Alberto Acosta - O Bem Viver, uma oportunidade para imaginar outros mundos

Alberto Acosta - O Bem Viver, uma oportunidade para imaginar outros mundos
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Updated by Tatu Miri Feb 21
 

Fica aqui permanentemente disponível para download o livro do Alberto Acosta, e este espaço para discutir as ideias apresentadas no livro. Basta clicar no pequeno ícone de PDF abaixo do título.

 
   

www.ihu.unisinos.br/186-noticias/notici...=IwAR1poZn6RoM00RYaN56nT6DfY7g5 l3SCNhId9Qd688H0GKZr87a45culc2 Q
Compartilho uma excelente entrevista do Acosta em que ele elabora um pouco mais alguns temas do livro.

Destaco alguns trechos:
“O Bem Viver sintetiza vivências mais que conceitos ou teorias. Nutre-se dos valores, das experiências e sobretudo das múltiplas práticas existentes em comunidades indígenas, ainda que em mais de uma ocasião estas vivências não são consideradas, dentro do que podemos definir como Bem Viver ou sumak kawsay. Definitivamente, não é criação de alguma universidade, de algum partido político ou de alguma personalidade iluminada.”

“O que podemos considerar como a comunidade indígena, em termos amplos, possui um projeto coletivo de futuro, com uma clara continuidade desde o seu passado. Uma clara demonstração de responsabilidade com a própria vida. Essas utopias andinas e amazônicas, enlaçadas com outras formas análogas de vida ao longo de todo o planeta, são capturadas – de diferentes formas – em seu discurso, em seus projetos políticos e, sobretudo, em práticas sociais e culturais, inclusive econômicas. Aqui, radica uma das maiores potencialidades do Bem Viver.
Estas cosmovisões, atadas a territórios específicos, apresentam opções diferentes à cosmovisão ocidental, ao surgir de raízes comunitárias não capitalistas, harmonicamente relacionadas com a Natureza. A partir dessa leitura, o Bem Viver apresenta uma transformação de alcance civilizatório, ao superar as visões antropocêntricas para abrir as possibilidades de aproximações sociobiocêntricas, ainda que, na realidade, se trata de uma trama de relações harmoniosas vazias de qualquer centro; comunitária, não só individualista; amparada na pluralidade e na diversidade, não unidimensional, nem monocultural.”

“Contudo, isto é primordial, os bons conviveres – no plural, para não reeditar qualquer tentativa de mandato global, como foi a simplicidade e loucura do desenvolvimento – devem encontrar alternativas emancipadoras a partir do interior do próprio capitalismo, que servirão como suporte para superar o próprio capitalismo. As práticas, as experiências e os valores do Bem Viver andino ou amazônico, por exemplo, demonstram que é possível. Não se trata, então, de primeiro superar o capitalismo e, então, pensar no Bem Viver. Não. Definitivamente, não. Elementos do Bem Viver estão presentes, agora, de múltiplas formas, com existências inclusive de centenas de anos.”

“Isso nos coloca a necessidade de construir transições múltiplas para sair do capitalismo. A saída não significa mais capitalismo, por mais que ao modernizá-lo, procurem humanizá-lo, uma tarefa inútil, em vão. São necessárias estratégias claras e sólidas que prevejam as transições para superar o capitalismo. O interessante é que essas estratégias não serão possíveis a partir dos atuais estados e tampouco só a partir do Estado.
Estas discussões – presentes de diversas maneiras na realidade do ainda vigente sistema capitalista – se nutrem da imperiosa necessidade de promover no mundo a vida harmoniosa entre os seres humanos, e destes na Natureza. Uma vida que coloca no centro a autossuficiência e a autogestão dos seres humanos vivendo em comunidade. Este esforço deve estar normatizado por algumas questões medulares que garantam a reprodução da vida e não a do capital. Esse é, em definitivo, um grande desafio para a Humanidade.”