (mães não tem de serem possessivas). Este sacrifício não está relacionado com culpa ou punição – é o sacrifício santo que santifica a tribo, faz honra à oferta e tem como premissa os padrões de fertilidade cíclicos da vida, morte e regeneração. Esses ritos, associados com a adoração da Grande Mãe (a primeira corrupção do Grande Original, ou andrógino primário) envolveu a relação sexual ritual entre mãe e filho, com o sacrifício posterior do filho. Em um tempo tanto um filho e uma filha foram sacrificados, mas como a filha se tornou uma mãe-substituta, o filho foi sacrificado sozinho. Este conjunto sacralizado, Mãe/Deusa – Filho/Amante, os rituais a eles associados são desenvolvidos pós-androginia: ou seja, homens e mulheres experimentaram separação (não dualidade) e tentou recriar simbolicamente o estado andrógino da mente e do corpo através do que hoje chamamos de incesto. Se é verdade que as implicações dos mitos andróginos em termos de combater comportamentos de execução para cada noção de moralidade judaico-cristã ou, mais geralmente sexista, segue-se que o incesto é tabu principal destes e similares culturais porque tem as suas raízes na mentalidade andrógina sexualmente dinâmica. Na verdade, não é surpreendente descobrir que as primeiras versões da história de Édipo não terminam com Édipo colocando seus olhos para fora. Sófocles deixa de Édipo superado com medo, culpa e remorso, cego e arruinado. Na versão homérica anteriormente, Édipo se torna rei e reina feliz para sempre. Freud escolheu a versão errada da história direita.
Mesmo a mitologia judaica fornece uma andrógina primária. Aqui é a substância de um metro cultura mais diretamente relacionado a nós. De acordo com o Zohar, a mulher criada pela primeira vez não era Eva, mas Lilith. Ela foi criada coincidentemente com Adão, isto é, eles foram criados em um só corpo, andrógino. Eles eram de uma substância, uma corporalidade. Deus, assim diz a lenda, dividi-los separados de modo que Lilith poderia ser vestida como uma noiva e casada com Adão corretamente, mas Lilith se rebelou contra todo o conceito de casamento, isto é, de ser definida inferior a Adão, e fugiu. Lilith era, de fato, a primeira mulher e a primeira feminista. Os patriarcas judeus com vingança astuta, a chamaram de bruxa. Eles disseram que a bruxa Lilith assombrava a noite (o nome dela está etimologicamente associado com a palavra hebraica para noite) e matava crianças. Ela tornou-se símbolo das trevas, do lado escuro de todas as mulheres. Claro, Lilith, nós sabemos, fez a correta análise e foi ao centro do problema: ela rejeitou a família nuclear. Deus, porém, viu de forma diferente – ele havia criado Lilith da poeira, assim como ele havia criado Adão. Ele havia os criado livres e iguais. Não cometendo o mesmo erro duas vezes, Eva foi criada a partir da costela de Adão, dando-lhe claramente nenhuma reivindicação de liberdade ou igualdade. Levou os cristões a afirmar que, desde a costela é dobrada, a natureza da mulher é contrária a do homem.
Como podemos então entender a afirmação bíblica de que Deus criou o homem à sua imagem e – dele criou a mulher? O Midrash dá uma resposta definitiva: Quando o Santo abençoado seja Ele, criou o primeiro homem, ele o criou andrógino. Há também uma divindade andrógina judaica correspondente. A própria palavra para a divindade, Elohim, é composto por um substantivo feminino e um final masculino plural. Deus é múltiplo e andrógino. A tradição da divindade andrógina é mais claramente articulada no Cabala, um texto que de forma escrita remonta à Idade Média. A Cabala oral, que é mais extensa do que o Cabala por escrito, se origina nos trechos mais obscuros da história judaica, antes da Bíblia, e tem sido preservada com, de acordo com os ocultistas, mas cuidada do que a Bíblia escrita – isto é, a Bíblia foi reescrita, editada, modificada, traduzida; Cabala oral, manteve sua pureza.
O esquema cabalístico da divindade é complexo. Aqui basta dizer que Deus é homem e mulher entrelaçados. Certas peças estão associadas a fêmeas, outras partes ao macho. Por exemplo, a compreensão primordial é do sexo feminino; sabedoria é do sexo masculino; gravidade é do sexo feminino; misericórdia é do sexo masculino. Destaque especial é dado à emanação final da divindade Malkuth, a Rainha, a manifestação física da divindade do universo. Malkuth, a Rainha, é aproximadamente equivalente a Shakti. Para os cabalistas, como para os tântricos, o sacramento final é a relação sexual que recria a androginia. Assim como os tântricos são/foi condenado ao ostracismo pelo resto das comunidades hindus e budistas, assim como o corpo principal de judeus ostracizavam os cabalistas. Agora eles são considerados aberrações – eles têm sido vistos como hereges. E hereges que são, no reconhecimento da natureza andrógina da divindade minam a autoridade de Deus Pai e ameaça o poder do patriarcado.
Resta apenas salientar que Cristo também tinha alguma noção de androginia. No Evangelho para os egípcios, Cristo e um discípulo chamado Salomé tiveram essa conversa:
Quando Salomé perguntou quanto tempo Morte deve prevalecer, o Senhor disse: Enquanto as mulheres concebam filhos; pois eu vim para destruir o trabalho da fêmea. E Salomé lhe disse: Será que eu, portanto, fiz bem em não ter filhos? O senhor respondeu e disse: Comam toda as ervas, mas não comam o que amargura. Quando Salomé perguntou quando estas coisas sobre as quais ela questionou seria dada a conhecer, o Senhor disse: Quando vos pisar a peça de vergonha; Quando os dois se tornam um, e macho e fêmea, nem macho e fêmea.
No próximo capítulo eu vou continuar as implicações de mitos andróginos e comportamento sexual, e seria de acordo com o espirito deste livro para levar Cristo como meu guia e dizer com ele: “Quando vos pisar a peça da vergonha; quando os dois se tornam um e macho com fêmea e fêmea com macho”.

CAPÍTULO 9
Androginia: Androginia, Fuder, e Comunidade
Nada pequeno de tudo realmente vai dar.
Aldous Huxley, Island
A descoberta é, é claro, que “homem” e “mulher” são ficções, caricaturas de construção social. Como modelos, eles são redutivos, totalitários, inapropriados para o se tornar humano. Como papeis eles são estáticos, degradantes para as mulheres, sem saída para ambos homens e mulheres. Cultura como nós conhecemos legisla esses papeis fictícios como normalidade. Desvios são sancionados, comportamento sagrados são “disordem de gênero”, “criminalidade”, assim como “doente”, “nojento”, e “imoral”. Heterossexualidade, que é propriamente definida como o comportamento ritualizado construído na definição polar, e as instituições sociais relacionadas a ele (casamento, a família, a Igreja, ad infinitum) são “natureza humana”. Homossexualidade, transsexualidade, incesto, e bestialidade persistem como “perversões” da “natureza humana” que nós presumimos saber muito sobre. Eles persistem apesar das forças avassaladoras dirigidas contra eles – leis discriminatórias e práticas sociais, ostracismo, persecução ativa pelo Estado e outros órgãos da cultura – como inexplicáveis embaraços, como odiosos exemplos de “sujo” e/ou “desajuste”. A tentativa aqui, no entanto modesta e incompleta, é discernir outra antologia, uma que descarta a ficção que há em dois sexos polares distintos.
Nós temos visto que os mitos andróginos presentes na imagem de uma corporalidade que é tanto masculina como feminina. As vezes a imagem é literalmente uma forma-homem e uma forma-mulher em um corpo. Às vezes é a figura que incorpora funções tanto masculinas como femininas. Em cada caso, a imagem mitológica é o paradigma para a plenitude, a harmonia, e a liberdade que é virtualmente inimaginável, a antítese de todos os pressupostos que nós temos sobre a natureza de identidade em geral e sexo em particular. A primeira questão, então é: O que é biologia? Há, afinal, homens e mulheres. Eles são diferentes de modo demonstrável. Nós somos cada um de um sexo ou de outro, Se houver dois sexos biológicos distintos, então não é difícil argumentar que existem dois modos distintos de comportamento humano, relacionado a sexo, determinado por sexo. Um pode argumentar pela liberalização dos papeis baseados no sexo, mas não há como justificadamente argumentar por sua total redefinição.
Pesquisas hormonais e nos cromossomos, atentam desenvolver novas formas de reprodução humana (vida de criada em, ou consideravelmente suportada por, laboratórios de cientistas), trabalhos com transexuais, e estudos da formação da identidade de gênero em crianças fornecem informação básica que desafia a noção que há dois sexos biológicos distintos. Essa informação corre o risco de transformar a biologia tradicional da diferença entre os sexos na biologia radical da similaridades no sexo. Isso não quer dizer que há um sexo, mas que há muitos elementos de prova que é pertinente aqui e é simples. As palavras “masculino” e “feminino”, “homem” e “mulher”, “são usadas apenas porque ainda não existem outras.
1. Homens e mulheres tem a mesma estrutura corporal. Ambas têm genitais masculinos e femininos – o clitóris é um pênis vestigial, a próstata é muito provavelmente um útero vestigial. Uma vez que, como falei anteriormente, há informação em apenas 2% da história humana, e desde crônicas religiosas, que foram por século o único registro da história humana, falada de forma consistente em outro tempo em um ciclo de tempo em que humanos eram andróginos, e desde que cada sexo tem órgãos vestigiais do outros, não haveria razão para não postular que humanos uma vez foram andróginos – hermafroditas e andróginos, criados precisamente em um imagem que constantemente recorria a uma divindade andrógina.
2. Até a sétima semana de desenvolvimento fetal de ambos os sexos, têm precisamente os mesmos órgãos genitais externos. Basicamente, o desenvolvimento dos órgãos sexuais e condutas é a mesma para machos e fêmeas e os mesmos dois conjuntos de condutas se desenvolvem em ambos.
3. As gônadas não podem ser ditas inteiramente masculinas ou femininas. Dr. Mary Jane Sherfey escreve:
Em sua organização somática, as gônadas sempre retêm uma quantidade maior ou menor do tecido do sexo oposto, que permanece funcional ao longo da vida.
4. O sexo cromossômico não é necessariamente o sexo visível do indivíduo. Acontece que uma pessoa de um sexo cromossômico desenvolve as gônadas do outro sexo. * Sexo gonadal e sexo cromossômico podem estar em direta contradição.
5. Sexo cromossômico não é apenas XX ou XY. Há outras formações cromossômicas, e não muito é conhecido sobre eles ou o que eles significam.
6. Uma pessoa pode ter as gônadas de um sexo, e as características sexuais secundárias de outro sexo.
7. Homens e mulheres ambos produzem hormônios masculinos e femininos. As quantidades e proporções variam muito, e não há forma de determinar a masculinidade ou feminilidade biológica da contagem hormonal.
8. Um hormônio pode ser transformado pelo corpo para seu “oposto”, masculino em feminino, feminino em masculino. Em Sexo, Gênero, e Sociedade, Ann Oakley nos dá esse exemplo:
… o fato de que rapidamente o amadurecimento de adolescentes homens as vezes adquirem pequenas mamas – o aumento substancial em testosterona que acompanha a puberdade [é] parcialmente metabolizado como estrogênio, que por sua vez causa o desenvolvimento dos seios.
9. Agora pensa-se que hormônios masculinos determinam o desejo sexual em homens e mulheres.
10. Os hormônios femininos (progesterona) podem ter um efeito masculinizante. Dr. Sherfey escreve:
Nós podemos ter dificuldade em conceber, mas a seleção natural não tem nenhuma dificuldade em usar estruturas sexualmente heterotípicas para fins homotípicos. Por exemplo, progesterona é o “hormônio da gravidez” essencial para a menstruarão e a gravidez prolongada. É unicamente um hormônio “feminino” como se pode ser. No entanto, a progesterona possui fortes propriedades androgênicas. Ele pode ser usado para masculinizar embriões femininos. Em 1960. Jones (27, 63) demonstrou que a progesterona dá a mães humanas no início da gravidez para prevenir risco de aborto. … severamente masculinizando um feto humano.
11. Diferenças sexuais visíveis não são discretas. Há homens com paus pequenos, mulheres com grandes clitóris. Há homens com mamas altamente desenvolvidas, mulheres sem quase nenhum desenvolvimento mamário. Há homens com quadris largos, mulheres sem nenhum notável desenvolvimento do quadril. Há homens com virtualmente nenhum pelo corporal, mulheres com muito pelo corporal. Há homens com vozes agudas, mulheres com vozes grossas. Há homens com pouco pelo facial, mulheres com barba e bigode.
12. Diferenças de altura e peso entre homens e mulheres não são discretas. Estrutura de músculos não são discretas. Nós sabemos o desespero da mulher alta, musculosa que não se encaixa no estereótipo feminino; nós também sabemos do desespero do homem pequeno e delicado que não encaixa no estereótipo masculino.
13. É convincente a evidência de cultura cruzada que músculos e força e desenvolvimento são culturalmente determinados. Há culturas em que não há grande diferença em somatório de homens e mulheres:
Em uma pequena escala (“primitiva”) da sociedade para as quais existem bons registros fotográficos – Os Manus das Ilhas do Almitantado – aparentemente não há diferença em todos os somatótipo entre homens e mulheres como crianças, e como adultos ambos homens e mulheres tendem a para o mesmo grau de mesomorfia (ombros largos e tórax, membros musculosos, pouca gordura subcutânea) … Em Bali, também, machos e fêmeas não tem o tipo de diferenciação do físico que é uma diferença visível em nossa cultura. Geoffrey Gorer uma vez descreveu-os como um povo “hermafrodita”; eles têm pouco diferencial no sexo em altura e ambos os sexos tem ombros largos e quadris estreitos. Eles não correm em curvas e músculos, para os pelos do corpo ou para seios de qualquer tamanho. (Gorer uma vez disse que você não poderia dizer masculino e feminino separados, mesmo de frente). Outra fonte nos informa que os bebês sugam ‘seios, bem como suas mães e seus pais’.
14. Há hermafroditas na natureza. Robert T. Francouer na Maternidade utópica: Novas tendências em Reprodução Humana, admite:
A profissão médica e os biólogos experimentais foram muito céticos sobre a existência de hermafroditas funcionais entre os animais superiores e no homem, embora a minhoca, a lebra do mar e outros animais inferiores combinavam ambos os sexos no mesmo indivíduo.
Nós vimos quão profundo o compromisso com a sexualidade humana singular e polar vai – que o compromisso faz a ideia do hermafroditismo funcional um conceito intolerável. É interessante aqui especular sobre as percepções de homens como Lioner Tiger (Homens em Grupos) que efetivamente projetou os padrões culturais humanos de dominação e submissão no mundo animal. Por exemplo, Dr. Sherfey nos diz que “em muitas espécies de primatas, as fêmeas seriam diagnosticadas hermafroditas se fossem humana” (itálico dela). Muito provavelmente, nós muitas vezes simplesmente projetamos nossos próprios modos cultuais determinados de agir e perceber em outros animais – nós efetivamente procuramos informação que desafiam as noções de masculino e feminino que nos é sagrada. Nesse caso, um viés em direção a androginia (em vez da tendência atual para a polaridade) nos daria significativamente diferentes cenários de comportamento animal.
Hermafroditismo é geralmente definida como “uma desordem congênita em que existem órgãos reprodutores masculinos e femininos no mesmo indivíduo”. Uma “verdadeira” hermafrodita é aquela que tem ovários, testículos e as características sexuais secundárias de ambos os sexos. Mas esta é, parece-me, a história de uma hermafrodita funcional:
O caso envolveu uma menina de Arkansas de 16 anos de idade, que estava sendo operado de um tumor de ovário. Como é costume em tal cirurgia, o tecido removido é cuidadosamente examinado por um patologista. Neste exemplo, os sinais de óvulo e esperma vivo foram encontrados em regiões diferentes do tumor. Com o óvulo com o espermatozoide situado mesmo ao lado do outro no mesmo órgão, Dr. Timme afirmou que “havia uma grande possibilidade de que eles iriam combinar e fazer um ser humano” … A única característica… seria a mesma pessoa que contribuiu com ambas as células germinativas.
Partenogênese também ocorre naturalmente em mulheres. Francoer refere-se ao trabalho do Dr. Landrum B. Shettles que
no exame de óvulos humanos apenas depois que eles foram removidos de seus folículos ovarianos… constatou que três em cada quatro centenas de ovos tinham “clivagem sofrido in vivo dentro do folículo intacto, sem qualquer possível contato com os espermatozoides”.
Com base no trabalho de Shettles, Francoeur estima
que nascimentos virgens são uma ocorrência bastante comum, em cerca da mesma frequência que gêmeos idênticos ocorrem entre americanos brancos.
Aparentemente um conservador, Dr. Sherwood Taylor, um cientista britânico, “sugeriu uma frequência muito menor para a partenogênese humana, estimando-se um caso em dez mil nascimentos”. Por mais que, por pouco, ela ocorrer.
Podemos presumir, então, que há uma grande quantidade sobre a sexualidade humana a ser descoberto, e que a nossa noção de dois sexos biológicos distintos não pode permanecer intacto. Nós podemos presumir, então, que vamos descobrir fenômenos de sexo-cruzado em proporção à nossa capacidade de vê-los. Além disso, pode-se ter em conta a relativa raridade de hermafroditas na população em geral, para a consciência de somatotipos macho-fêmea que nós encontramos, e para a relativa raridade de características de sexo-cruzado na população em geral (embora eles ocorram com mais frequência do que estamos agora dispostos a imaginar), reconhecendo que há um processo de seleção cultural que, para as pessoas, substitui a seleção natural em importância. Seleção cultura, em oposição a seleção natural, não necessariamente serve para melhorar as espécies ou para assegurar a sobrevivência. Ele serve necessariamente para defender as normas culturais e garantir que somatotipos desviantes e características de sexo-cruzado são sistematicamente produzidos fora da população.
No entanto, nós vemos que, qualquer coisa que escolhemos para fazer parte dos dados do que é chamado frequentemente de Interssex, é claro que a determinação do sexo nem sempre é bem definida e simples. Dr. John Money na Universidade Johns Hopkin isolou basicamente esses seis aspectos da identidade sexual:
1. Sexualidade genética ou nuclear como revelado pelos indicadores como o sexo-cromatina ou barr-body, uma contagem cromossômica completa e uma baqueta de leucócitos;
2. Sexualidade hormonal que resulta de um equilíbrio que é predominantemente andrógino ou estrogênico;
3. Sexualidade gonadal que pode ser claramente ovariana ou testicular, mas ocasionalmente também misto;
4. Sexualidade interna, tal como descrito na estrutura do sistema reprodutivo interno;
5. Sexualidade genital externo como revelado na anatomia externa e, finalmente;
6. O desenvolvimento psicossexual, que através das forças externas de criação e de condicionamento social, juntamente com a resposta do indivíduo a esses fatores direciona o desenvolvimento de uma personalidade que é, por natureza sexual.
Como pode haver contradição total entre qualquer um dos acima, uma vez que nós discutimos alguns (não todos) das características do sexo-cruzado de funcionamento biológico humano, uma vez que reconhecemos o hermafroditismo e partenogênese como realidades humanas, estamos justificando em fazer uma nova formulação radical da natureza da sexualidade humana. Nós somos claramente, uma espécie multissexual que tem a sexualidade espalhada ao longo de uma vasta série fluida contínua, onde os elementos chamados macho e fêmea não são discretos.
As implicações concretas da multissexualidade como a encontramos articulada em ambos mitologia andrógina e biologia exigem a redefinição total dos cenários de comportamento sexual humano adequado e formas pragmáticas de comunidade humana. Se os seres humanos são multisexo, então todas as formas de interação sexual que são diretamente enraizadas em natureza multissexual de pessoas devem ser parte da fábrica da vida humana, aceita no léxico de possibilidade humana, integrada em formas de comunidade humana. Ao redefinir a sexualidade humana, ou por defini-la corretamente, nós podemos transformas o relacionamento humano e as instituições que buscam controlar esse relacionamento. Sexo como poder dinâmico entre homens e mulheres, é a forma primária sadomasoquista, é o que conhecemos agora. Sexo como comunidade entre humanos, nossa humanidade compartilhada, é o mundo que devemos construir. Qual tipos de identidade sexual e a relação vai ser a substância dessa comunidade?

Heterossexualidade e homossexualidade
Há homens que eu poderia passar a eternidade com, mas não esta vida.
Kathleen Norris.
um pouco zen em nossa política, um pouco ácido em nosso chá, poderia ser tudo o que precisamos, o afeminado esta no cálculo.
Jill Johnston.
Eu defini a heterossexualidade como um comportamento ritualizado construído sobre definição de função polar. Relações sexuais com homens como nós os conhecemos é cada vez mais impossível. Ela exige um abortamento da criatividade e força, uma recusa de responsabilidade e liberdade: a amarga morte pessoal. Significa restante das vítimas, para sempre aniquilando toda a autoestima. Significa representando o papel feminino, incorporando o masoquismo, auto ódio, e passividade, que são fundamentais para isso. Um comportamento heterossexual convencional inequívoco é a pior traição da nossa humanidade comum.
Isso não é dizer que “homens” e “mulheres” não devem fuder. Qualquer gozo que é genuinamente pansexual e livre de papeis sexuais, mesmo entre homens e mulheres como nós geralmente pensamos deles (por exemplo, as imagens biológicas que temos deles), é autêntico e andrógino. Especificamente, malditos andróginos requerem a destruição de todo o role playing convencional, da sexualidade genital como o principal foco e valor, de formações de casal, e das estruturas de personalidade dominante ativo (“masculino”) e submissivo e passivo (“feminino”).
Homossexualidade, porque é, por definição antagônica a polaridade de dois sexos, é mais de perto a sua criação a sexualidade andrógina. No entanto, uma vez que toda a consciência individual e relações sociais estão poluídos por noções internalizadas de polaridade, acoplamento e roleplaying, os critérios citados acima devem também ser aplicado a relação homossexual. Demasiadas vezes, relação homossexual transgrede imperativos de gênero, sem transforma-los.
Um compromisso exclusivo de uma formação sexual, sejam eles homossexuais ou heterossexuais, geralmente significa um compromisso exclusivo de uma função. Um compromisso exclusivo de uma formação sexual geralmente envolve a negação de muitos tipos profundos e convincente de sensualidade. Um compromisso exclusivo de uma formação sexual geralmente significa que um é, independentemente do uniforme que veste, um bom soldado da cultura programado de forma eficaz para fazer seu trabalho sujo. É através do desenvolvimento da pansexualidade de alguém a seus limites (e ninguém sabe onde ou o que aqueles são) que se faz o trabalho de destruir a cultura para construir a comunidade.

Transexualidade
Como posso realmente me importar se vencermos “a revolução”? De qualquer forma, de qualquer jeito, não haverá lugar para mim.
Um amigo transexual, em uma conversa.
Transexualidade é atualmente considerado uma disordem de gênero, isto é, uma pessoa aprende um papel de gênero que contradiz com seu sexo visível. É uma “doença” com uma cura: uma operação de mudança de sexo que vai mudar o sexo visível da pessoa e torna-lo consonante com a identidade da pessoa.
Desde que nós sabemos muito pouco sobre a identidade sexual, e uma vez que os psiquiatras estão comprometidos com a propagação da estrutura cultural como é, seria prematuro e não muito inteligente para aceitar o julgamento psiquiátrico que a transexualidade é causada pela socialização com defeito. Mais provavelmente, a transsexualidade é causada por uma sociedade com defeito. Transexualidade pode ser definido como uma formação particular de nossa multissexualidade geral que é incapaz de alcançar o seu desenvolvimento natural por causa das condições sociais extremamente adversas.
Não há dúvida de que, na cultura de descontinuidade macho-fêmea, a transsexualidade é um desastre para o indivíduo transexual. Todo transexual, branco, negro, homem, mulher, rico, pobre, está em um estado de emergência primária como transexual. Há 3 pontos cruciais aqui. Um, cada transexual tem o direto de sobrevivência em seus próprios termos. Isso significa que cada transexual tem direito a uma operação de mudança de sexo, e deve ser fornecido pela comunidade como uma de suas funções. Esta é uma medida de emergência para a condição emergencial. Dois, mudando as nossas instalações sobre homens e mulheres, role-playing, e polaridade, a situação social dos transexuais será transformado e transexuais serão integrados na comunidade, não mais perseguido e desprezado. Três, a comunidade construída sobre a identidade andrógina vai significar o fim da transexualidade como a conhecemos. Ou o transexual será capaz de expandir sua sexualidade em uma androginia fluida, ou, como papeis desaparecem, o fenômeno da transexualidade vai desaparecer e a energia será transformada em novos modos de identidade e comportamento sexual.

Travestismo
A primeira vez que eu coloquei na calcinha de seda preta eu tive uma ereção imediata.
Julian Beck.
Travestismo é geralmente um ato sexualmente carregado: a violação visível e pública para o papel do sexo é erótica, excitante, perigoso. E uma espécie de desobediência civil erótico, e que é precisamente o seu valor. Se fantasiar faz parte da estratégia e processo de destruição do papel. Vemos, por exemplo, que as mulheres rejeitam o papel feminino, adotam roupas “masculinas”. Assim quando os papeis sexuais se dissolverem, o conteúdo erótico particular do travesti dissolve.

Bestialidade
Na Idade Média na cópula com um judeu foi considerado como uma forma de bestialidade e incorria nas mesmas sentenças.
G. Rattray-Taylor, Sex in History.
Bestialidade primária (fuder entre pessoas e outros animais) é encontrado em todas as sociedades não industriais. Bestialidade secundária (relacionamentos eróticos genéricos entre pessoas e outros animais) é encontrado em todos os lugares do planeta, em todas as ruas da cidade, em cada cidade rural. Bestialidade é uma realidade erótica, uma que claramente coloca as pessoas na natureza e não acima dela.
A relação entre as pessoas e outros animais, quando não predatórios, é sempre erótica desde a sua substância é a comunicação não verbal e o toque. Que o erotismo em sua forma pura é uma afirmação da vida e enriquecimento da vida era razão suficiente para fazer a bestialidade um crime capital na Idade das Trevas, pelo menos para o animal não humano; razão suficiente para o inglês na Idade das Trevas para confundir ovelhas e judeus.
Nas relações da sociedade contemporânea entre as pessoas e outros animais, muitas vezes, refletem a tez sadomasoquista de relacionamento humano. Animais em nossa cultura são muitas vezes abusado, os objetos de violência e crueldade, a frustação da repressão e, portanto, muito perigoso a sexualidade humana. Alguns animais, como cavalos e cães grandes, tornam-se pintos substitutos, símbolos de virilidade do macho ideal.
Escusado será dizer que em comunidade andrógina, relações humanas e outros de origem animal se tornaria mais explicitamente erótico, e que o erotismo não iria degenerar em abuso. Animais seriam parte da tribo, e conosco, respeitado, amado e livre. Eles sempre compartilharam de nosso destino, seja ele qual for.

Incesto
Eu estava com frio – mais tarde revoltado um pouco, mas não muito – parecia talvez uma boa ideia para tentar – sabe o monstro do começo do ventre – talvez – esse jeito. Ela se importaria? Ela precisa de um amante.
Allen Ginsberg, Kaddish.
A relação pai-filho é essencialmente erótica, porque todas as relações humanas são primeiramente eróticas. O tabu do incesto é uma forma particularizada da repressão, um que funciona como o baluarte de todas as outras repressões. O tabu do incesto garante que no entanto livres nos tornamos, nós nunca nos tornaríamos verdadeiramente livres. O tabu do incesto, porque nos nega cumprimento essencial com os pais a quem amamos com a nossa energia primária, nos obriga a internalizar os pais e constantemente procura-los, ou tenta nega-los, nas mentes, corpos e corações de outros humanos que não são nossos pais e nunca serão.
O tabu do incesto faz o pior trabalho da cultura: ela nos ensina os mecanismos de repressão e internalização erótico dos sentimentos – nos força a desenvolver esses mecanismos, em primeiro lugar; obriga-nos a particularizar a sensação sexual, para que ele congele em uma necessidade de um “objeto” sexual particular; exige que nós coloquemos a família nuclear acima da família humana. A destruição do tabu do incesto é essencial para o desenvolvimento da comunidade humana cooperativa baseada no livre fluxo de erotismo andrógino natural.

A família
Para se admitirmos que o impulso sexual é no nascimento difuso e indiferenciado da personalidade total (“perversidade polimorfa” de Freud) e… torna-se diferenciada apenas em resposta ao tabu do incesto; e essa… o tabu do incesto é agora necessário apenas para preservar a família; em seguida, se não acabar com a família que seria, na realidade, acabar com as repressões que a sexualidade molde em formações específicas.
Shulamith Firestone, A Dialética do Sexo.
O tabu do incesto só pode ser destruído, destruindo a família nuclear como a instituição primária da cultura. A família nuclear é a escola de valores em uma sociedade machista e sexualmente reprimida. Aprende-se o que é preciso saber: os papeis rituais e comportamentos adequados, a polaridade masculina e feminina e os mecanismos internalizados de repressão sexual. A alternativa para a família nuclear no momento é a família extensa, ou tribo. O crescimento da tribo é parte do processo de destruição de papeis particularizados e identidade erótica fixa. Como as pessoas desenvolvem a identidade andrógina fluida, que também irá desenvolver as formas de comunidade apropriada para ele. Nós realmente não podemos imaginar o que essas formas serão.

Crianças
A ligação especial entre mulheres e crianças é reconhecido por todos. Eu apresento, entretanto, que a natureza desta ligação é nada mais do que opressão partilhada. E que, além disso, essa opressão esta entrelaçada e se reforça mutuamente em tais formas complexas que não será capaz de falar de libertação das mulheres sem também discutir a libertação das crianças.
Shulamith Firestone, A Dialética do Sexo.
Dois acontecimentos estão ocorrendo simultaneamente: as mulheres estão rejeitando o papel do sexo feminino e a vida esta sendo criada em laboratório. A menos que a estrutura seja totalmente transformada, podemos esperar que quando as mulheres deixarem de funcionar como criadores biológicos, nós seremos dispensáveis. Como os homens aprendem mais e mais para controlar a reprodução, como a clonagem se torne uma realidade, e como a tecnologia de computadores e robôs se desenvolvem, há todas as razões para pensar que os homens como os conhecemos vão usar esse controle e tecnologia para criar objetos sexuais que irão os satisfazer. Homens, afinal de contas, navegaram pela história recorrendo a genocídio como um estratagema de controle social, como uma forma tática de alcançar/manter poder. Essa é a realidade simples e convincente. Existem apenas duas outras opções: as mulheres devem tomar o poder, ou devemos realizar a transformação em androginia.
A liberdade daqueles que são capazes de reprodução biológica de que o trabalho (que é simplesmente uma forma de trabalho físico) é totalmente congruente com a comunidade andrógina. Apenas no mundo do campo de concentração de polaridade deve-se esperar que desenvolvimento de conduzir ao genocídio. Os processos sociais aqui ficar nu: se as mulheres devem tomar o poder, a fim de sobreviver, e se de alguma forma conseguem fazer isso, o poder provavelmente vai mudar sem ser transformado; se podemos criar uma comunidade andrógina, podemos abandonar a energia completamente como uma realidade social, isto é, o final, e mais importante, implicação da androginia.
Como para as crianças, eles também são seres eróticos, mais perto de androginia do que os adultos que os oprimem. As crianças são plenamente capazes de participar em comunidade, e tem todo o direito de viver seus próprios impulsos eróticos. Na comunidade andrógina, esses impulsos conservariam um elevado grau de inespecificidade e, sem dúvida, mostrar o resto de nós o caminho para auto-realização sexual. As distinções entre “crianças” e “adultos”, e as instituições sociais que impõem essas distinções, desapareceria como assim que uma comunidade andrógina se desenvolvesse.

Conclusão
Nada pequeno de tudo vai realmente dar.
Aldous Huxley, Island
O objeto é a transformação cultural. O objetivo é o desenvolvimento de um novo tipo de ser humano e um novo tipo de comunidade humana. Todos nós que já tentamos corrigir um erro e reconhecer que nada realmente é pequeno de tudo que realmente vai fazer.
A maneira daqui para lá não será fácil. Nós devemos ter total compromisso – não mais tomar refúgio em cenários de violência homem-mulher que são reguladores sociais, não mais jogar os papeis masculinos-femininos que nós já aprendemos, não mais recusar saber quem nós somos e o que nós desejamos, para que nós precisamos não terminar com nossas próprias vidas. Nós devemos recusar a nos submeter a essas instituições que são por definição sexista – casamento, o núcleo familiar, religiões criadas no mito do mal feminino. Nós devemos recusar a nos submeter a medos gerado por tabus sexistas. Nós devemos recusar a nos submeter a todas as formas de comportamento e relacionamento que reforça a polaridade masculina-feminina, que alimenta o padrão básico de dominância masculina e submissão feminina. Devemos, ao invés de construir comunidade onde violência não é a dinâmica principal dos relacionamentos humanos, onde o desejo natural é fundamental da comunidade, onde androginia é a premissa operativa, onde a tribo se baseia em androginia e formas sociais que seriam desenvolvidas a partir dele são as bases da estrutura cultural coletiva – não-coercitiva, não-sexista. Como Julian Beck escreveu, a viagem para o amor não é romântica. Como muitos já escreveram, a jornada para a liberdade também não é romântica – muito menos é a forma conhecida com precisão e em todos os tempos. Começamos aqui e agora, polegada por polegada.

Você não ensina a alguém a contar apenas até oito. Você não diz nove e dez e além não existem. Você dá as pessoas tudo, ou eles não são capazes de contar nada. Há uma verdadeira revolução ou nada.
Pericles Korvessis, em uma entrevista em Liberation, Junho de 1973

A revolução não é um evento que leva dois ou três dias, em que não há tiros e enforcamento. É um longo processo em que novas pessoas são criadas, capazes de renovar a sociedade, de modo que a revolução não substitui uma elite por outra, mas assim que a revolução cria uma nova estrutura antiautoritária com pessoas antiautoritárias, que em se transformar e reorganizar a sociedade para que se torne uma sociedade humana não alienada, livre de guerras, fome e exploração.
Rudi Dutschke, 7 de março de 1968

Há um sofrimento do corpo e uma miséria da mente, e se as estrelas, sempre que os olhavam, derramam néctar em nossas bocas, e a grama se torna pão, nós ainda seríamos tristes. Vivemos em um sistema que fabrica tristeza, derramando-o para fora de sua fábrica, as águas de tristeza, oceano, tempestade, e nós afogar-se, morto, muito cedo.
… levante é a reversão do sistema, e a revolução é a viragem das marés.
Julian Beck, The Life of the Theatre

POSFÁCIO
A Luta da Grande Pontuação Tipográfica
esse texto foi alterado de um forma muito séria. Eu queria que ele fosse impresso da forma como foi escrita – letras minúsculas, nenhuma apóstrofe, contradições.
Eu gosto do meu texto tão vazio quanto possível, apenas usada pontuação quando necessário, quando sabe-se o proposito que sabe ser necessário.
meu editor, em sua sabedoria corporativa, encheu as páginas com lixo: pontuação padrão, ele sabia seu propósito; ele sabia o que era necessário, nossos propósitos diferem: meu era atingir claridade; dele, era vender livros.
meu editor mudou a pontuação porque os revisores de livros (Mammom) não gosta de letras minúsculas.
foda-se (no sentido antigo) ao revisores de livro (Mammom).
Quando eu digo a Deus e a Mammon sobre a escrita do escritor, eu quero dizer que qualquer um pode usar palavras para significar algo. E ao usar essas palavras para dizer o que ele tem a dizer ele pode usar essas palavras direta ou indiretamente. Se ele usa essas palavras indiretamente ele diz o que ele pretende a ser escutado por alguém que ouvirá e ao fazer isso, inevitavelmente, ele tem que servir a Mammon… Agora servindo a Deus por um escritor que esta escrevendo, escrevendo nada diretamente, faz nenhuma diferença o que é, mas deve ser direto, a relação entre a coisa feita e o que há de ser executada deve ser direta. Desta forma, não é a realização e a essência da coisa completa que é o acabamento.
Gertrude Stein
em uma carta pra mim, Grace Paley escreveu, “uma vez que todos dizem que verdadeiros artistas são desnecessários – simultaneamente, há trabalho para nós.”
dizer a verdade, nós sabemos o que é, quando o fazemos e quando aprendemos a não faze-lo nos esquecemos o que é.
forma, corpo, estrutura, relação espacial, como a palavra impressa aparece na página, onde se respira, onde descansar, pontuação esta marcando o tempo, indicando ritmos, mesmo no meu texto original que eu usei muito dela – eu super orquestrei. Eu forço você a respirar quando eu respiro, ao invés de deixar você descobriu a sua própria respiração natural.

Gostaria de começar por presumir que estou livre.
Eu começo com nada, nenhuma forma, nenhum conteúdo, e eu pergunto: o que eu quero fazer e como eu quero fazê-lo.
Gostaria de começar por presumir que o que eu escrevo me pertence.
Gostaria de começar por presumir que determinam a forma que eu uso – em as suas particularidades. Eu trabalho em meu ofício – em as suas particularidades.
na verdade, tudo já esta determinado.
na verdade, todos os elementos foram determinados e são aplicados.
na verdade, onde eu violar o que já foi determinado que será interrompido.
em fato, os executores vão executar.

“Qualquer coisa que ele possa dizer a nós, ele ainda é servo da Lei; isto é, ele pertence a Lei e como tal é definido além do julgamento humano. Nesse caso, desafia-se a acreditar que o porteiro é subordinado do homem. Obrigado como ele é pelo seu serviço, mesmo na porta da Lei, ele é incomparavelmente mais livre que qualquer um no mundo. O homem apenas esta executando a Lei, o porteiro esta apenas ligado a isso. É a Lei que o colocou nesse posto; duvidar de sua integridade é duvidar da Lei em si”.
“Eu não concordo com esse ponto de vista” disse K, balançando sua cabeça, “para que se aceite isso, deve-se aceitar como verdadeiro tudo o que o porteiro disser. Mas você mesmo provou suficientemente como impossível é fazer isso”.
“Não”, disse o padre, “não é necessário aceitar tudo como verdadeiro, deve-se aceitar apenas o que é necessário”.
“A conclusão melancólica”, disse K. “Acontece que encontra-se em um principio universal”.
Franz Kafka.
Eu presumo que eu sou livre. Eu ajo. Os aplicadores aplicam. Eu descubro que eu não sou livre, então: ou eu minto (se for necessário mentir) ou eu luto (se eu não mentir, eu devo lutar), se eu luto, eu pergunto, porque eu não sou livre e o que eu posso fazer para ser livre? Eu escrevi esse livro para descobrir porque eu não sou livre e que eu posso fazer para tornar-me livre.
Embora a estrutura social comece por enquadrar as leis mais nobre e as ordenanças mais elevadas que “o grande da terra” conceberam, no final vem a isto: violar esse direito sublime e leva-lo a uma cela de prisão e fechar o seu corpo humano fora de calor humano. Em última análise, a lei é imposta pelo guarda insensível perfurando seu companheiro homem duramente na barriga.
Judith Malina
sem a presunção de liberdade, não há liberdade. Eu sou livre, como, então, eu quero viver minha vida, fazer o meu trabalho, usar o meu corpo? como, então, eu gostaria de ser, em todos os meus dados?
formas padrão são impostas no se vestir, comportamento, relação sexual, sinais de pontuação. formas padrão são impostas a consciência e comportamental – em conhecer e expressar-se – de modo que não irá presumir liberdade, para que a liberdade apareça – em todas as suas particularidades – impossíveis e impraticáveis, de modo que não vai saber o que dizer a verdade é, de modo que não vai se sentir compelido a dizer que, para que possamos gastar o nosso tempo e nossa santa energia humana dizendo mentiras necessárias.
formas padrão ás vezes são chamados de convenções, convenções são mais poderosas do que exércitos, polícias e prisões. cada cidadão se torna o aplicador, o porteiro, o instrumento da Lei, um guarda insensível perfurando seu companheiro homem duramente na barriga.
Eu sou anarquista. Eu não processo, eu não obtenho liminares, eu defendo a revolução, e quando pessoas me questionam o que nós podemos fazer que é prático, eu digo, fracamente, enfraquecer o tecido do sistema onde que que você possa, tomar possível o aumento da liberdade, todos os tipos. Quando eu escrevo eu tento ampliar as possibilidades de expressão.
… eu já havia tentado falar com você, honestamente, à minha maneira, sem disfarces, tentando se livrar, é parte da minha obrigação para com a musa, do antigo regime da gramática.
… as revisões em tipografia e pontuação tem tomado voz de diferença, distinguindo paixão de afeição e eu falando para você de eu escrevendo um ensaio.
Julian Beck, 1965, em um prefácio a uma edição de The Brig

ACREDITE NA PONTUAÇÃO
Muirel Rukeyser
Há muita coisa em jogo por aqui, muitos escritores lutam a batalha e a maioria a perdem. O que esta em risco para um escritor? Liberdade de invenção, liberdade para falar a verdade em todas as suas particularidades, liberdade de imaginar novas estruturas.
(O ônus da prova não esta naqueles que presumem a liberdade, esta naqueles que de alguma forma o diminuem).
O que esta em risco para executores, porteiros, guardiães da Lei – as editoras, os revisores que não gostam de letras minúsculas, os bibliotecários que não vão empilhar livros sem a pontuação padrão (que era a razão dada a Muriel Rukeyser quando seu trabalho foi violado) – o que esta em risco para eles? Por quê eles continuam a executar?
Enquanto esse livro pode encontrar muita resistência – raiva, medo, desgosto – lei? Policia? Tribunais? – nesse momento em que escrevo: eu ataquei os fundamentos da cultura que é okay. Eu ataquei o domínio masculino, isso é okay. Eu ataquei toda a noção heterossexual da relação, isso é okay. Eu, em fato, defendi o uso de drogas, isso é okay. Eu, em fato, defendi os malditos animais, isso é okay. Aqui e agora, na cidade de Nova York, primavera de 1974, entre um punhado de pessoas, o publicador e o editor, isso é okay. Letras minúsculas não são. Isso faz alguém se questionar.
Então eu me perguntei e é isso que eu penso agora. Existem mecanismos efetivos para o bom desenvolvimento para lidar com ideias, não importa quão poderosas sejam estas ideias. Pouquíssimas ideias são mais poderosas que os mecanismos para desarma-las, a estrutura padrão – pontuação, tipografia, em seguida, para a organização acadêmica, o rígido ritual de formulação de ideias, etc – é a real distância entre o individual (certamente, o indivíduo intelectual) e as ideias de um livro.
O formato padrão é a distância.
Um pode ser animado sobre ideias sem mudar nada. Um pode pensar sobre ideias, conversar sobre ideias, sem mudar nada. As pessoas estão dispostas a pensar sobre muitas coisas, o que elas se recusam a fazer ou não são permitidas fazer ou resistem fazer é mudar a maneira como pensam.
Lendo um texto que viola os padrões que forçam um a mudar mentalmente que o empurra a ler. Não há nenhuma distância. A nova forma, em qual em algumas formas não é familiar, força-o a ler diferentemente – não a ler sobre coisas diferentes, mas ler de formas diferentes.
Permitir escritores a usar formas em qual violem convenções pode até permitir escritores a desenvolver formas em qual poderia ensinar pessoas a pensar diferentemente: não a pensar sobre coisas diferentes, mas a pensar de forma diferente. Esse trabalho não é permitido.
Se fosse possível criar a Torre de Babel sem ascender a isso, o trabalho não seria permitido.
Franz Kafka
A estrutura imóvel é o vilão. Independentemente da estrutura se intitular uma prisão ou uma escola ou uma fábrica ou uma família ou o governo ou o mundo como é. Essa estrutura pergunta a cada homem o que ele poderá fazer por ela, não o que ele pode fazer por si e para aqueles que não fazem para; existe a pena de morte ou de prisão ou de degradação social ou da perda de direitos humanos.
Judith Malina
Esse livro é sobre a estrutura fixa sexual no processo de ser publicado, eu encontrei estruturas imóveis de pontuação tipográficas e agora eu afirmo que, como muitos antes de mim, estrutura imóvel aborta liberdade, proíbe invenção e nos faz danos evidentes: usa nossa sagrada energia humana para se sustentar; nos transforma em executores ou em foras da lei; a fim de que, para sobreviver, nós temos que mentir.
A revolução, como vivemos e imaginamos, significa destruir a estrutura imóvel para criar um mundo em qual nós podemos usar nossa sagrada energia humana a fim de sustentar nossas sagradas vidas humanas.
Para criar um mundo sem executores, porteiros, guardas e leis arbitrárias;
Para criar um mundo – uma comunidade nesse planeta – em qual ao invés de mentirmos para sobreviver, nós podemos contar a verdade e florescer.